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domingo, 15 de agosto de 2021

E o melhor título da Silly Season vai... para o jornal Expresso

 

Receita para o fim da crise global de solidão, tão prejudicial para a nossa saúde como fumar 15 cigarros por dia

14.08.2021

Só fiquei intrigado e curioso por saber como é que eles terão feito as equivalências... 

E o que é que pode acontecer se fumarmos um maço de cigarros inteirinho, diariamente?!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

3 motes para uma causa


Duas transcrições repescadas de há dias:

1.
Este mundo (editorial) definhou. Coisa que Saramago previu, no seu pessimismo ontológico, a propósito da morte do romance. Definhou sobretudo por duas razões, uma paroquial e outra cosmopolita. A paroquial é simples. Os editores começaram a publicar o sabor do mês, a jovem promessa, e os críticos a considerar génio todo o autor ignoto que não lhes ameaçasse a sapiência ou preponderância. O mundo literário povoou-se de nulidades que criaram a sua legião crítica.
Clara Ferreira Alves, in A Seita (Expresso, 7.4.2018).

2.
Estava portanto arrumada, por insuficiente, a hipótese etária, quando me recordo - maldita memória! - de um autor de nome minúsculo que confessou enervá-lo Herberto Helder; "por isso não está neste livro".  E porque o enerva Herberto Helder, a ponto de eliminar do tal livro um texto em que o nome deste aparecia? O motivo veio nos jornais: "...Herberto Helder não era acolhedor. Cheguei a falar com ele por telefone umas duas vezes e até lhe bati à porta - teria uns 26 anos -, e falámos pelo interfone. Não abriu a porta nem me quis receber".
Ana Cristina Leonardo, in Primeiro foram as Padarias, depois foram as Livrarias (Expresso, 7.4.2018).

E, já agora, deixem-me meter a minha colherada!

3. Reparem-me nestes dois "tesourinhos deprimentes" que foram editados, tendo como títulos:

- 25 Gramas de Felicidade,
- O cancro não gosta de beijinhos,  

por duas editoras(?) portuguesas, provavelmente ronceiras e muito mal amanhadas. Mais uma vez, por caridade, evito referir o nome dos autores de tais obras salvíficas.


Querem mais títulos?

sábado, 13 de maio de 2017

Altos patamares


Luís Sottomayor (1963) é o enólogo responsável pelas últimas colheitas do Barca Velha, vinho do Douro e de alta qualidade, que foi criado, em 1955 (data recentemente certificada, e com apenas 19 edições), por Fernando Nicolau de Almeida (1913-1998). À colheita de 2008, já orientada por aquele enólogo da Sogrape, foi atribuída, pela Wine Enthusiast, a classificação máxima de 100 pontos, situação inédita na enologia portuguesa. 
Pelo feliz acontecimento, o jornal Expresso entrevistou Luís Sottomayor, de quem eu gostaria  de transcrever a sua última resposta, à pergunta que lhe foi feita:

A maior parte das pessoas nunca provou um "Barca Velha". Como é que lhes apresentaria o vinho?

Pensem numa pessoa por quem tenham respeito e consideração. Alguém a quem reconheçam carácter, personalidade e, ao mesmo tempo, sentimentos. É assim o Barca Velha.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Apontamento 73: "Uma crítica da linguagem"



Falando, como sempre, com conhecimento de causa e propriedade intelectual, cultural e, sobretudo, linguística e literária, António Guerreiro debruça-se, na sua última intervenção cívica, sobre o jornalismo.

O seu texto coincidiu com alguns excertos de – bom e mau – jornalismo que andei a coleccionar ao longo do dia. De forma tranquila, li e guardei, para memória futura, uma parte de um texto de Viriato Soromenho Marques, no DN de hoje, autor que, como sempre, se destaca pela capacidade de se centrar na essência e numa propriedade linguística já fora do comum:

1 – “Mas, rompendo o véu obscuro da novilíngua do Eurogrupo, se a "confiança" (leia-se, submissão) não for demonstrada, o "acordo" (leia-se: ultimato) falhará. Nessa altura, talvez a Grécia seja arrastada para fora da zona euro numa explosão de desordem e violência social. Com isso, a zona euro entrará na lista infame dos crimes contra a humanidade.”

Viriato Soromenho Marques, DN, 17.7.2015

O mau jornalismo, ou seja, aquele em que “a crítica da linguagem” se encontra perfeitamente ausente, revelando uma transmissão “acrítica” de aberrações constitucionais, sociais e pragmáticas:

2 - «As Finanças reforçam que “o novo regime de deduções baseia-se no sistema e-fatura e nas novas tecnologias, o que garante um regime simples e sem burocracia ou papéis, em que as despesas reais de cada família são registadas de forma automática e eletrónica no Portal das Finanças. O regime permite também, pela primeira vez, que os contribuintes consultem as despesas que realizam ao longo do ano e acompanhem em tempo real a evolução da respetiva dedução no IRS, e permite ainda que a administração fiscal possa pré-preencher totalmente a declaração de IRS e, dessa forma, simplificar e facilitar a vida a milhões de famílias portuguesas”».

Ana Sofia Santos, Expresso, 17.7.2015

Ora, para a jornalista do Expresso, à semelhança do Senhor Provedor de Justiça, não existe nenhuma “falha de ordem Constitucional relativamente  a conceitos de igualdade de direitos dos cidadãos”, quando se institui, como obrigatório, um regime de deduções no IRS baseada numa plataforma electrónica.

A excelência de um “regime simples e sem burocracia ou papéis” não será para os “info-excluídos” – voluntários ou obrigatórios – sem nenhuma hipótese alternativa. Aliás, a senhora jornalista nem sequer chega a avaliar questões de essência.

Na sua promoção dos “superiores serviços da AT” nem sequer consegue explicar a “retroactividade de despesas de saúde” que, passados 6 meses, obrigam a juntar uma receita médica para uma compra simples de um BEN-U-RON.

Resta acrescentar, como proposta para o Senhor PM apresentar na próxima reunião de líderes, voltando a brilhar com as suas prestações de excelência, que a Alemanha siga o exemplo português. Sucede que as farmácias na Alemanha nem recibo passam ou entregam !

Post de HMJ

sexta-feira, 5 de junho de 2015

De uma entrevista já antiga


A entrevista de Clara Ferreira Alves a Michel Houellebecq foi publicada na revista do Expresso de 23 de Maio de 2015, e sendo já velha, não deixa de ser interessante. O pequeníssimo excerto, que deixo em imagem, não sendo propriamente uma pergunta, é uma reflexão de C. F. A., com certo grau de objectividade que me apraz aqui deixar, para memória futura.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Europa e o desemprego


 Há algumas semanas li, com particular atenção e crescente preocupação, um excelente artigo de António Guerreiro, muitíssimo bem fundamentado, no jornal Expresso. A tese defendida e a conclusão a tirar era que, de futuro, no Mundo e sobretudo na Europa, cada vez haveria menos empregos e cada vez mais desemprego. E os números oficiais aí estão a confirmar a afirmação, principalmente, aplicada aos jovens, até aos 25 anos. Em relação a alguns países europeus, é esta a percentagem do desemprego entre os jovens:
Espanha - 53,27%
Grécia - 51%
Itália - 36,2%
Portugal - 35,54%
Irlanda - 28,5%
França - 25%.
Entretanto, há fenómenos migratórios estranhos. Por exemplo, muitos filhos de emigrantes turcos, em França, estão a regressar à Turquia, onde parece terem mais facilidade em arranjar trabalho. A Espanha, em 2011, registou um saldo migratório negativo de cerca de 100.000 pessoas - situação que já não acontecia há muito tempo. Neste mesmo ano, o Brasil registou uma entrada recorde de 50.000 portugueses.
Recusando um futuro aos jovens, a Europa envelhece e empobrece, perdendo, na maior parte dos casos, os mais jovens e os melhores de que necessitaria para se revitalizar. Mas quando são os próprios governantes a convidá-los a sair, o que é que poderíamos esperar?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os Fariseus


O jornal Expresso online titula, hoje: "Pingo Doce: produtores pagam a fatura do 1º de maio".
Seguem-se declarações de João Paulo Girbal, presidente da Centromarca - Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca, prestadas numa entrevista à TSF, dizendo que o PD começou a "negociar" com os produtores um abaixamento de preços entre os 2% e os 3,5%, nas compras. Forma encapotada, segundo J. P. Girbal, de pagar "as promoções" caridosas do 1º de Maio de 2012, à carenciada população lusa.
Entretanto a Autoridade da Concorrência, recebido oportunamente o relatório da A. S. A. E., do alto da sua torre de marfim, aos costumes não disse ainda nada... Mas que grandes cómicos. Ou Tartufos, como lhes chamava Moliére. Acabo com Fernando Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia..."

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Livros defesos



Para as gerações de hoje poderá parecer pouco crível que, no passado e em Portugal, se proibissem e apreendessem livros e, até, se instaurassem processos (políticos) a muitos escritores nacionais. Mas isso era comum, no período do Estado Novo, e até Abril de 1974. Para não falar  de livros estrangeiros que, só clandestinamente, cá entravam e eram vendidos, à socapa e por baixo da mesa, a pessoas de confiança. Era o caso, por exemplo, das edições Maspero, francesas. Ou das traduções de alguns autores estrangeiros, como Sartre, Roger Vailland e do seu proibidíssimo "Um homem do povo na revolução".
Aquilino Ribeiro, por causa do seu "Quando os lobos uivam", foi a Tribunal, sendo a 1ª edição da obra completamente apreendida. A segunda edição, só veio a sair no Brasil. O mesmo aconteceu a Torga: os "Contos da Montanha" foram proibidos, e a segunda edição só viu a luz no País-irmão, através da editora Pongetti. Também os "Cadernos", da Dom Quixote, de teor político, foram objecto de razias persecutórias. E José Vilhena, escritor humorístico, muito em voga nos anos 60 portugueses, também foi posto no Index, mais pelas brejeirices do seu humor, do que por razões políticas.
Mão amiga fez-me chegar, há dias, um artigo do jornal Expresso de 21/4/12, sobre este assunto, e muito bem documentado, na referência que faz a um estudo de José Brandão, sobre a censura literária do Antigo Regime. Lá aparece o top-10 dos sacrificados: autores e editoras. Vilhena vem à frente. Em terceiro lugar aparece Tomás da Fonseca, autor de quem nunca li nenhum livro. Outra surpresa, para mim, foi Orlando Costa (pai de António e Ricardo Costa), autor de "Podem chamar-me Eurídice", que também foi vítima desta sanha censória.
Registe-se que o regime intensificou, gradualmente, a repressão sempre crescente. Dos 12 títulos apreendidos, em 1933, nos anos 70 o número de livros proíbidos ultrapassou a centena.

com agradecimentos a H. N..