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terça-feira, 18 de junho de 2019

Bibliofilia 176


Por razões que não importam, veio o volume da estante dos dicionários para a minha secretária. E dei-me a folheá-lo, com gosto e proveito informativo.
Esta obra de Pierre Chompré (1698-1760), francês licenciado em Direito, foi editada, em França, no ano de 1727, pela primeira vez, e rapidamente se tornou um best-seller. Ciquenta anos depois (1777) já contava 13 edições. A primeira impressão portuguesa, traduzida provavelmente por José Pedro da Fonseca, saiu em 1779, creio. Le Dictionnaire de la Fable, medianamente erudito e útil, serviria de apoio e ilustração a oradores sagrados, poetas românticos e neo-clássicos, homens de leis e advogados, e até políticos, para os seus discursos.


A mitologia, a literatura clássica, a fábula e a história antiga são os seus motivos essenciais.
O meu exemplar, de 1836, em língua portuguesa, com encadernação de pele, mas cansada, está rabiscado na folha de rosto e tem marca de posse manuscrita na última folha em branco. O miolo e o texto estão íntegros e perfeitos, no entanto.
O livro custou-me, em meados dos anos 80, Esc. 400$00. A livraria Candelabro tinha à venda, recentemente, a primeira edição portuguesa (1779) ao preço de 75,00 euros, também encadernada.


Por curiosidade, reproduzo a marca de posse manuscrita de um dos seus últimos possuidores, que terá frequentado o Seminário de Coimbra, em 1895.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Esboço premonitório ou projecto em jeito de fábula


Era no tempo em que tudo parecia poder vir a acontecer. E ainda não havia a CEE...
Sentado frente à janela da sala de jantar, eu via as metamorfoses vertiginosas das nuvens. Porque elas têm, em si, uma capacidade de sugestão e engano infinitos. E são como um pintor que desenha, mas nunca está satisfeito com o que faz. E vai apagando.
Devia ser Junho. Um Junho não muito definido, que ameaçasse chuva ou trovoadas. E, nessa altura, eu gostava muito de Geografia: aqueles mapas coloridos dos países, os riscos a negro dos rios, o castanho macio das montanhas. A princípio, nas nuvens em frente, começaram a aparecer-me os contornos nítidos da Grã-Bretanha; mas logo, e pouco depois, desenharam-se os limites mais pequenos da ilha de Chipre. Cinco minutos após, as nuvens eram apenas um ponto, como se fora, ao Sul de Espanha, o minúsculo protectorado de Gibraltar.
Que se desvaneceu da minha visão, como por encanto quase de imediato, e eu voltei, de novo, à realidade. E pensei que devia ter ido chover para outro lado...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Adivinha quem vem jantar


O filme (1967), de Stanley Kramer, cujo título plagiei para este poste, com interpretações de Katharine Hepburn, Spencer Tracy e Sidney Poitier, era uma espécie de fábula. No caso particular, sobre o racismo. Quando a filha (Katharine Houghton), do casal branco, traz o namorado preto ( Sidney Poitier) para jantar e apresentar aos pais, a única reacção negativa e discordante é a da velha criada (Isabel Sanford) - que é preta...
Ora, no caso do problema grego, curiosamente, os mais inflexíveis e intolerantes (Sigmar Gabriel, alemão, e o holandês encaracolado, com voz entre o falsete e a sopinha de letras) que, sendo socialistas (?) ou social-democratas (?), era suposto terem uma visão mais construtiva, não têm. Até mesmo Renzi, que entrou no governo italiano pela porta dos fundos, se mostra mais interessado num consenso e em ouvir os gregos.
E já nem falo dos criados (ou bons alunos), que completam esta nova fábula da Europa.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O belo e o útil, quase em jeito de fábula


Na floreira da varanda, em conúbio aparentemente ilícito, frutificou o último pimento e as frésias pareciam querer florir. Mas o sufoco era grande e elas viam-se quase estranguladas, na sua vocação primaveril, pelos enlaces dos ramos do pimenteiro envelhecido.
Para salvar as frésias e para que pudessem seguir o seu destino, veio o jardineiro e arrancou o pimenteiro pela raiz. Dele, ficou apenas a sua memória, verde.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Leituras Antigas XXXVII : O livro das Fábulas



O livro denota a sua provecta idade: foi posto à venda pelo Natal de 1950. Foi o primeiro livro de Fábulas que li e, provavelmente também, o primeiro em verso. Foi-me oferecido quando fiz 8 anos, por duas amiguinhas que eram irmãs: a Maria Manuela e a Maria Helena Coelho. Gostava e gosto muito do volume, e reli-o várias vezes, sempre com agrado.
Os versos límpidos, simples e corredios de Adolfo Simões Müller lêem-se muito bem. E os desenhos, um pouco delidos os interiores, são sugestivos e atraentes. O livro foi uma edição da Empresa Nacional de Publicidade, de Lisboa. Simões Müller dedicou-o às afilhadas Maria Manuela e Maria Teresa. Continua a ser, ainda hoje, uma obra instrutiva e útil. 

sábado, 6 de agosto de 2011

O sexo dos anjos, em jeito de fábula


A 29 de Maio de 1453, Constantinopla caíu nas mãos do sultão Mehmet II, turco otomano.  Mas enquanto alguns soldados ainda defendiam a cidade, contra os bárbaros, um consistório religioso discutia, acalorada e metafisicamente, o sexo dos anjos - se eram do sexo masculino ou feminino. Foi o fim da Idade Média. E a dúvida sobre o sexo dos anjos é, inapelavelmente, uma questão bizantina.
Hoje, "quando tudo arde" (Sá de Miranda dixit), há também quem se entretenha, puerilmente, a discutir o sexo dos anjos..., porque não lhes falta pão para a boca e os horizontes das suas celas mentais são limitados, pequenos, e as suas janelas de pensamento nem sequer distinguem a realidade, cá fora.