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domingo, 4 de maio de 2025

Perguntar não ofende (5)

 

Quem terá comido o e deste título do jornal Público de hoje?
Ou foi o revisor que pediu um Porto Ferreira?
(Isto da escrita em jornais vai de mal a pior.
Impensável no tempo de V. Jorge Silva.)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Filatelia CXXXV


Se o uso de sobrecargas em emissões filatélicas se destina, normalmente, a  actualizar ou dar conta de alterações institucionais em países ou nos próprios selos, as sobretaxas são usadas, muitas vezes, para suprir franquias que se esgotaram nos correios, de forma inesperada. Neste capítulo, os territórios de S. Tomé e Príncipe foram talvez a ex-colónia portuguesa onde mais sobretaxas foram usadas sobre emissões filatélicas anteriores.
Comecemos, então, pelo princípio. Por volta de 1890, apareceu por S. Tomé um cidadão inglês, de nome Burt, que resolveu comprar, nos correios da colónia, 2.500 selos da taxa de 5 réis, da emissão de D. Luís, de 1887, reproduzida, integralmente, na imagem inicial do poste. Não se sabe se o fez por gula filatélica, se para efeitos de especulação posterior. Nem sequer o que terá sido feito dessa enorme quantidade de selos.
Perante a emergência, logo Joaquim Augusto da Silva, administrador dos correios santomenses, oficiou ao Governador-geral no sentido de proceder à sobretaxa de alguns selos de 10 réis (mais tarde, de 20 réis e outros) da referida emissão de D. Luís, para substituir a taxa quase em falta. A sugestão foi aceite, superiormente.


Alguém, não satisfeito, e provavelmente com intuitos fraudulentos terá procedido de forma clandestina (?) à alteração das sobrecargas através de erros. Assim resultaram sobretaxas em posição invertida, duplas e outras variantes (como se pode ver na segunda imagem). E que, hoje, estão cotadas por altos preços quer em catálogos nacionais, quer internacionais.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O óbvio e o verdadeiramente correcto


Vai por imagem, atendendo aos apressados cibernautas, a capa de um livro bem interessante. Para se corrigirem, se quiserem melhorar o seu português de lei... Com ou sem AO.

com os melhores agradecimentos a A. de A. M..

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Filatelia XCVII


A Companhia do Nyassa, bem como a Companhia de Moçambique, foram criadas na última década do século XIX, com o objectivo de desenvolverem, na colónia de Moçambique, progressivamente as áreas sob a sua supervisão administrativa. Eram empresas privadas, creio que de origem inglesa, e tinham o direito de cobrar impostos e até de emitir selos de correio, que seriam usados apenas nessas áreas concessionadas pelo Estado Português. Tiveram uma existência de cerca de 30 anos.
A Companhia do Nyassa ocupava uma área considerável, a norte do rio Lúrio. E os primeiros selos a circularem foram os da própria colónia, mas com a sobrecarga: Companhia do Nyassa. Mais tarde (1901) sairam as primeiras estampilhas próprias que foram gravadas pela Waterlow & Sons (Londres) e que tinham, no canto superior esquerdo, a efígie do rei D. Carlos. Pouco tempo depois, terão aparecido à venda, em Paris, alguns exemplares de algumas taxas com o centro invertido. Sendo a Waterlow & Sons uma reputada firma impressora, que também trabalhava para os correios ingleses, onde raramente apareciam imperfeições no seu trabalho final, os erros causaram certa surpresa nos filatelistas da época.
Aventa-se a hipótese de algumas folhas de refugo terem sido adquiridas, clandestinamente, por Jacques Wortman - que as vendia em França - a algum funcionário menos escrupuloso da Waterlow & Sons.
São esses 4 selos, com o centro invertido, bem como os correspondentes, perfeitos, que deixo em imagem. A preços de catálogo, estes selos com erros valem cerca de 10 vezes mais do que os originais, com a impressão correcta.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Filatelia LX : as diferentes perspectivas e os erros


As disciplinas humanas têm regras diferentes e valores, por vezes, antagónicos. Se a contrafacção de um incunábulo deprecia muitíssimo o valor desse livro antigo, já, em filatelia, há selos falsos que, algumas vezes, valem mais do que os originais. Compreende-se: as falsificações tiveram uma tiragem muito inferior ao selo autêntico e oficial (é o caso do "Pera de Satanaz", falsificação relativamente bem feita do selo de D. Luís, de 1882-83, que vale cerca de 20 vezes mais do que o original).
Mas também a imperfeição, muitas vezes, tem valor. Um erro de impressão valoriza, quase sempre, um selo, do ponto de vista filatélico, porque o torna raro, por ter sido um acontecimento fortuito que não mais se repetiu. Em imagem, para melhor se perceber, damos um exemplo do selo Ceres, taxa de 1 centavo, castanho (nº 221), da emissão de 1917-20. Nalguns, poucos exemplares, veio a "colar-se", durante a impressão, um obstáculo que se traduziu por uma incómoda vírgula (ou cedilha) branca, ao lado esquerdo do C. (de centavos). Este erro, não muito frequente, valoriza o selo imperfeito para o dobro do valor do selo perfeito.

domingo, 2 de setembro de 2012

Mercearias Finas 58 : castas - um "gato" de todo o tamanho...


Se é verdade que os jornais, hoje em dia, não dispensam as crónicas gastronómicas e enológicas, não é menos verdade que a digna e utilíssima profissão de Revisor, é arte em vias de extinção. Com os resultados negativos inerentes. Por isso os jornais (e os livros, também) estão juncados de gralhas e erros, às vezes, clamorosos e ridículos. Aqui vai um exemplo bem recente surgido no suplemento Fugas do jornal Público, de ontem.
Como se pode ver na imagem, estava em causa apreciar e dar nota, em estrelas, ao vinho Quinta do Gradil - Viosinho 2011. Ora, a casta Viosinho, predominante na região demarcada do Douro, mas também existente noutras regiões, destina-se e é usada nos vinhos brancos, e só. No texto valorativo, o nome do vinho, a apreciação e a imagem estão correctos. E correspondem, entre si.
Mas eis que, na composição do lote e castas respectivas do referido vinho, consta este dislate de bradar aos céus: Aragonez, Touriga Nacional e Sirah!!! Castas, todas elas de vinho tinto. Não lembraria ao diabo tal passe de mágica...
E no jornal de hoje, na rubrica "o Público errou", aos costumes, dizem nada. Pois é, querem poupar nos revisores e, depois, é isto...