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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Superlativos


Às vezes, embora habituado aos abusos da linguagem, à leviandade e excessos sentimentais expressos em palavras que, hoje, já quase nada significam (o verbo amar, nomeadamente, anda todo esfarrapado), à força de serem mal usadas, ainda me surpreendo com o desatino e ligeireza de alguns sujeitos. Ontem, por exemplo, um plumitivo, que escreve por aí e tem algum nome na praça, ao referir a morte de Rubem Fonseca (1925-2020) caracterizava-o como o "maior escritor brasileiro do século XX". Por muito que eu preze o falecido, então qual será o valor de Graciliano Ramos ou Guimarães Rosa, de Drummond ou Cecília Meireles, para não falar de outros?
Tento na língua, não faz mal a ninguém!

domingo, 27 de outubro de 2013

Críptica (ou só entendível para os muito próximos)


Sempre tive muita dificuldade em pronunciar ou escrever o verbo adorar.
E há situações limite a que devemos resistir com todas as forças da razão, sob o perigo de exagerarmos, de sermos levianos ou mesmo, despudoradamente, ridículos. É um facto que, hoje em dia, a impropriedade no uso da língua portuguesa é abundante, mesmo em pessoas com credenciais académicas, responsabilidades públicas e obrigações éticas ou políticas. O exagero acabou por banalizar-se, da mesma forma que Hannah Arendt falava da banalização do mal.
Lembro-me do cuidado e do tempo que Costa Gomes demorou para decidir-se a  declarar o estado de sítio, em Portugal, numa altura convulsa do PREC.
É por isso que se deve aplicar, com usura e muita parcimónia, a caracterização de mais dois casos de situações limite:
- o estado interessante
- o estado de choque.