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terça-feira, 10 de março de 2026

Brasileirismos

 

Em tempos, e porque não os conhecia, anotei de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos (1892-1953), alguns brasileirismos (?), para depois vir a procurar-lhes o significado. Assim o fiz e aqui os deixo e partilho, com a indicação do número da página (edição portuguesa da Portugália, 1970) e respectivo significado (via Houaiss).

Pgs.
403. Macrém - magreza; estação seca entre os sertanejos.
414. Cafoso - filho de um mulato e uma preta ou vice-versa.
417. Caolho - que ou quem não tem um olho; estrábico. 
422. Mucuranas - piolhos.
429. Tenesmos - espasmos dolorosos do esfincter, com desejo urgente de defecar ou urinar.
434. Eventração - hérnia. 
455. Baganas - pontas de cigarro ou charuto.
457. Molambo - pedaço de pano velho, roto e sujo; farrapo; roupa velha.
472. Esparro - censura severa e enérgica.
476. Galpão - construção tipo estábulo; costrução rural.
485. Gangorra - divertimento; gorro.
486. Gororoba - almoço ou jantar; comida.
498. Potoqueira - mentira; aquele(a) que mente.



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Estrangeirismos

 

Vivemos também por códigos, siglas e pins. Tudo começou pelos algarves por causa dos ingleses reformados, que para lá foram, e foi subindo. Os novos empresários parolos, então não dispensavam dar nomes estrangeiros às suas baiúcas. O problema é se algum dos nossos fusíveis se funde e ficamos à nora sem nos lembrarmos do código ou palavra passe... É assim que, por completo, perdemos o fio à meada e a tramontana.

terça-feira, 26 de março de 2019

Clarificando


Se dantes, só a partir de Alcácer do Sal, eu começava a dar pela existência de ninhos de cegonhas, no alto dos campanários das igrejas ou de torres e árvores mais altas, agora eles aparecem, para meu contentamento, logo depois de passar o Tejo, em direcção ao Sul (creio que a Norte, também), nos postes de electricidade da REN, instalados pela empresa para facilitar a vida e a nidificação dessas grandes aves elegantes, que quase associo, por imaginação interior, a estranhas girafas aéreas...
Não sou um purista, mas na esteira exemplar dos nossos irmãos brasileiros, prefiro, a usar palavras estrangeiras, servir-me de um termo português, ou adoptar o estrangeirismo à nossa língua, para nomear as coisas, os actos, as actividades de todos os dias. Sinto-me assim mais em casa. Foi deste modo que, logo no início do Arpose, comecei a usar a palavra blogue, em vez do inglês blog. Em coerência do mesmo princípio, crismei de poste, cada novo registo que vou acrescentando, no blogue.
Há quem mantenha o anglicismo post, talvez por preguiça ou conservadorismo respeitador. Quem lhe prefira posta, de que eu não gosto, por me sugerir a posta (de carne) mirandesa. Enquanto que poste me lembra alguma coisa cravada no chão ou, por extensão imaginada, um poste de electricidade juncado de ninhos de cegonhas felizes e aéreas...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Francesismo


Quando via e lia a palavra acantonar, logo me lembrava da vida militar; logo a seguir, associava-a aos cantões da inefável e egocêntrica Suiça.
Agora, o que eu não sabia, e que o Cardeal Saraiva (D. Francisco de S. Luiz) informa, fundadamente, é que a palavra tem origem na língua francesa. Sendo que, de início, cantoner significava pôr ao canto ou, em sentido metafórico: viver em retiro. Mas o Cardeal  esclarece também (Glossario das Palavras e Frases da Lingua Franceza..., Lisboa, 1846) que o vocábulo fez a sua entrada oficial, na língua portuguesa, no ano de 1797, em documentação militar. E ainda hoje se usa para acampamentos de tropa.