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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Ultimas aquisisições (15)


Foi uma aquisição muito especial, em que não despendi sequer um cêntimo.
O tesouro, foi HMJ quem o descobriu e me indicou o lugar: na cave da Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra. Da minha parte, apenas a tarefa de escolher, racional e sucintamente, os volumes que mais me interessavam, para trazer. A colheita consubstanciou-se em 5 revistas (melhor dizendo, calhamaços) Biblos (todas por abrir), 2 Boletins Culturais da CMP, 1 Revista Portuguesa de História, 1 folheto e, finalmente, um curioso dossiê de concorrência ao lugar de assistente da disciplina de Paleografia e Diplomática (anos de 1986 e 1998). Este último deve ter ido parar ao monte, por engano...


Gastei cerca de 3 horas, em duas surtidas de 1ª e 2ª escolhas, arrumando a parafernália, que estava disposta de forma caótica numa grande mesa e num balcão de madeira, com centenas de publicações de índole diversa, desde revistas de universidades sul-americanas até publicações de uma instituição cultural búlgara - era um mundo!
Inicialmente, a Biblos estivera marcada a 4 euros, depois remarcaram para 1,5 euros, até que a Faculdade ter-se-á decidido a  oferecer, gratuitamente, estes fundos decerto repetidos no seu acervo. Mas nem assim eles desapareceram, que a cultura em Portugal parece andar pelas ruas da amargura...


No tempo que gastei, na vindima, dezenas de estudantes passaram por lá e nem olharam. Apenas duas senhoras de meia idade me fizeram perguntas, folhearam algumas publicações e, rapidamente, abandonaram o local sem levarem nada.
No que trouxe, há colaborações notáveis, artigos interessantíssimos e temáticas muito especiais.
Destaque curioso para o dossiê de candidaturas ao lugar de assistente de Paleografia que contém informações curriculares dos pretendentes e até cartas manuscritas de recomendação de vários professores universitários, muitos deles ainda vivos.

domingo, 30 de junho de 2019

Letras, Coimbra juvenil


Os degraus estão lá, ainda. Mostrei-os a HJM. Onde, em 1962 (Maio?), se me deu o clique mental  político que acompanhou o som do puxar da culatra  da metralhadora de um polícia de choque que, integrado no pelotão repressivo, invadiu o campus universitário, pela primeira vez, em séculos. Até aí, eram os archeiros que cumpriam essa autoridade, a contento do poder e dos estudantes. Aberto o precedente, havia de repetir-se a intrusão policial, em 1969, com mais aparato e dureza.
Agora, os archeiros e os bedéis têm novas fardas e até tive dificuldade em identificá-los, mas os murais no interior de Letras são os mesmos, marcadamente figurativos como os soviéticos da mesma época. E o meu olhar fixou-se, como antigamente, no canto inferior direito e na imagem digna do cego Homero, que não envelhecera, na sua meia idade eterna de aedo e patrono das Humanidades conimbricenses. E, nessa recordação votiva, me veio à memória a amorável imagem de Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017), professora que me leccionou Cultura Clássica, há quase 60 anos...

sábado, 22 de março de 2014

Pequena história (28)


Óscar Lopes (1917-2013) foi um aluno liceal brilhante, com altas notas, nomeadamente, a Latim, em que teve, como professor, Francisco Torrinha. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, veio a licenciar-se em Filologia Clássica, onde também obteve muito boas classificações, excepto na cadeira de Latim, onde um professor (?) lhe atribuiu apenas 11 valores, que foi a sua mais baixa nota, destoando grandemente da média restante.
Já quase no final do curso, o Professor Rebelo Gonçalves desafiou-o a que apresentasse a sua tese - uma vez que o catedrático ia para Coimbra -, porque gostaria de ser o orientador e presidir ao júri da prova final. Óscar Lopes aceitou o repto, e entregou a tese, a tempo. O júri foi presidido, efectivamente, por Rebelo Gonçalves mas, no grupo da mesa de arguentes, encontrava-se também o professor de Latim, que lhe dera a baixa classificação.
Todos foram elogiosos quanto ao trabalho da tese, excepto o dito cujo professor que desabafou, contrariado, dizendo não perceber a qualidade do aluno, até porque, quando fora seu mestre, não lhe tinha notado tantos méritos. Ao que Óscar Lopes, perante risada geral dos colegas da assistência, retorquiu apenas:
- A culpa não é minha!...

Nota: o falecimento de Óscar Lopes ocorreu, precisamente, há um ano (22/3/2013).

para o António, com um abraço.