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quinta-feira, 26 de março de 2026

Estado da natura 10

 

Era já tempo, por altura do ano, de estas cegonhas fazerem, como habitualmente, a travessia do Mediterrâneo, do norte de África para o continente europeu, na sua transmigração rotineira. No entanto, e ninguém sabe explicar porquê, não só não o fizeram e, em grupo concentrado, esperam não se sabe bem o quê.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Citações CDXXII

 


Eu vejo na Europa uma barbárie atentamente ordenada, onde a ideia de civilização e a da ordem são quase todos os dias confundidas.

André Malraux (1901-1976), in La Tentation de l'Occident (1926).

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Viajar, conhecer



Uma das formas de progresso, até pelo suceder das gerações é, do meu ponto de vista, alargar os horizontes e o conhecimento, bem como os estudos. As viagens têm nisto um papel importante. A minha mãe chegou a conhecer a Madeira e várias cidades de Espanha, na Galiza e do centro do país vizinho. O meu filho mais velho pôs os pés em países de três continentes. Eu fiquei-me pela Europa, mas a leste não fui para além da Alemanha. Lamento não ter ido nem à Itália, nem à Hungria, países que gostaria de ter conhecido, sendo agora já tarde para os vir a visitar. Nesse aspecto nunca fui muito ambicioso e nunca me deu para coleccionar países - creio que sempre fui excessivamente europeu, facto que talvez sirva de desculpa. Posso embora dizer que conheço um pouco da maneira de ser de, pelo menos, três povos da Europa, seus costumes e gastronomia. O que já não me parece mau e deve ser levado a benefício de inventário...

terça-feira, 20 de abril de 2021

Continentes e conteúdos, em sequência diversa

 


Brinquedos, bonecas russas ou peças simplesmente decorativas, as matrioskas são quase sempre de madeira e contém, em si, na maioria das vezes, 5, 6 ou 7 réplicas mais pequenas. Pintadas e envernizadas, têm, no entanto, um ar rígido e formal, por serem feitas do mesmo pedaço de madeira e terem pernas e braços unidos ao corpo.



Dependendo da perspectiva de quem vê, a Europa, segundo continente mais pequeno do Mundo, pode bem parecer uma emanação ou península da Ásia. A divisão destes 2 continentes é uma mera questão geográfica ou formal. Mas também a Europa segrega, entre outras, a Península Ibérica. E Portugal contém, em si, a península de Setúbal. Para não falarmos de Tróia...




Apenas o sono consegue vencer a dor. Pelo próprio cansaço do corpo.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Citações CDXXXIII


A Europa tornar-se-á naquilo que é na realidade, isto é: um pequeno cabo do continente asiático.

Paul Valéry (1871-1945), in Variété.

domingo, 1 de outubro de 2017

Els Segadors

Estou sobretudo contra os métodos repressivos de Madrid que dificultaram a expressão livre dos catalães se pronunciarem democraticamente, em referendo. Ao contrário dos escoceses que se puderam exprimir livremente, para não referir o Kosovo ou a separação da República Checa, da Eslováquia... Na Europa, aparentemente democrática, não se imaginava esta musculada repressão sobre a Catalunha.
Além disso, Els Segadors é um hino lindíssimo, vibrante e emotivo.

quarta-feira, 1 de março de 2017

As palavras do dia (25)


"O que se passa com a Europa hoje é que as pessoas se aperceberam de que o projecto europeu é uma ideia melhor do que o «Brexit», melhor do que Putin ou Erdogan, melhor do que Trump ou Temer. Mas falta o resto: que a União Europeia volte a revelar-se como uma boa ideia por si mesma."

Rui Tavares, in jornal Público (1 de Março de 2017).


Clarificação: não tenho a menor ilusão política sobre Emmanuel Macron, cuja foto aparece nesta crónica, sobretudo depois do embuste tíbio e ziguezagueante que tem sido François Hollande.

sábado, 7 de maio de 2016

Import/Export, S. A.


com agradecimentos a C. S..

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Divagações 111


Para o bem ou para o mal, a Europa constituiu-se cânone cultural do mundo durante vários séculos. Alguns poemas épicos indianos conseguiram penetrar o muro, alguma da poesia chinesa e japonesa foram aceites, embora tardiamente. A arte azteca ou a escultura africana foram, apesar de tudo, olhadas quase sempre como manifestações exóticas, a que valia a pena conceder alguma atenção, para evitar um etnocentrismo excessivo. Mas se considerarmos a música, teremos de concluir que a ortodoxia foi quase total. Que ainda hoje predomina no cânone clássico europeu. Até a aceitação da ópera chinesa foi uma concessão, vista por muitos como uma espécie de caridade de favor a uma cultura milenar...
Se o cânone cultural, hoje, graças à globalização, é menos estreito, o fenómeno de fecho das fronteiras, a xenofobia e o racismo, voltam a encerrar, por outro lado, a Europa em volta de si mesmo. Claro que o Trump não viria acrescentar nada a estas divagações despretensiosas...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sinopse de viagens régias portuguesas, por um modesto amador de História


Talvez por extremos, na Europa, foram os nossos reis parcos viajantes. Se a capital oficiosa portuguesa foi descendo pelo mapa e no tempo, de Guimarães até Lisboa, passando por Coimbra e Leiria, e chegando a Évora, nos últimos reinados da segunda dinastia, as deslocações para fora do território nacional, tirando Espanha (por negócios políticos, tratados, escaramuças ou batalhas, e casamentos) e o norte de África (pela conquista), foram sempre raras e episódicas, por parte dos nossos monarcas.
Se o conde D. Henrique, pai do nosso primeiro rei, veio de França, e D. Afonso III lá esteve, antes de subir ao trono, terá de se esperar até D. Afonso V, para que um rei português pise, de novo, o solo gaulês, se exceptuarmos o regente D. Pedro, seu tio, duque de Coimbra, que esse, sim, cumpriu as "sete partidas do mundo", para depois vir a morrer em Alfarrobeira, ignominiosamente. Sublinhe-se, também, na primeira dinastia, o triste destino de D. Sancho II que foi morrer a Toledo, por exílio, onde está sepultado. E o único rei luso que nem depois de morto regressou a Portugal.
De resto, só os Braganças, da quarta e última dinastia, viajaram mais. D. João VI, em direcção ao Brasil, para escapar aos exércitos de Napoleão, e D. Pedro IV que por lá andou e gerou numerosa prole. Mais um grande intervalo, para registar, as visitas diplomáticas de D. Carlos pela Europa, bem como as viagens de D. Manuel II, nosso último rei, que acabou por morrer exilado na Inglaterra.
Mais domésticos e sedentários do que cosmopolitas, os nossos reis foram-se ficando, quase sempre, pelo terrunho pátrio. O que também terá contribuído, porventura, para uma certa estreiteza de horizontes mentais, em muitos casos.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Recomendado : sessenta - dossiê Mittérrand


Não se peça a um político que seja ingénuo, ferreamente coerente, bondoso. Inteligência, visão de futuro, algum cinismo, o pragmatismo da frieza na res publica, alguma fidelidade, se não à coerência, pelo menos a alguns princípios - são imprescindíveis ou necessários.
Por isso, recomendo este fora-de-série da revista francesa L'Histoire, saído recentemente e dedicado a François Mittérrand (1916-1996). Vinte anos dão para fazer uma avaliação isenta e desapiedada. Se não fosse por mais, e em benefício de inventário do grande estadista francês, teremos de lhe reconhecer uma nítida e ampla visão da Europa. E a abolição da pena de morte, em França. Não serão coisa pouca...


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Adivinha quem vem jantar


O filme (1967), de Stanley Kramer, cujo título plagiei para este poste, com interpretações de Katharine Hepburn, Spencer Tracy e Sidney Poitier, era uma espécie de fábula. No caso particular, sobre o racismo. Quando a filha (Katharine Houghton), do casal branco, traz o namorado preto ( Sidney Poitier) para jantar e apresentar aos pais, a única reacção negativa e discordante é a da velha criada (Isabel Sanford) - que é preta...
Ora, no caso do problema grego, curiosamente, os mais inflexíveis e intolerantes (Sigmar Gabriel, alemão, e o holandês encaracolado, com voz entre o falsete e a sopinha de letras) que, sendo socialistas (?) ou social-democratas (?), era suposto terem uma visão mais construtiva, não têm. Até mesmo Renzi, que entrou no governo italiano pela porta dos fundos, se mostra mais interessado num consenso e em ouvir os gregos.
E já nem falo dos criados (ou bons alunos), que completam esta nova fábula da Europa.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Apontamento 69: Deformação




Se, entre outros aspectos, a Grécia enriqueceu, ultimamente, o restante espaço europeu, terá sido, seguramente, pelo seu contributo na “re-definição” dos meios de comunicação social.

Aliás, a tendência oculta de transformar os “meios de informação” em “veículos de deformação” tem um início bem definido: o avanço de Bush sobre o Iraque e a sua “campanha de informação”, com uma fotografia em que não faltou o nosso “Zé Manel”. Para os que continuam com dúvidas sobre o efeito da estratégia, não vale a pena pôr “flores” numa qualquer praia tunisina, porque são “lágrimas de crocodilo” que não convencem os espíritos esclarecidos.

De momento interessa-me mais, pelo incómodo intelectual que provoca, falar do triste espectáculo a que a Alemanha se tem prestado sob a égide de uma qualquer “angélica” de duvidosa clarividência. Na suposição de se tratar da “pessoa feminina de política” mais poderosa – sabe-se lá o que tal significa para a capacidade intelectual inerente – pergunta-se, pois, o que significa a sua última afirmação pomposa: “falha o Euro, falha a Europa”. E a responsabilidade principal não será da “pessoa mais poderosa” no meio deste baralho de actores secundários e figurantes ?

Aconselho, vivamente, um artigo no DIE ZEIT de 28.6.2015 sobre a “SALADA METAFÓRICA DA CRISE”, grega, claro ! Belíssimo trabalho jornalístico, explicando a origem e o efeito de metáforas, analisadas no seu propósito de modificar o pensamento do cidadão “de mansinho”.

A deformação dos meios de comunicação demonstra, claramente, que o jornalismo – sério e de informação – se encontra em declínio. São poucos os jornais que fornecem INFORMAÇÃO, deformando, lenta mas decididamente, as cabeças dos cidadãos.

E o “anjo” mais poderoso da Europa não sabe o que há-de fazer perante tanta miséria ???

 Post de HMJ

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Muros, ou a constatação dos factos


Eles existem por todo o lado: entre os Estados Unidos e o México, entre Israel e o Estado Palestiniano...
Mas se falarmos da Europa, havia o Muro de Berlim, que foi derribado, e vai haver, também, em breve, um novo muro entre a Hungria e a Sérvia, construido pelos húngaros, porque acham que a UE fala, fala, mas não faz nada de útil...
Uma única diferença (de direcção): se o de Berlim era para não deixar sair cidadãos do Leste para o Ocidente, o muro da Hungria é para não deixar entrar os refugiados do Leste e do Sul.
Os extremos sempre se tocaram... 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Condomínio fechado


Teremos de voltar ao poema de Cavafy, em que se falava da chegada dos bárbaros, que não chegaram a vir? Ou, mais perto, aos versos de Pessoa, e aos seus ocidentais jogadores de xadrez. Até porque os bárbaros já estão entre nós. De pouco valerá bombardear os navios ou os armadores traficantes das frágeis embarcações mediterrânicas, que partem, insistentemente, da Outra Banda, que os bárbaros já estão entre nós. E bárbaros somos nós, deuses impiedosos, ao expulsar os gregos, novos Adão e Eva reciclados, deste condomínio fechado e climatizado, em que a inefável Europa se foi transformando. Em que cada país é um castelo sitiado por arrogâncias, egoísmos e cegueira suicida.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A Inglaterra e o Continente, em resumo


É minha convicção mais íntima que os ingleses, enquanto europeus, sempre tiveram uma enorme desconfiança em relação ao Continente. O que poderá ajudar a entender muita coisa, actualmente.
A velha Álbion serviu muitas vezes de casa de abrigo ou de recuo a continentais: Garrett, Herculano e Victor Hugo seriam dos primeiros exemplos. Depois, De Gaulle (por causa do nazismo e de Vichy); no intermédio, há que lembrar Monet e Pissarro, para escaparem à guerra franco-prussiana.
Como diz o povo: Gato escaldado, da água fria tem medo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Apontamento 65: Cidadania


Uma informação objectiva sobre os problemas que a Europa enfrenta, tomando como ponto de partida a Grécia e a política de austeridade como inevitabilidade, não tem sido tarefa fácil. A contra-informação, designadamente na imprensa alemã, é poderosíssima. No entanto, há algumas honrosas excepções, razão pela qual tenho andado a ler, frequentemente, o semanário DIE ZEIT.

Nestas leituras, a última descoberta foi o vídeo cuja audição aconselho, vivamente, sublinhando que dei os 90 minutos por bem empregues:



e termino com uma saudação fraterna a todos aqueles que se empenham numa reorientação da Europa para os seus valores fundamentais. 

Post de HMJ

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

À consideração


Confortavelmente afastados dos centros de conflito mais agudos, nós, portugueses, vamo-nos entretendo com minudências e o róseo sexo dos anjos. Como também não nos perturbou muito a pulverização sangrenta da ex-Jugoslávia. Não se diga que a periferia não tem vantagens...
Mas não há dúvida que o que se passa na Ucrânia é coisa séria e grave. E traz consigo ameaças.
O fotógrafo Patrick Chauvel (1949) produziu, e Le Monde publicou (15/2/15), numa série intitulada "Guerre ici", fotomontagens visionárias de algumas capitais europeias, devastadas por uma eventual e futura guerra. Aqui deixo a imagem de Paris.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dito anarca


Acabem com os mercados, ressuscitem as feiras medievais!
O artesanato vencerá!

(Anónimo).

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fiquei a pensar...


Passo a traduzir, sem qualquer comentário pessoal, do último TLS (nº 5819):
"Em meados do século XVIII, com uma população aproximada de 125.000 habitantes, Dublin era a nona maior cidade da Europa: maior do que Madrid ou Berlim, um pouco mais pequena do que Lisboa. Mas das dez maiores cidades europeias, Dublin era a única que não era capital de um estado soberano. ..."