Arrumadas as impressões mais vivas e passadas as sensações pelo crivo analítico dos dias que, entretanto, foram decorrendo, havia que extrair uma suma destas errâncias que, tirando Faro com mar à vista, foram todas pelas terras do interior.
A primeira palavra que me ocorre é afabilidade, das gentes, e a compostura agradável das vilas e cidades. Mais uma vez Faro é excepção, na sua desarrumação quase caótica. A juventude do ar de Évora (a Universidade ajuda...) surpreendeu-me, muito embora o Fundão, que também tem um pólo de ensino superior, me tenha parecido sonolento e envelhecido. Destaque para a vivacidade dinâmica de Viseu, apesar das suas dezenas de rotundas absurdas. Confirmei o meu gosto por Evoramonte, apesar de adormecida no tempo. Como entorpecidos, e menos belos, me pareceram Fronteira, Ourique, Cabeço de Vide ou, até, Montemor-o-Novo.
E como o nosso percurso tivesse objectivos muito precisos (ver os Compromissos da Misericórdia, na sua impressão de 1516, de Valentim Fernandes e Hermão de Campos), tive a noção real de quanto esta Instituição (Misericórdia) é importante, e a sua função é nobilíssima, para estas terras interiores tão carecidas de infra-estruturas sociais de apoio às populações mais desfavorecidas. Destaque, mais uma vez, para Evoramonte, cuja Misericórdia me pareceu funcionar em moldes de grande profissionalismo.
Respira-se, no entanto, um ar parado por estas regiões, que parecem sem futuro, na maior parte das zonas visitadas. Uma última palavra simpática para a gastronomia regional que, mesmo em restaurantes modestos e despretensiosos, era de muito boa qualidade e paladares.