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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O francês e a sua perda de influência


Do século XVII e até à primeira metade do século XX, o francês era, por excelência, a língua usada na diplomacia, como língua franca entre os diplomatas dos diversos países. Mas não só, e, em Portugal, era o segundo idioma, a partir do séc. XVIII, falado pelas famílias de mais posses e pelas elites cultas do país. Em Coimbra, Alberto de Oliveira, grande amigo de António Nobre, comprava, no próprio ano de saída, as obras poéticas de Verlaine, vindas de França.
E sempre foi assim, quase até aos anos 80 do século passado, quando, inexplicavelmente, a sua influência começou a declinar, ano após ano. O inglês(-americano) absorveu, por inteiro, o espaço criado. Hoje em dia, são raros os portugueses, com menos de 40 anos, que saibam falar e ler francês.
Deixo, por curiosidade e em imagem, um livro do poeta francês Guilevic, saído em 1949, que Alexandre O'Neill terá lido em 1953, pela sua marca de posse, manuscrita. E que faz parte da minha biblioteca, desde Julho de 2008. Comprado num alfarrabista de Lisboa, o livro foi baratíssimo, porque os livreiros, nos nossos dias, têm já alguma dificuldade em vender livros em francês, usados. E põem-nos, frequentemente, a baixo preço.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Traduzir, segundo D. Mourão-Ferreira e Valery Larbaud


Na introdução às Poesias de Guilevic, editadas pela Editora Ulisseia, em 1965, David Mourão-Ferreira, com a prática de tradução que lhe assistia, escreveu o seguinte:
"... O que mais interessa, aliás, numa tradução de poesia, é obter uma série de correspondências - de ritmo, de tom, de atmosfera, de sentido -, ainda que para tal se tenha de entrar em guerra aberta com o Dicionário. Valery Larbaud, que discorreu como ninguém mais, sobre «a arte e o ofício» do tradutor, sublinhou a importância, entre todos os outros, do «Dicionário da nossa memória», observando, nomeadamente, que, por mais contrário que pareça toda a lógica, «uma única e mesma palavra, empregada pelo Autor em duas diferentes passagens não será sempre traduzível pela mesma palavra nas duas passagens correspondentes».

domingo, 23 de dezembro de 2012

Mais um poema de Guillevic


A vida aumenta

Quando nos dizem:
A vida aumenta, não é

Que o corpo das mulheres
Se torne mais vasto, que as árvores

Se ponham a subir
Para cima das nuvens,

Que se possa viajar
Na mais pequena das flores,

Que os amantes
possam noivar dias inteiros.

Mas é, muito simplesmente,
Que ela se torna difícil
De viver unicamente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um poema de Guillevic (1907-1997), traduzido


Pratos em faiança usados
Donde o branco se vai desvanecendo
E que vieram novos
Para a nossa casa.

E nós, entretanto, fomos aprendendo,
Com o tempo, imenso.