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sexta-feira, 29 de abril de 2016

As favas de Constância


Lá voltámos às favas, que vem aí o tempo delas. Dadivosas primícias de um casal amigo que as trabalham lá para os lados de Constância, terra que se arroga ao privilégio de ter acolhido Camões, em tempos de juventude e de desventura amorosa. Frescas, macias e temporãs, deram uma favada deliciosa, à mistura com uns enchidos pecaminosos de gula, mais uns bocados generosos de entrecosto, de reco luso.
Estava eu a guardar um vinho, que trouxera do Fundão, para um momento auspicioso. E isto porque era lotado com as duas castas tintas minhas preferidas: a Tinta Roriz (Aragonez) e a Jaen. Mas eu podia lá esperar, tanto tempo!?... E abri-o, para ver no que dava a companhia. Perfeita.
É um vinho capitoso, nos seus 8 anos e 14º. E não digo mais nada, porque o silêncio é de ouro e o almoço foi soberbo...

domingo, 19 de julho de 2015

Mercearias Finas 103


É um vinho tinto perigoso, na sua blandícia e sedução. Veludo mavioso, perfume singular mas discreto, sabor que aplaca qualquer cólera interior ou discordância. Femininino pela sua natureza sem arestas, apesar dos 15º...
Venho falando do Madrugada, colheita seleccionada de 2009, cujas cepas (Aragonês maioritária, Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon), ainda novas, frutificam ali para as bandas de Arraiolos, na Quinta do Carvalho.
O tinto foi sacrificado a uma Favada, bem guarnecida, repescada do congelador, acertadamente, neste dia de temperaturas amenas, por entre a canícula de Junho e a que se há-de seguir. Era a altura certa e propícia ao prato rijo e invernoso.
O final do Madrugada banhou ainda uns restos de Emental e Fratel, à sobremesa, na sóbria companhia de umas água-e-sal, que dão pelo nome de "Marinheiras" (recomendo!), produzidas em Samora Correia. Grandinhas e estaladiças.

domingo, 6 de março de 2011

Mercearias Finas 27 : a Favada

Não fossem as favas, de proveniência castelhana, toda a refeição teria origem genuinamente nacional. E com muito orgulho, porque a Favada estava um esplendor! E o vinho, um tinto da seleccionada colheita de 2003 da Adega Cooperativa de Pegões (com Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira e Cabernet Sauvignon), portou-se galharda e cumpridamente bem. Nos seus 8 anitos de vida e treze graus e meio, abriu lindamente e deu luta. Ao chouriço de Portalegre, ao entrecosto dum porco que viveu no Montijo, a uma morcela de sangue, alentejana, e ao cheirinho duns coentros muito frescos, que vieram de Constância. Em abono da justiça e da verdade, há que dizer que as pequenas favas espanholas eram muito tenras e boas.
Como ainda havia quase 1/3 do tinto Pegões 2003, finalizou-se com um bom queijo de Seia (desta vez não era babão!), misto de leite de cabra e ovelha - apetitoso. Também acompanhado de um pão semi-integral (retirado a tempo do congelador e amornado no fogão), cozido a forno de lenha, em Negrais. Onde estivemos, aqui há dias, a comer um saboroso leitão, no "Tia Alice", ladeado por um cuidado arroz de miúdos, do dito. Mas, hoje, foi a Favada que, repito, estava um esplendor. Viva o colesterol!