Se penso que cada ser humano mantém e é permeável a um tipo, específico, de ingenuidade, ao longo de toda a sua vida, já tive ocasião de perceber que a minha fraqueza e debilidade se acentua, sobretudo, em relação a novas tecnologias. Por isso me aconselho e me defendo, através da opinião de quem sabe e as domina, com frieza e racionalidade.
Acontece que, ultimamente, recebi vários convites sedutores para integrar quer o feicebuque, quer o parente pobre, irmão mais novo, que dá pelo nome de linquedim. Lisongeado, fiquei na dúvida e, pela incerteza, resolvi aconselhar-me com especialistas fiáveis que dominam, ou conhecem, estas sociedades secretas, talvez um pouco - e digo-o, suburbanamente - acarneiradas.
Questionado, perante a minha indecisão metafísica, um deles disse-me, mais ou menos: ó pá, dá para entreter... Já fui, já desisti, e já voltei. Ficámos com muito mais amigos! Bué de gente gira, bastante ligeira, mas voluntariosa e de pensamento veloz...
O outro amigo, mais ponderado, sendo mais novo, mas talvez com maior experiência, exclamou: "Não te metas nisso! Isso é malta muito acelerada, que consegue dialogar com mais de 100 pessoas, por dia - dizendo raspas. É o zero sobre o nulo. E, se quiseres sair, é pior que abandonar a CIA ou o MI 5. E, ainda por cima, ficam-te com os dados todos..."
Confesso que fiquei perplexo. E, por precaução, fiquei de fora.