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domingo, 24 de fevereiro de 2013

A escandalosa impunidade


Nem sempre o humor nos salva da cólera a que estas águas mansas portuguesas e a idade nos condenam.
O cão vai-se espaçando nos latidos, como o sinal de alarme, na intensidade, com o tempo passando. Do "Grândola, vila morena", que vai, pouco a pouco, perdendo peso mediático, ao funambulista cibernauta e ligeiro que, em 5 segundos, lê (?) 12 postes de assentada, vai a medida da responsabilidade humana do nosso tempo. Do juiz refastelado na poltrona, com vinte processos em atraso, até ao médico que, com um piparote cirúrgico mata uma mosca incómoda ou um doente terminal, vai uma diferença ética.
Será tudo uma questão relativa, que os nossos generais, em ameno convívio recente e prandial, poderiam resolver, de vez, com duas granadas defensivas, em local próprio, porque os coelhos já não devem ser muitos e as tocas já não chegam para os abrigar... Nem seria preciso ressuscitar as FP-25.
(Não, não é um convite à subversão, é apenas o meu direito à indignação total!)
As cantigas já foram uma arma - hoje, já não bastam, contra a impunidade cívica de quem nos governa. E as palavras (aliás, como estas) são meros alfinetes de dama, para lutar contra este pântano apodrecido, tão igual aos anos salazarentos onde, pelo menos, a corrupção era mínima. E punida, normalmente.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quotidiano simples e cru (não aconselhável a almas sensíveis)


Se seguirmos pela rua do Arco de Cima, havemos de chegar a uma praça vazia. O relógio de S. Vicente já bateu o meio-dia, há muito. O homem, de rosto muito desgastado pelas  rugas da vida, sentado na mesa da esplanada, lê, anota a lápis, e comenta, em voz alta, para o vizinho gordo e indiferente, o jornal desportivo, da primeira à última página - há quem passe a vida nisto, e seja feliz...
A feira que, às terças e sábados, é da Ladra, está vazia, mas a Praça é acariciada por uma luz outoniça e amena de morna brandura. A Márcia ciranda atenta e agradece, de cada vez que nos serve. Vai ter férias, mas não tem dinheiro junto que lhe dê para ir ao Brasil. Entretanto, há um crápula - leio no jornal - que se demitiu da CGD, incomodado com as Finanças.
Pela fotografia, vejo que engordou bastante: está nédio e luzidio - parece um porco. E está inchado de importância balofa. Volto a perguntar: por onde andarão as FP-25? A matança dos leitões também pode ser antes do Natal.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Diário presente do conjuntivo


Os influxos benéficos da minha viagem intempestiva, de Novembro, já quase se desvaneceram, no tecto baixo da desesperança lusitana. Voltaram as harpias e pitonisas da desgraça, nos telejornais, os títulos cadavéricos dos periódicos macabros (que o sangue sempre se vendeu bem), regressou o manequim de Belém com os seus esgares e tiques estandardizados para dizer nada. Voltou o coelho manso de voz estudada, enquanto o mago contabilista e sádico gaspar vai perorando sibilino - por onde andarão as FP-25?
Os amigos emagrecem, vão-se deprimindo à "apagada e vil tristeza" camoneana. Outros ainda esbracejam, num afogamento psicológico que não tem fim à vista. Parece que vamos todos feridos de morte. Mas é evidente que a 21 não vai acabar o mundo...