Sempre
defendi, e persisto nesse propósito, que a Educação e a Escola deviam
concentrar-se no essencial, i.e., pensar e fazer pensar no sentido mais amplo.
Infelizmente, e olhando para o passado e o presente do respectivo Ministério, a
estratégia, se alguma vez existiu de forma explícita e consistente, não
escolheu esse desígnio como prioridade a atingir.
E
assim, em deambulações várias, chegamos à presente desgraça em que se promove,
com pompa e circunstância, uma Escola de delatores. Pensar sobre a Escola, e
ofendendo uma disciplina chamada Sociologia, passou a fazer-se com recurso ao
método de trabalho de “espreitar pelo buraco da fechadura para dentro de uma
sala de aula”. A “análise” da “socióloga” responsável baseia-se, então, em
relatos encomendados, eufemistamente chamados “diários”, ou seja, numa
linguagem simples, a denúncia institucionalizada.
Também
não falta, claro está, o “patrão”, quiçá futuro empregador dos alunos, a achar
“inovadora” e atractiva uma teoria, embora às avessas das Ciências Humanas, que
lhe prepara o trabalho de recrutar, não apenas submissos, mas “exímios agentes”
ao serviço da paz empresarial.
Pensava
eu que a Inquisição, com os seus métodos e “Róis”, era fenómeno do passado !
Afinal,
a Escola passou a ser o “centro de formação” dos novos agentes de informação,
assegurando-se, desta forma, a acefalia dos futuros contribuintes e
utilizadores dos serviços públicos como, aliás, as últimas campanhas “cívicas” demonstram.
Aos prémios para os mais audazes cumpridores, lançados pelo Ministério das Finanças, juntam-se, agora, as ameaças dos Transportes de Lisboa.
Só
a crassa ignorância do passado histórico poderá explicar a completa ausência de
revolta cívica perante semelhante ataque à democracia e aos valores mais nobres
da convivência humana. Enganam-se aqueles que pensam que um Estado policial
garante o futuro de governos fracos.
Post de HMJ