Pardais havia poucos, quando saí: pareciam arrepiados. Mas um melro destemido atravessou, por entre os pingos de chuva, elegante em linha recta, e veloz, à minha frente. O seu destino era um ramo flexível e despido, onde se pôs a balouçar, quase, aproveitando a pequena réstea de sol que perfurava as nuvens cinzentas, a sul. Punha-se a jeito para não esfriar. Um outro (fêmea?) seguiu-lhe o exemplo, um pouco mais abaixo, na árvore. Nenhum deles cantou, provavelmente, para não gastar energias. As poucas pessoas no largo, ajoujadas de sacos de compras, apressavam, lépidas, o passo, em direcção a casa.
Depois, quando descia a rua, reparei na cameleira floridíssima de branco, até parecia de neve. E, no jardim da esquerda, vi então as estrelízias nas suas pétalas agudas. Pareciam bicos vermelhos de pássaros, desafiando o frio e a chuva.
P.S.: para c. a..