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domingo, 13 de fevereiro de 2022

Eugeniana mínima (7)



Qualquer banal dicionário regista, habitualmente, como significado de vate: "aquele que faz vaticínios; adivinho; poeta." Por outro lado, quem frequenta a poesia de Eugénio de Andrade (1923-2005), deverá lembrar-se que o poeta faleceu a 13 de Junho, segundo alguns, por volta das 3h30 da madrugada.
Não deixa por isso de ser curioso que na sua obra Matéria Solar, publicada em Março de 1980 (25 anos antes da sua morte, portanto), pela Limiar, na página 48, surja este premonitório poema:

36.

Pela manhã de junho é que eu iria
pela última vez.
Iria sem saber onde a estrada leva.

E a sede.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Eugeniana mínima (6)


Ao longo da vida, por gosto e proximidade estética, dediquei algum do meu tempo livre ao estudo da obra poética de Eugénio de Andrade (1923-2005), de que resultou a conclusão de dois pequenos trabalhos que foram publicados no DL o primeiro, em 9/11/1967, intitulado: Um Comprometimento Poético - Eugénio de Andrade, no Suplemento Literário semanal; o segundo, veio a aparecer no jornal Letras & Letras, em Agosto de 1990, com o título Pulvis et Umbra, integrado no dossiê dedicado ao Poeta.


Qualquer trabalho destes implicou muitos apontamentos ou notas prévias que haviam de vir, ou não vir a ser usados no texto final. Recentemente, encontrei uma folha minha manuscrita em que, num impresso do Exército, fui lançando citações da obra de Eugénio de Andrade referenciando três temas: Bicho e Animal, e versos em que se fazia alusão à Lua.
Conjugaram-se por ali, assim, associações poéticas, bem como marciais, porque, na altura me encontrava a cumprir o serviço militar (CHERET).
Acima, fica o testemunho.

domingo, 21 de abril de 2019

Eugeniana, mínima (4)


No último trimestre de 1977, Eugénio de Andrade (1923-2005) colaborou, com 5 poemas em prosa, no número 3-4 (duplo) da revista Raiz & Utopia. Creio que, por essa altura, já se encontrava aposentado da função pública. Mas morava ainda no pequeno apartamento, da rua Duque de Palmela, 111, 2º (Porto).
Os poemas, referidos acima, tinham os seguintes títulos, sequencialmente: As Cabras, Plaza del Viento, Enquanto Escrevia, Do Outro Lado e Ocupações do Verão


Todos estes poemas em prosa viriam a integrar o livro Memória Doutro Rio, que o Poeta publicou, mais tarde, na editora Limiar, em Abril de 1978. Quatro deles não sofreram qualquer alteração. Mas o quinto, Ocupações do Verão, teve três pequenas revisões, no texto, em relação à versão inicial que fora publicada na revista literária (que sublinhei, parcialmente, a lápis, na imagem).


A vírgula foi substituída pela copulativa e. Quanto ao desviá-las, inicial, Eugénio de Andrade trocou-o pelo verbo distraí-las, no livro; preocupações desapareceu e deu lugar a ocupações. Transformando, talvez, o concreto do verbo pelo abstracto, mais abrangente. Nos substantivos, no entanto, a mudança foi inversa, aparentemente.
Assim veio a aparecer o poema, ne varietur, na edição da sua obra completa (da altura), em 1990.

domingo, 7 de abril de 2019

Eugeniana, mínima (3)


Nota pessoal:
sabem alguns, do cuidado que Eugénio de Andrade (1923-2005) punha na reedição dos seus livros. Das revisões apuradas que exercia sobre poemas antigos, quando não da monda a que procedia eliminando alguns, que entendia menores. Melhor exemplo não há, do que ter rejeitado, quase por inteiro, os seus três primeiros livros (Narciso, Adolescente e Pureza), de que veio a republicar salvando, revistos, apenas 10 poemas, num conjunto que denominou: Primeiros Poemas.
Comprei, há dias, um velho número da Colóquio-Letras (nº 6, de Março de 1972) que inclui 2 poesias do poeta de Obscuro Domínio. Tudo me leva a crer que o primeiro poema (na imagem) não veio a ser aproveitado na sua obra futura, talvez porque o considerasse de qualidade menor. Quanto ao poema que, na colaboração para a Colóquio, intitulou Viagem, viria a alterar-lhe o título para Brindisi (Escrita da Terra, 1974), suprimindo apenas as 2 vírgulas, que existiam no dístico original.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Eugeniana, mínima


A revista Colóquio, propriedade da Fundação Gulbenkian e que, de 1959 até 1970, abarcava conjuntamente temas de Artes e de Literatura, em 1971, cindiu-se em duas, de modo a privilegiar melhor uma vocação mais especializada. Este primeiro número da Colóquio-Letras, saido em Março, inclui, entre outras colaborações, 2 poemas de Eugénio de Andrade (1923-2005), acompanhados de um desenho de Dordio Gomes (1890-1976).


Não sendo dos seus poemas maiores, na minha modesta opinião, Eugénio de Andrade viria a inclui-los nas reedições (aumentadas) da obra Mar de Setembro que fora, inicialmente, publicada em 1961 e, sucessivamente, reeditada. Em 1990, o livro contava já 8 edições.
Contrariamente ao que lhe era habitual, o Poeta manteve, passados 19 anos, a versão original do poema "Alba", que aparecera na Colóquio. Quanto a "Tema e variações em tom menor", veio a reduzir-lhe o título para "Variações em tom menor", e apenas substituiu, no último verso um substantivo: morte pura por chama pura.
Assim ficou a versão definitiva.