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domingo, 11 de julho de 2010

Góngora, Quevedo e Lisboa


Luis de Góngora y Argote, nascido a 11 de Julho de 1561, morreu em 1627. Representante máximo da poesia cultista castelhana, é um hábil obreiro de poemas, plenos de alusões mitológicas e eruditas, com segundos sentidos complexos que, hoje, só com um manual anotado dos seus estudiosos, por companhia, se poderão cabalmente compreender. Inimigo declarado de Quevedo (1580-1645) que também não o poupou, sendo que este foi o expoente máximo do que se convencionou chamar poesia conceptista. As polémicas, entre os dois poetas espanhóis, foram ferozes ("...untarei as minhas obras com toucinho,/ para que tu não as mordas, Gongorilha..." disse Quevedo, que também ridicularizou Góngora, pelo seu apêndice nasal excessivo - "Era um homem a um nariz colado,/ era um nariz superlativo..."), mas também houve guerrilha literária entre Góngora e Lope de Vega.
Em 1619, Luis de Góngora visitou Lisboa, então sob o domínio filipino, e desta viagem ficou um soneto em que deprecia D. António, Prior do Crato ("mosquito antoniano"), ridiculariza o vestuário dos portugueses ("Amor com botas, Vénus com baeta"), se queixa da falta de gelo para as bebidas, nesse Verão ("Estrela dispensada...") e estranha a alta construção das casas lisboetas ("...aposento nas gáveas o mais baixo;"). Deste soneto - "En la Jornada de Portugal" -, aqui deixo, traduzidos, a segunda quadra e o primeiro terceto:

"...Salga o outro com lança e com trombeta
mosquito antoniano resoluto
e ainda com pesar por tempo mais enxuto,
Amor com botas, Vénus com baeta;

fresco verão, cravinhos e canela,
de neve mal, de uma Estrela dispensada,
aposento nas gáveas o mais baixo;..."

Nota pessoal: em abono da verdade, devo dizer que prefiro a poesia de Quevedo aos poemas e sonetos de Góngora. Por outro lado, Quevedo deixou um lídimo representante português: Francisco Manuel de Melo; enquanto Luis de Góngora contaminou, fatalmente, os colaboradores portugueses de "A Fénix Renascida"...