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quinta-feira, 31 de março de 2022

Dizeres



A imagem acima não dará conta, nem sugere o tema deste poste. Mas foi neste terceiro volume da História da Vida Privada em Portugal (A Época Contemporânea), obra sólida e competente que adquiri através da Livraria Lumière (Porto), há tempos, que descobri dois ditos populares a que achei imensa graça e que vou citar. O primeiro tem por objectivo assegurar que o pão venha a ter bom sucesso final, depois da massa feita e depois de ir para o forno. Após desenhar três cruzes sobre o produto, a padeira dizia:

"São Mamede te levede, São Vicente te acrescente, São Romão te faça bom pão e os anjos te comerão."

O segundo exorcismo era o contraponto que respondia ao pedido de benção de uma criança, a que o adulto (pais, padrinhos...), que abençoava, dizia depois:

"Nosso Senhor te abençoe e te faça um santinho e te leve para o Céu quando fores velhinho."

(Estes dizeres vêm no livro da imagem acima, a páginas 300 e 301, respectivamente.)

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Arrenego ou exorcismo



Não são fáceis de encontrar os arrenegos ou exorcismos que, de algum modo, se destinavam a intenções maléficas de lançar pragas ou maldições, sobre pessoas e coisas. Normalmente de origem popular, com erros e/ou corruptelas curiosas, aqui, pelo Arpose, há já dois arrenegos. E, há dias, encontrei outro que tinha apontado numa folha solta, guardada dentro de um livro. 
Aqui vai ele, para que se não perca: 

Cavalo de cara branca, home por nome Messia, mulher dos quartos de jia e pote que não esfria, coitadinhos deles quatro, credo em cruz, Avé Maria!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Da Janela do Aposento 40: Exorcismos, a montante 1



Uma boa conversa entre amigos consegue, com frequência, esse prodígio de nos elevar, à semelhança da imagem, e olhar para as nossas vidas numa perspectiva sublimada, embora partindo de coordenadas muito rasteiras e contidas no recente jargão "a montante" e "a jusante". 
De experiências vividas em comum, "a montante", o meu amigo lembrou-se, com a sua perspicácia, do poema "Exorcismo" de C. Drummond de Andrade, que se reproduz na íntegra:


A elevação, a propriedade e a devastadora ironia do poeta sobre os desvarios do(s) estruturalismo(s) e de linguístas permitiu-nos, à distância e com boa disposição, recordar os exorcismos.
Convenhamos que, no meio desta "floresta de enganos", a pretensa polémica sobre o Acordo Ortográfico representa, somente, um acidente de percurso menor e uma acha para a fogueira de certos poetas do actual regime.
De facto, o grito de Drummond de Andrade já nos libertou, a nós, mas, "a jusante", o desvario continua, sob novas roupagens, a fazer os seus estragos e exorcismos, Dos "semas, sememas, semantemas" passamos aos "marcadores de discurso", e outras "cerejas" semelhantes, porque ainda não se compreendeu bem o sentido último do poema.
Libera nos, Domine !

Post de HMJ 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Entre a Poesia popular e o Esconjuro

Já aqui o referi: sou um grande apreciador de monografias regionais. Ensinam muito naquilo que há de saberes práticos, ligados à terra, desde a agricultura ao tempo, de mezinhas naturais a costumes. Talvez seja um saber menor, este que se pode encontrar numa monografia bem feita, com informações sobre personagens secundários da História, episódios curiosos e pitorescos que, apesar de interessarem, sobretudo, às pessoas do lugar, têm quase sempre agrado. De uma monografia sobre a Lourinhã, de Mário Baptista Pereira, passo a transcrever:

Oração para afugentar as trovoadas

-Santa Bárbara se levantou
Seu pezinho direito calçou,
Jesus Cristo perguntou:
-Onde vais Santa Bárbara?
-Vou espalhar a trovoada!

-Espalha-a lá pra bem longe
Onde não haja pão nem vinho,
Nem rama de S. Martinho,
Onde não se ouça cantar os galos
Nem tocar os sinos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um esconjuro do Barroso (Trás-os-Montes)


A palavra engaranho - que eu conhecia - não vem registada nos vários dicionários que consultei. Nem mesmo Houaiss a refere, no seu amplo trabalho. Mas na obra colectiva "Usos e costumes do Barroso" (Chaves, 1972), de Barroso da Fonte, Lourenço Fontes e Alberto Machado, vem assim explicado: "O engaranho caracteriza-se por um estado geral de enfraquecimento juvenil, com braços e pernas cruzados muito delgados, feições mirradas e aspecto amarelado. O termo engaranho, é expressivo para designar esta doença que só se verifica nas crianças". Em termos mais simples e objectivos creio que seria uma espécie de raquitismo, a que estariam sujeitas muitas das populações desfavorecidas, por carências várias, mas também por razões de isolamento que originavam sucessivos casamentos consanguíneos.
Mas a obra citada descreve, detalhadamente, também, "Como se cura o engaranho". O ritual era complicadíssimo e com algumas variedades de acções e rezas, uso de juncos e utilização repetida do número 9, pronunciada pelo curandeiro, e obrigatório silêncio dos assistentes. Terminava assim o ritual, com a entoação seguinte:
Quem passa o Tejo,
faz pipos
e vedam o vinho
corta o engaranho
a este menino.
Pelo poder de Deus
e da Virgem Maria,
um Padre Nosso
e uma Avé-Maria.

sábado, 28 de maio de 2011

Divagações 7


Dias há, que foram mal arrumados. Ou porque eram muito cheios, ou porque o tempo escasseou, voltam na manhã seguinte, para serem resolvidos, classificados, alinhados na memória. Fica de fora apenas o que for digno de sequência, o que não acabou de todo e tenha, necessariamente, projecto de continuidade. A manhã não foi, porém, tranquila. O ribombar periódico, ao longe, da trovoada indecisa, o céu cinzento, este clima muito próprio de Maio...
Já era assim na infância, e na província. Ao Abril chuvoso seguia-se o Maio trovejante, nem sempre molhado mas, muitas vezes, de calor abafado no céu de capacete. E, em casa, as ladaínhas, se trovejava: "São Jerónimo, Santa Bárbara Virgem! / Chagas abertas, corações feridos / se interponham entre nós e o perigo!..." E o acender das velas ou lamparinas com azeite, porque a luz ia abaixo, normalmente, demorava a voltar, e os apagões eram frequentes.
Também por aqui é difícil arrumar os dias e a memória nas gavetas...mesmo que sejam apenas 12.