Mostrar mensagens com a etiqueta Excesso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Excesso. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Bom senso e bom gosto

 

A tentação portuguesa pelo exuberante ou excessivo é notória. Parece que somos barrocos por natureza e vocação. No falar e no escrever, o excesso, normalmente, predomina sobre o equilíbrio estético. Até nas capas dos livros, hoje em dia, as cores são quase sempre estridentes e berrantes - de mau gosto, em suma. Basta ver as montras da Bertrand, no Chiado...
Por isso, dá gosto ver esta duas capas, em imagem acima, de uma simplicidade e de um notável bom senso discreto gráfico. Do livro de Ernest Jünger, é Ana Jotta (1946) a autora.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Desabafo (101)

 
Penso que nunca fui de muitas palavras ou, ao menos, procuro cingir-me ao essencial que tenho para dizer. O excesso é, muitas vezes, fruto das nebulosas do espírito, ou de mentes pouco arrumadas e que não sabem bem o que têm para dizer. São fala-baratos compulsivos, que nada acrescentam à vida, como o PR e os cães que, a maior parte das vezes, por não terem sido ensinados, ladram sem motivo, só para marcar presença e o terreno...

sábado, 24 de maio de 2025

Com ambição de máxima

 
A concisão e a discrição são virtudes maiores de maturidade atingida, embora nem todos o reconheçam ou cultivem, e possam demorar anos a adquirir, como princípio. Poupam aos mais velhos a paciência e o cansaço quotidianos. Porque a síntese e o equilíbrio são sempre um esforço de inteligência lógica, irreconhecível dos espalhafatosos e incontinentes, sempre abundantes por este nosso mundo vulgarmente irracional. A redundância, o excesso e a verborreia não deixam de ser epidemias contagiosas e de pouca utilidade.
Assim parece ser bastante difícil dizer apenas o essencial à vida.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Dos excessos e suas alternâncias


Longe vai o tempo em que se dizia: gordura é formosura. Talvez de norma e moda, na época de Camilo, em Portugal, e Ana Plácido não destoava, nesse particular atributo. Segundo um estudo recente e credível, na Inglaterra, uma em cada cinco crianças, até aos 11 anos, é obesa; e com a adolescência, a percentagem aumenta. Uma das razões será da junk food largamente consumida, sobretudo nas classes britânicas mais baixas. Por cá, eu chamo-lhe: fome de séculos, por razões históricas.
Mas também a arte se faz eco destas flutuações de moda ou de estética. Basta lembrarmo-nos dos camponeses de Bruegel ou das mulheres anafadas de Rubens, até chegarmos aos modelos rotundos de Botero. Pelo meio, teremos a elegância dos nus de Cranach e as silhuetas harmoniosas de alguns Dürer. Pelo século XIX/XX, Renoir e Léger voltam à rotundidade curvilínia, mas creio bem que Alberto Giacometti não desdenharia ter Twiggy como modelo preferido para as suas esculturas...