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domingo, 17 de janeiro de 2016

Mercearias Finas 109


Ainda as bancas se compunham, porque chegámos cedo, pouco depois das 8.
As amêijoas brancas e pretas buliçosas espirravam esguichos salgados, como caladas e serenas estavam os perceves (a 23 euros o quilo) que, do róseo pedicular ao negro da unha, juncavam o tabuleiro de metal esbranquiçado. A banca mostrava ainda búzios, camarões rosados e carabineiros, caracóis, sapateiras e mexilhões, num mar pequeno de cheiros oceânicos, e domésticos entre as paredes do Mercado.
Perdoe-se às lagostas não terem vindo, nem as ostras do Sado. Mas, para matar saudades do mar, já me bastava. E o Espadeiro minhoto, no seu rubi clarinho e puríssimo, a esfriar no frigorífico, há-de esperar pelo meio da tarde, para acompanhar a sapateira e as tostas apropriadas, na merenda de amigos.

domingo, 22 de abril de 2012

Mercearias Finas 51 : em louvor do espadeiro


O rosé não é comigo. Já foi, em tempos remotos de juventude. Mas há um vinho de cor rubi, clara, transparente, com sabor acídulo que colhe a minha preferência com alguns pratos. Deve ser refrescado, e é frequente na região dos Vinhos Verdes. No sul dificilmente se encontra, mas no Minho, e até no Porto, consegue-se comprá-lo e bebê-lo, nalguns restaurantes. É feito da casta Espadeiro, que na região de Basto se chama "Padeiro", "Espadal" em Santo Tirso, "Murço" em Amares. E noutras zonas, é apelidado de "Tinta dos Pobres", caridosamente.
Ontem, em grupo cordial, fez tão boa companhia às azeitonas e às torradas de molete (carcaça ou papo-seco de Lisboa) tripeiro barradas com manteiga de alho, que continuamos com ele, espadeiro, a jantarar as magníficas espetadas de porco preto. O Espadeiro portou-se sempre lindamente...Aqui se louva este vinho feito da Tinta dos Pobres.