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sábado, 15 de novembro de 2014

Testemunhos da Resistência (M. U. D.)


Fundado a 8 de Outubro de 1945, após a vitória dos Aliados, na II Grande Guerra, o Movimento de Unidade Democrática (M. U. D.) foi um dos mais importantes agrupamentos políticos de oposição e resistência à ditadura do Estado Novo. Foram seus fundadores, entre outros, Teófilo Carvalho dos Santos, António Luís Gomes e José Magalhães Godinho, a que aderiram velhos republicanos: Azeredo Perdigão, Manuel Mendes... Nele se integraram jovens democratas tais como Maria Lamas, Mário Soares, Bento de Jesus Caraça e Alves Redol.
As vinhetas, em imagem, destinavam-se, com a sua venda, à angariação de fundos para as actividades políticas do M. U. D..

com os melhores agradecimentos a H. N..

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Livros defesos



Para as gerações de hoje poderá parecer pouco crível que, no passado e em Portugal, se proibissem e apreendessem livros e, até, se instaurassem processos (políticos) a muitos escritores nacionais. Mas isso era comum, no período do Estado Novo, e até Abril de 1974. Para não falar  de livros estrangeiros que, só clandestinamente, cá entravam e eram vendidos, à socapa e por baixo da mesa, a pessoas de confiança. Era o caso, por exemplo, das edições Maspero, francesas. Ou das traduções de alguns autores estrangeiros, como Sartre, Roger Vailland e do seu proibidíssimo "Um homem do povo na revolução".
Aquilino Ribeiro, por causa do seu "Quando os lobos uivam", foi a Tribunal, sendo a 1ª edição da obra completamente apreendida. A segunda edição, só veio a sair no Brasil. O mesmo aconteceu a Torga: os "Contos da Montanha" foram proibidos, e a segunda edição só viu a luz no País-irmão, através da editora Pongetti. Também os "Cadernos", da Dom Quixote, de teor político, foram objecto de razias persecutórias. E José Vilhena, escritor humorístico, muito em voga nos anos 60 portugueses, também foi posto no Index, mais pelas brejeirices do seu humor, do que por razões políticas.
Mão amiga fez-me chegar, há dias, um artigo do jornal Expresso de 21/4/12, sobre este assunto, e muito bem documentado, na referência que faz a um estudo de José Brandão, sobre a censura literária do Antigo Regime. Lá aparece o top-10 dos sacrificados: autores e editoras. Vilhena vem à frente. Em terceiro lugar aparece Tomás da Fonseca, autor de quem nunca li nenhum livro. Outra surpresa, para mim, foi Orlando Costa (pai de António e Ricardo Costa), autor de "Podem chamar-me Eurídice", que também foi vítima desta sanha censória.
Registe-se que o regime intensificou, gradualmente, a repressão sempre crescente. Dos 12 títulos apreendidos, em 1933, nos anos 70 o número de livros proíbidos ultrapassou a centena.

com agradecimentos a H. N..

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cromos 18 : História de Portugal


Produção, integralmente nacional, da Agência Portuguesa de Revistas, numa edição do Mundo de Aventuras, a colecção da História de Portugal era composta de 203 cromos e a caderneta custava Esc.4$00. O texto era de António Feio, com ilustrações de Carlos Alberto, e a colecção foi impressa na Fotogravura Nacional Lda..
Foi, seguramente, a colecção de cromos que mais impacto e sucesso teve entre os infantes e adolescentes da minha geração. E graficamente era também muito sedutora. É certo que o respeito e o amor à Pátria  nos eram incutidos na Escola e em casa. Nos actos públicos, nos rituais de efemérides e comemorações, e pela propaganda do Estado Novo - cada um tomava o que queria...
Em doses equilibradas, lamento que se tenha perdido esse respeito, e alguma admiração, pelo passado de Portugal. Mas, o que mais me perturba é a ignorância que grassa, em tanta gente, sobre a História de Portugal. Não a cega devoção pia sobre o passado, mas uma visão crítica, mas também orgulhosa sobre a Pátria e aqueles que contribuiram para a sua consolidação como País. É que só assim conseguiremos construir, com identidade própria, o nosso Futuro.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Memórias Pragmáticas de um Império



A 18 de Dezembro de 1961, o pequeno território de Damão é invadido pelas tropas indianas e, até ao final do ano, todo o espaço que constituia, na altura, o chamado Estado Português da Índia, seria integrado na União Indiana.
O ano de 1961 é, por isso, uma data de viragem para o dito Império Português. O forte de S. João Baptista de Ajudá (Ouidah), na costa do Daomé, depois de incendiado (por ordem de Salazar), fora entregue, às autoridades do antigo Benim, em 1 de Agosto de 1961. Mas desde finais dos anos 50, com as independências das antigas colónias de França e Inglaterra, e mais tarde da Bélgica, os sinais de mudança eram perceptíveis. Mas o Estado Novo não soube ou não quis entender esses sinais.
Em finais dos anos 50, já grupos de Satyagrahas (combatentes pacíficos pela liberdade, inspirados em Gandhi) invadiam os territórios de Goa, Damão e Diu, de forma maciça e pacífica. Entretanto, na rádio (Emissora Nacional), ciclicamente, se ouvia o estribilho: "Os sinos da velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses!", ao mesmo tempo que se ouvia o dobre dos sinos; mais tarde, a palavra de ordem seria: "Angola, é nossa!"