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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Festa na aldeia

 
Os animadores culturais chegaram à escola, há pouco, melhor dizendo à aldeia, mediante os gritos e o vozeirão roufenho dos altifalantes desregulados de terceira categoria. As criancinhas precisam de festa que, dantes, eram palestras de entediante cultura, nos tempos vagos. E os conselhos directivos não se negam a proporcionar aos pequenos selvagens o divertimento e música (?) bastante para os manterem um pouco calados, para sossego dos professores e pais ausentes.
Quem se trama são os residentes na freguesia, que têm de suportar o destempero desta nova educação moderna e barulhenta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Razões



É no mínimo curioso constatarmos que, se aqui há 30/40 anos, os professores se queixavam do desemprego e de não arranjarem colocação nas escolas, hoje em dia  é a falta deles que é notícia. Passou-se pois ao inverso, numa espécie de mundo às avessas.
Convém lembrar, entretanto, o título de um livro de Marçal Grilo (1942), que este publicou já depois de ter deixado de ser ministro de Educação ( pudera!.. ): Difícil é sentá-los. Bem significativo! E catártico.
Do alto da minha ignorância, atrevo-me a apontar algumas razões para a escassez de docentes:
- Profissão pouco atractiva e mal remunerada, inicialmente.
- Barbarização e selvajaria de muitos alunos que chegam às escolas. Indisciplina reinante nas salas de aula.
- Dificuldade e altos preços de aluguel de casas (ou quartos), quando há necessidade de deslocação de docentes.
- Aumento exponencial de baixas entre professores por dificuldades psicológicas decorrentes.

domingo, 1 de abril de 2018

De como o Presidente parqueou na minha rua


A minha não é senão uma rua banal outrabandista, sem nada que a distinga de tantas outras. Apenas, de um dos lados um murete, com rede de protecção subida, denuncia a Escola que tem, por aí, uma porta secundária de acesso para viaturas, que não para alunos.
Os pardalitos, que bicavam o seu sustento pelo chão, voaram espavoridos, ao som das sirenes e ao ruido estridente das motos da GNR. E um cão vadio choutou, assustadiço e nervoso, para outro lado. Foi por lá perto que eu vi estacionar o carro e de lá sair o Presidente. Que levava com ele o que parecia ser o embrulho de um bolo grande de pastelaria. Enquanto ele entrava para a Escola, fui eu comprar o jornal, na tabacaria habitual.
Quando o horizonte do estabelecimento de ensino, no meu regresso, entrou de novo no meu ângulo de visão, deparei-me com a Presidente do Conselho Directivo a despedir-se do PR. A lágrima que ela enxugou, ao canto do olho, fez-me suspeitar que o bolo teria sido de Aniversário ou, ao menos, um daqueles Ninhos ou Troncos de Páscoa, comprado talvez nalguma pastelaria de Belém...
O que me levou a concluir que este Presidente, incansavelmente, vai a todas. Porque não pode parar quieto. Ou um pouco para pensar. Ele é todo afectos, emoção e sentimento (político?).

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Memória (92)


Agora que o ano escolar estará prestes a começar, pergunto eu: quem é que não se lembrará do seu primeiro dia na Escola? Com aquela estranheza, a falta de jeito, talvez até o temor que despertavam aquelas coisas grandes e graves, para uma inocente criança?
Mas estas oito meninas flamengas de outro tempo, parecem compostas e muito seguras de si, perante tanta responsabilidade. Pelo menos, iam bem aperaltadas e, a maior parte delas, com lacinhos nos cabelos. O que sempre deve ter dado uma boa ajuda psicológica...

com agradecimentos cordiais a A. de A. M..

sábado, 22 de março de 2014

Da Janela do Aposento 44: Uma Escola de delatores



Sempre defendi, e persisto nesse propósito, que a Educação e a Escola deviam concentrar-se no essencial, i.e., pensar e fazer pensar no sentido mais amplo. Infelizmente, e olhando para o passado e o presente do respectivo Ministério, a estratégia, se alguma vez existiu de forma explícita e consistente, não escolheu esse desígnio como prioridade a atingir.
E assim, em deambulações várias, chegamos à presente desgraça em que se promove, com pompa e circunstância, uma Escola de delatores. Pensar sobre a Escola, e ofendendo uma disciplina chamada Sociologia, passou a fazer-se com recurso ao método de trabalho de “espreitar pelo buraco da fechadura para dentro de uma sala de aula”. A “análise” da “socióloga” responsável baseia-se, então, em relatos encomendados, eufemistamente chamados “diários”, ou seja, numa linguagem simples, a denúncia institucionalizada.
Também não falta, claro está, o “patrão”, quiçá futuro empregador dos alunos, a achar “inovadora” e atractiva uma teoria, embora às avessas das Ciências Humanas, que lhe prepara o trabalho de recrutar, não apenas submissos, mas “exímios agentes” ao serviço da paz empresarial.
Pensava eu que a Inquisição, com os seus métodos e “Róis”, era fenómeno do passado !
  

Afinal, a Escola passou a ser o “centro de formação” dos novos agentes de informação, assegurando-se, desta forma, a acefalia dos futuros contribuintes e utilizadores dos serviços públicos como, aliás, as últimas campanhas “cívicas” demonstram. Aos prémios para os mais audazes cumpridores, lançados pelo Ministério das Finanças, juntam-se, agora, as ameaças dos Transportes de Lisboa.
Só a crassa ignorância do passado histórico poderá explicar a completa ausência de revolta cívica perante semelhante ataque à democracia e aos valores mais nobres da convivência humana. Enganam-se aqueles que pensam que um Estado policial garante o futuro de governos fracos.

Post de HMJ


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Catarse


Houve uma altura em que, perante o desânimo acumulado ao fim de um dia de trabalho, procurava umas "Notas Contemporâneas" ou umas "Páginas de Jornalismo" em que Eça de Queiroz falava sobre o ensino. Embora de natureza triste, animava-me o facto de, já em finais do século XIX, alguém apontar, com graça, os vícios da "instrução pública". 
Numa sequência, e pelo desenvolvimento do mundo virtual, cheguei aos vídeos do Bruno Aleixo. Tanto o registo antigo como o moderno tinham um efeito de catarse. Um certo "limpar da alma" perante a constatação de que os professores costumam falar em "alhos" e os meninos responderem ou entenderem "bugalhos", num misto de ignorância, esperteza saloia e indolência.
A mudança, se houve, foi sobretudo na "moda das marcas" no início do ano lectivo, em detrimento dos livros de leitura, a não confundir com os chamados "manuais".
Quanto aos professores, aos "novos coletes de varas", aplicados paulatinamente por uma ideologia disfarçada em política educativa, remeto para as considerações, muito oportunas, de António Guerreiro, objecto de um "post" meu no ARPOSE de 26.7.2012.
Mas vamos à catarse com um episódio do Bruno Aleixo.


Post de HMJ


sexta-feira, 8 de abril de 2011

As Escolas ululantes


Não são, como na imagem, as escolas de hoje. Nem tão limpinhas (há muitos graffitis nas paredes), nem tão pequeninas (algumas são enormes), nem tão discretas e silenciosas na paisagem.

Ora, hoje de manhã, estava eu, deliciado e primaveril, a ouvir "Alfred" de Thomas Arne (1710-1778) quando, de repente, se sobrepôs tonitruante, nas proximidades, um batuque infernal e intenso. Pensei, a princípio, que era um destes automobilistas outrabandistas de primeira geração que põem o rádio altíssimo, para que os vizinhos saibam que eles já compraram carro. Mas não. Poucos minutos depois, dezenas (ou centenas) de uivos de criancinhas troavam os ares. A Escola celebrava, assim e com alta fidelidade, o encerramento para as férias da Páscoa. E foi toda a manhã este ulular frenético e selvagem...