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domingo, 7 de julho de 2019

Júbilo


Congratulo-me profundamente com a nomeação para o Património Mundial (Unesco) de três instituições portuguesas, mas não posso deixar de destacar, pessoalmente, o Museu Machado de Castro (Coimbra), que visitei há pouco tempo e que me surpreendeu, quer pela adequação perfeita dos espaços, quer pelo riquíssimo acervo.

Uma palavra especial para o criptopórtico romano pela sua singularidade imponente, apesar de subterrâneo. Mas, sobretudo, pela qualidade da estatuária que o Museu conserva. De obras belíssimas de João de Ruão, os apóstolos da Última Ceia em terracota, de Filipe Hodart, Mestre Pero e Nicolau Chanterenne, entre outros.
Nem que seja pelo prémio recente, o Museu Machado de Castro é merecedor de uma atenta visita.


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Memórias de raiz


Em modos suaves ou proporções amenas, vai subindo a Lua Cheia, a leste, aqui em frente. Ainda em negativo forçado, porque há luz (são 20h47), de tons de branco sujo, pouco antes da noite por inteiro a iluminar pelo Sol, que anda na outra banda da Terra.
E eu leio, na varanda a leste, coisas antigas sobre Guimarães (Revista de Guimarães, volume LXXIII), hoje cidade, e lugarejo  na altura (séc. IX), que deve o seu nome, provavelmente, a Vímara Peres, bisavô de Mumadona, fidalga antiga que terá refundado o Castelo e criado o Mosteiro dúplice que viria a ser a Colegiada, mais tarde.
E, por tudo isto, não posso deixar de me lembrar de Álvaro de Brée (1903-1962). E de Salvador Barata Feyo (1899-1990), com a sua magnífica estátua equestre de Vímara Peres, junto à Sé do Porto. Muito menos, esquecer-me de um texto lindíssimo de Eugénio de Andrade (1923-2005), intitulado A Domingos Peres das Eiras, com umas violetas (Os Afluentes do Silêncio, 1968), e que, qualquer portuense que se preze, deveria conhecer. Porque é das prosas mais límpidas que se escreveu, por todo o século XX, em Portugal, sobre a Invicta cidade.

com envoi muito grato a H. N..

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Uso Pessoal 13


Ponto de honra e para memória futura, deixo exarado que, nestas errâncias portuguesas de Norte a Sul de Portugal, tive a sorte e o acaso de ver uma lindíssima imagem (séc. XVIII?) de Sta. Iria, na sacristia da igreja da Misericódia de Faro. Em talha dourada de fino recorte e panejamentos ondulantes, apesar de um pouco arrebicados, não desdenharia eu de tê-la, para melhor a admirar...
Não excluo imagens votivas ou os Santos, da minha convivência. Neste particular, não sou um laico puritano e ortodoxo, antes, um liberal. Vem-me de infância o gosto de tê-los por perto, ainda quando gostava de coleccionar santinhos, alguns em pergaminho, muito bonitos. Mas também pela hipótese de alguma hesitação tardia, ou dúvida final que ocorra, na hora da morte. Haverá por aqui - dirão alguns - oportunismo. É possível...
Dos domésticos, em estatuária bisonha e tosca de santeiro de província, o meu preferido é o Menino Jesus de Praga, de cabelo de poupa levantada e com o orbe em sua mão pequena. Oferecido e comprado em Esposende, por pessoa já falecida, e de minha grande estima e memória. Depois, uma Senhora das Angústias (é assim que eu lhe chamo), na sua porcelana já um pouco erodida. Estupidamente caro, comprei, há talvez quase três décadas, a um santeiro de Belmonte, grande negociante (cigano? cristão-novo?), um interessante e bem trabalhado S. Tiago em faia, a que não falta a icónica vieira e o cajado de viandante.
Finalmente, dois Cristos mutilados e crucificados, a que já faltam as cruzes. Que instalam na casa uma ponderação sofrida, mas também, com as suas chagas ensanguentadas, uma estridência anti-junqueiriana, que me lembra sempre José Régio...