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quinta-feira, 31 de março de 2022

Dizeres



A imagem acima não dará conta, nem sugere o tema deste poste. Mas foi neste terceiro volume da História da Vida Privada em Portugal (A Época Contemporânea), obra sólida e competente que adquiri através da Livraria Lumière (Porto), há tempos, que descobri dois ditos populares a que achei imensa graça e que vou citar. O primeiro tem por objectivo assegurar que o pão venha a ter bom sucesso final, depois da massa feita e depois de ir para o forno. Após desenhar três cruzes sobre o produto, a padeira dizia:

"São Mamede te levede, São Vicente te acrescente, São Romão te faça bom pão e os anjos te comerão."

O segundo exorcismo era o contraponto que respondia ao pedido de benção de uma criança, a que o adulto (pais, padrinhos...), que abençoava, dizia depois:

"Nosso Senhor te abençoe e te faça um santinho e te leve para o Céu quando fores velhinho."

(Estes dizeres vêm no livro da imagem acima, a páginas 300 e 301, respectivamente.)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Adagiário CLXXXVII ( ou esconjuro? )


"Chapéus de sol, relógios, moinhos de vento, bens de ribeira, terras de ladeira, mulher chocalheira, venha o diabo e escolha e pegue as que queira."

De "O Livro dos Provérbios Portugueses" (Presença, 1999), recolhida de José R. Marques da Costa.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Em jeito de esconjuro, e por causa das cagarras


Terá sido ele c'agarrou?

Seja como for, aqui vai o esconjuro:

Mulher do mercador que fia, escrivão que pergunta pelo dia, oficial que vai à caça, não há mercê que Deus lhe faça.

sábado, 28 de maio de 2011

Divagações 7


Dias há, que foram mal arrumados. Ou porque eram muito cheios, ou porque o tempo escasseou, voltam na manhã seguinte, para serem resolvidos, classificados, alinhados na memória. Fica de fora apenas o que for digno de sequência, o que não acabou de todo e tenha, necessariamente, projecto de continuidade. A manhã não foi, porém, tranquila. O ribombar periódico, ao longe, da trovoada indecisa, o céu cinzento, este clima muito próprio de Maio...
Já era assim na infância, e na província. Ao Abril chuvoso seguia-se o Maio trovejante, nem sempre molhado mas, muitas vezes, de calor abafado no céu de capacete. E, em casa, as ladaínhas, se trovejava: "São Jerónimo, Santa Bárbara Virgem! / Chagas abertas, corações feridos / se interponham entre nós e o perigo!..." E o acender das velas ou lamparinas com azeite, porque a luz ia abaixo, normalmente, demorava a voltar, e os apagões eram frequentes.
Também por aqui é difícil arrumar os dias e a memória nas gavetas...mesmo que sejam apenas 12.