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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

À volta de um simples livro


O livro, que encontrei no meu alfarrabista de referência, estava muito manuseado e via-se que tinha sido útil. Era de um escritor que eu tinha em consideração, natural de Barcelona: Fernando Díaz-Plaja (1918-2012). O título (da Alianza Editorial, 1972) prometia - El Español y los Siete Pecados Capitales. Sendo que o preço era muito acessível. Comprei-o, pois.



Vim a saber, surpreendido, que, em 6 anos, a obra tivera 15 edições e vendera, no interim, 120.000 exemplares. Em suma, fora um sucesso editorial.
Agradado, na página de guarda, encontrei ainda um ex-libris de um nome meu conhecido, mas só em casa é que localizei a personagem. Joaquim de Moura Relvas (1898-1982), licenciado em Medicina, era o presidente de câmara da Lusa Atenas, quando por lá andei, no início dos anos 60.



E cá vou eu, embalado na leitura agradável da obra, já na página 89, do primeiro capítulo - Soberbia

terça-feira, 19 de março de 2019

Um ex-libris


Não sou muito dado a marcar a posse dos livros que compro. Na juventude, sim, apunha-lhes o nome e o ano de aquisisição. Mas esses sinais sempre têm virtualidades: marcam uma história e um percurso.
O ex-libris em presença vinha aposto à obra Nationality in History and Politics (Londres, 1944), do sociólogo e historiador austríaco Frederick Hertz (1878-1964), livro que comprei, usado, em 2018.
O anterior possuidor da obra terá sido, muito provavelmente e por isso, o olisipógrafo autor de Lisboa Seiscentista - Fernando Castelo Branco (1926).

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Bibliofilia 167


Mesmo em bibliotecas especiosas  de consagrados e conhecidos bibliófilos podemos encontrar edições desvaliosas e vulgares que, provavelmente, também foram tratadas com desvelo pelos seus anteriores donos. O afecto aos livros não faz discriminação nem despreza exemplares porventura menos nobres...
Foi assim que encontrei, em boníssimo estado, cerca de duas dezenas de volumes, com encadernação do editor (Empreza da História de Portugal) das obras completas de Almeida Garrett, publicadas (1904) sob a orientação de Teófilo Braga. Os livros repousavam na prateleira de baixo das estantes, na loja do meu alfarrabista de referência, sítio que significava terem o preço simbólico de 1 euro, cada um.
Dos vários volumes, muitos deles de Teatro, escolhi apenas 4: um de Poesia e três sobre documentos (cartas, relatórios, projectos...) da vida pública (Parlamento, Governo e Diplomacia) de Garrett. Todos os livros tinham 2 ex-libris interessantes. Do grande bibliófilo Avila Perez e de Fernando Castelo Branco. Que aqui ficam registados por imagem. 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Mais um ex-libris


É este o terceiro ex-libris que, por aqui, se apresenta com destaque. Anteriormente, nos ocupámos dos de Aquilino Ribeiro e Georges Simenon, de forma casual.
Franz Paul de Almeida Langhans (1908-1973?), historiador e heraldista, foi personagem secundário do anterior regime. Filho de mãe portuguesa e pai de origem alemã, chegou a ser secretário particular de Salazar, de 1951 a 1961, cargo que abandonou para integrar os quadros superiores da Fundação Gulbenkian. A sua obra mais conhecida é, talvez, Casa dos vinte e quatro... (1948), que teve prefácio de Marcelo Caetano.
O livrinho, que ostenta o barroco ex-libris de Langhans, é uma magnífica antologia (Oxford University Press, 1956) do plurifacetado escritor inglês G. K. Chesterton, feita pelo galês D. B. Wyndham Lewis (1891-1969), que também assina um documentado prefácio.

Os melhores agradecimentos a H. N..


sábado, 23 de março de 2013

Provérbios, variantes e o ex-líbris de Aquilino Ribeiro


Às vezes, com o tempo, os provérbios modificam-se por engano, ou a gosto dos seus utilizadores. O caso mais flagrante que conheço, é o do ditado "Quem espera, sempre alcança", que Aquilino Ribeiro afeiçoou a legenda do seu ex-líbris, transformando-o em: "Alcança quem não cansa". Mas Alexandre de Carvalho Costa, autor que já aqui referi, regista o anexim de forma mais completa: "Quem tem esperança sempre alcança, nem que seja um pontapé na pança" - que, de algum modo, revela um criador mais céptico e mais bem-humorado.
Também o provérbio "Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão" seria, segundo Carvalho Costa, originalmente com a palavra ração em vez de razão, o que fará todo o sentido. Eu próprio não resisto, algumas vezes, em parafrasear (ou plagiar) o adágio "Quem tem amigos, não morre na cadeia", num mais simplório: "Quem tem amigos, não morre na cadeira" - quando estou bem disposto, e com bons amigos, à volta.

Nota: reproduz-se, em imagem, a capa do livro de Oliveira Guimarães e o saboroso prefácio aquiliniano.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um ex-libris


O ex-libris é, muitas vezes, a súmula de um ideal ou um programa de vida feito, normalmente, já a meio dela.
Recordo o de Aquilino Ribeiro, com a imagem de um cavaleiro a galope e a frase: "Alcança quem não cansa". Ou o de uma pessoa (M. R. de S.) de boa memória, para mim, e já falecida. Foi advogado, depois de ser capitão da marinha mercante. O seu pequeno ex-libris tinha a imagem de um barco de velas desfraldadas e a palavra: "Vercalfir". Eram as letras iniciais, explicou-me ele, das palavras: Verdade, Calma, Firmeza.
Apercebi-me, há dias, com maior atenção, do ex-libris de Georges Simenon. Na imagem, tem uma árvore e um homem (Adão?), em primeiro plano, e atrás, ao fundo, do lado direito, um segundo homem. E uma frase: "Comprendre et ne pas juger". Esta frase poderia aplicar-se por inteiro à maneira de ser do Inspector Maigret, que procurava sempre perceber as razões do crime, mas raramente julgava, do ponto de vista moral, a atitude do criminoso. Deixava isso ao livre arbítrio do leitor.