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terça-feira, 19 de maio de 2015

Divagações 88


O TLS traz, no seu último número (5849), recensões a  dois livros, recentemente publicados, que abordam a escrita criativa, como novo método de aprendizagem. Pelo texto perpassa, aqui e ali, uma fina ironia.
Ciência (?) recente, em Portugal, esta disciplina universitária tem, na maioria dos seus mestres e gurus, alguns escritores de segunda divisão, embora mediáticos q. b., que, com grande sentido de oportunidade, viram nesse ensino uma boa ocasião de comporem o seu orçamento, através das muitas pretensas vocações poéticas e dos suspirantes e aspirantes a prosadores, em que a nossa terra sempre foi abundante.
Está bem!... Também assim poderemos dizer, agora, que temos escritores encartados e licenciados, com os canudos competentes.
Ao invés, no entanto, temos de concluir que os nossos antigos escritores e poetas eram uns amadores, sem formação conveniente, tão autodidactas como esses pintores de domingo que, tanta vez, encontramos pela rua, ou na paisagem, a pintar riachos e moinhos...

domingo, 30 de junho de 2013

A paz dos elefantes e o nervoso dos macacos, ou um diálogo ouvido por um terceiro


Soube hoje, por mero acaso, que António Guerreiro terá  sido convidado a emigrar, com desvelo, pela direcção sempre atenta do balsemânico jornal Expresso, para a ípsilon do jornal Público por não fazer o pleno, nem as delícias do" leitor médio" e, de algum modo, do medievo (40 anos, caramba!) semanário lusitano. Provavelmente, os seus textos perturbavam as meninges e digestões dos clientes tranquilos e ledores apáticos do centrão hebdomadário.
Quase em simultâneo, fui testemunha e ouvinte acidental de um diálogo curioso, num local muito in, que vou tentar reproduzir, escrupulosamente. Segue:
"- Estás-me a ver isto, ó FJV?!... Esfalfei-me eu a postar 2 coisas importantes  no meu blog, em dia de greve geral, sacrossanto feriado do esquerdalho militante, e tive uma miséria de 1.307 visitas. Até o Pacheco teve mais...Que ingratidão, que despautério vil...
- Mas, 1307 visitas até não é mau, RZ!
- Eh pá! Tu não me desafies, tu não me desencaminhes para a escrita criativa, que é o meu ganha-pão, porque a Pepita ou Paquita, ou lá o que é, quando começou a falar, toda remelgas, da mala Vuitton que almejava, teve logo milhões de carneiros papalvos a visitá-la, para a consolar e comentar, naquele blog indigente...
- Ó R., descomprime, não ligues. Já sabes como é a populaça, já o régio Carlitos lhe chamava «piolheira». Isto é só bichezas, castelo-brancos, jaimes, calhordas, ramos, pepinos e raspadinhas. Esquece... Vamos mas é beber este whisky delicioso e acabar o Cohiba, grosso e fidelista. A vida , para nós, é para requintar e sonhar...
- Tens razão, FJV... Já agora, o Paes agradeceu-te bem, pelo clandestino?"

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Interlúdio 18

Nunca percebi muito bem o que será um Curso de Escrita Criativa.
Quando será que criam um curso para Presidente da República, actualizado? Com mestrados e doutoramentos, para reciclagens.
Sobretudo com professores com nomes sonantes a cheirar a estantes, relíquias. É pena que nem todas as sofias não tenham o h da sabedoria.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Guimarães Rosa, e as visitas brasileiras do Arpose


João Guimarães Rosa (1908-1967), algures na sua obra (desculpem a preguiça de não procurar, por causa deste calor...), fala de uma senhora que, ciclicamente, fazia uma visita a uma família, demorando cerca de uma hora. Nesse período de tempo, entrava e saudava os presentes, no início, sentava-se, pronunciava três ou quatro monossílabos, uma frase quando muito; levantava-se, despedia-se e ia embora. Ora, isto contraria radicalmente a ideia que nós, portugueses, temos dos nossos irmãos brasileiros: que são mais tagarelas. Ou que os brasileiros são "portugueses alegres", e os portugueses, "brasileiros tristes". Claro que há muitos brasis: Paraná, Sta. Catarina e Rio Grande do Sul são um país diferente, por exemplo, de Minas Gerais ou Baía.
Isto vem a propósito de uma inusitada consulta ou visita, hoje, de brasileiros ao Arpose. Que são sempre bem-vindos!, esclareço desde já. Cerca de 20% das visitas vem das Terras de Santa Cruz. E, a maior parte, dirigem-se directamente ao poste "Receitas poéticas" (ao engano ou por engano, certamente). Diz-me HMJ que deve ser por causa desta moda da "Escrita Criativa" que dá de comer a dois ou três professores universitários portugueses que souberam aproveitar esta efemeridade. E, também se calhar, a umas dezenas de docentes universitários brasileiros. Um alerta: quem se lembra de Júlia Kristeva ou do estruturalismo, hoje em dia?...são tudo "nuvens passageiras"...
Amigos e irmãos brasileiros, se a questão é a "Escrita Criativa", não procurem no Arpose. Leiam Guimarães Rosa, do princípio ao fim, que é muito mais útil. Mas o que também me surpreende, destas centenas de visitas brasileiras ao Arpose, é o silêncio que as acompanha. Apenas uma deixou, uma vez, um comentário. Serão tímidos?, estudantes ferrenhos e sem tempo?, excessivamente discretos e secretos?, não sei, mas gostava de saber.
Eu gosto muito do Brasil. Nunca lá fui, e um dia explicarei porquê. Saravá!