Roubei este velho texto à temática Recuperado de um moleskine, até porque é de um Agosto antigo. Mas também sei que, com jeito (que não é preciso ser muito domado e manso) e algum artifício, ele pode reduzir-se de uma prosa simples a uma poesia arrumada. Aí vai ela:
Troco o mar por este verde esparso
em frente, que o azul limita.
No visível movimento secam roupas
soltas, coloridas nas varandas
de Agosto. O vento traz consigo
as esquecidas expressões abandonadas
e os corpos ausentes no de longe.
Ao descarnar os termos sobe um ritmo
apenas diferente, sincopado e lento -
dísticos humildes à espera de sentido,
palavras que se amem entre si
só para serem felizes.