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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Maldizer

 


Os Estados Unidos? Papel higiénico excessivamente fino, jornais demasiado grossos.

Winston Churchill (1874-1965).

sábado, 2 de março de 2024

Leituras paralelas 1

 

Do final dos anos 40 do século XX até meados dos anos 70, as edições de livros de viagens, por parte de escritores portugueses, foram muitas. Revelando talvez uma abertura e curiosidade em conhecer o estrangeiro e viver uma liberdade que não existia em Portugal, nessa época. Do resto da Europa até às Américas, podem referir-se testemunhos de Ilse Losa, Agustina, Torga, Urbano Tavares Rodrigues, Natália Correia... Que também deram a conhecer outros mundos, aos seus leitores.
Igualmente Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979) deixou um extenso volume (436 páginas), que foi editado pela Guimarães Editores, das suas deambulações pelos Estados Unidos da América, entre 1952-53, e de que vou transcrever a página 211. Como se segue:



El GRAN CAÑON DEL COLORADO

Este golpe fundo que rasga a superfície da terra numa extensão de 217 milhas e numa largura que, em certos pontos, atinge as 20 milhas, foi descortinado a primeira vez por gente branca em 1540. Foi um coquistador espanhol, Don Lopez de Cardenas, o primeiro a desvendar-lhe o estranho segredo. Depois, por mais de dois séculos, o ignoto, prolongado e fundo talvegue voltou a guardar, inviolável a olhos de gente civilizada, seu terrífico mistério. Voltaram a descobri-lo os missionários espanhóis em 1776.
Hoje estamos aqui, sentados à beirinha do seu maior precipício, um australiano ainda novo, de grandes e já desusados bigodes negros, o senhor Dekker e a respectiva cara-metade, vindos de Amsterdão até este fim do mundo, e nós, vindos da beira-Tejo. O australiano regressa à pátria, de volta de Inglaterra. Deve tomar, dentro de dias, o avião em Los Angeles, para o grande salto sobre o Pacífico. Fez este desvio da rota para ver o que vale bem a pena ser visto. O senhor Dekker anda em viagem de negócios e no caminho vai fazendo turismo por conta da firma holandesa. Nós viemos até aqui por simples e bem compensada curiosidade de viandantes.
À nossa frente abre-se a cova desmedida, comprida demais para simples cratera, abrupta demais para simples vale. Abre-se em degraus e em cada um deles a rocha toma configuração e cor diversas. Foram as águas do rio Colorado que rasgaram, ao longo da eternidade dos séculos, esta garganta monstruosa, prodígio quase absurdo da Natureza e afinal simples malefício da erosão. As águas das chuvas, desgastando as rochas, o calor e o frio extremos, dilatando-as e contrariando-as, o vento do deserto, varrendo-as, e a corrente do rio, dilacerando-as, foram os agentes do fenómeno, tão persistente que nunca, em milhões e milhões de anos, interromperam o infatigável trabalho.




sexta-feira, 8 de maio de 2015

Filatelia CIII


Sinal dos tempos, também o fim da II Grande Guerra foi celebrado, filatelicamente, nos países beligerantes. A primeira série britânica, de 1945, com a efígie do rei Jorge VI, aponta para a reconstrução e para a Paz. Dos Aliados, também os Estados Unidos da América emitiram vários selos, em 1945, com motivos alusivos de maior simbolismo patriótico, louvando o exército americano na libertação de Paris, a batalha de Iwo Jima e a sua marinha nacional.
Enquanto isso, na Alemanha derrotada, com as suas infra-estruturas destruídas, Correios desorganizados e emissões paralizadas, cada cidade, vila, lugarejo, aproveitava restos dos últimos selos do nazismo, para franquear a correspondência, apondo-lhe, muitas vezes à mão, sobrecargas manuscritas. Estas estampilhas constituem o que, hoje, se chama: Lokalausgaben (Emissões locais). E, nos selos base, a efígie de Hitler era obscurecida a tinta, num exorcismo artesanal, mas bem revelador do pragmatismo germânico...


sábado, 5 de julho de 2014

Palavras da semana


A realidade é mais simples, e mais terrível: para uma boa parte dos americanos, a guerra tornou-se numa abstracção. Uma espécie de jogo de vídeo.

Le Nouvel Observateur (nº 2591).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Má língua


Ouvi, hoje, na Tv uma diatribe curiosa atribuída a um Primeiro Ministro, não identificado e, provavelmente, estrangeiro. Teria ele dito, sobre os tempos que correm, que: a China era a fábrica do Mundo, os Estados Unidos, a vanguarda da tecnologia, e a Europa seria, apenas, o Museu.
Valha-nos a Cultura!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As ditaduras de algodão


De uma forma subtil e sofisticada, mas gradualmente persistente, tem vindo a propagar-se, no mundo, uma nova ordem quase monolítica de pensamento único e de métodos uniformes de Poder. Já não tem a aparência férrea e intimidatória das ditaduras do século XX, mas as maças do poder único, embora recobertas a algodão "suave", aparentemente macio, ao baterem, têm no seu interior, a dureza e a força do metal pesado.
O alibi mais usado e invocado são as razões de ordem económica, mas incidem sempre sobre o cidadão comum, sufocando-o, restringindo as suas liberdades e diminuindo os seus direitos. Mas o despudor vai tão longe que, por vezes, nem a decisão dos governos é justificada perante os nacionais. A abstenção de Portugal no Conselho de Segurança da ONU, aquando do voto sobre a aceitação da Palestina, é disso um bom exemplo. A Espanha e a Itália tiveram a hombridade e coragem de votar a favor. O sr. Portas não precisava de ser tão "americano".
Outro dos exemplos é a retirada das subvenções à Unesco, por parte dos Estados Unidos (do sr. Obama, imagine-se!, que se tem revelado um grande cómico...), em retaliação pelo organismo internacional ter aceite, no seu seio, a Palestina.
Mas o caso e exemplo mais flagrante destas novas ditaduras de algodão ocorre na Rússia. Quais Dupont e Dupond, de Hergé, os srs. Putin e Medvedev preparam-se para a terceira contra-dança, na troca de cadeiras do Poder, nas próximas eleições presidenciais, em Março de 2012. Putin candidatar-se-á, de novo, à Presidência e, uma vez eleito (como tudo indica), nomeará Medvedev para seu fiel Primeiro Ministro. Mais do mesmo, sob a capa inefável de algodão puríssimo. E como diz o anúncio: " o algodão não engana!"

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ex-voto às agências de ratos (rating agencies)


Desde a baixa de rating aos Estados Unidos, as agências têm estado caladas que nem ratos, mimeticamente copiando a sua condição. Por isso este ex-voto, que lhes é dedicado, com ternura e esperança de que fiquem na mesma.