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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Citações CDLXX



A incursão na anarquia é instrutiva,  tal como a primeira aventura amorosa ou o primeiro combate; estes primeiros contactos têm em comum a derrota, que acaba por suscitar novas forças superiores.

Ernst Jünger (1895-1998), in Afrikanische Spiele (1938).

quarta-feira, 16 de março de 2022

Bibliofilia 196



Recentemente e por questões de localização, nas estantes, andei à volta de livros de Ernst Jünger (1895-1998), 5 volumes apenas, e de obras de Georges Simenon (1903-1989), que são muitas, na biblioteca. Deste escritor belga, constatei, sem uma pesquisa muito exaustiva, que tinha pelo menos 4 primeiras edições originais. Assim e cronologicamente:



1. Le Voyageur de la Toussaint, 1941 - Gallimard.
2. Trois Chambres à Manhattan, 1946 - Les Presses de la Cité.
3. Le Fils, 1957 - Les Presses de la Cité.
4. Le Veuf, 1959 - Les Presses de la Cité.



Todos se encontram em bom estado, embora aos dois últimos faltem as sobrecapas. Apenas do número 3 sei que paguei por ele, usado, 5 euros na livraria De Slegte, em Antuérpia, mas os restantes também não foram caros e, provavelmente, foram adquiridos via ebay
Consultas breves na AbeBooks, Iberlivros e ebay permitiram-me constatar que os 4 títulos, em primeiras edições eram oferecidos num intervalo de preços que oscilava entre os 3 e os 25,80 euros.
O facto destes preços baixos talvez se possa explicar pelas grandes tiragens dos livros de Simenon, que era um escritor extremamente popular e que tinha muitos leitores dedicados.

sábado, 28 de março de 2020

Da leitura 36


Para um tempo estranho, porque não um livro estranho? Do alemão Ernst Jünger (1895-1998) - O Coração Aventureiro. Fragmentário, aparentemente desarrumado, inicia-se em Steglitz e remata em Ponta Delgada. Realista, quase científico, surrealista por vezes, outras, onírico. Quase sempre situando o leitor em território sem mapa e sem pé, perguntando-se se é ficção ou realidade o que lê, num estimulante processo criativo, também partilhado.
Segue um pedacito do texto:

... Para os olhos do norte habituados ao brilho mais desmaiado, os mistérios que se encerram num mar do sul constituem uma atracção inesgotável. Também as cores dos animais terrestres, até dos insectos, nas zonas mais quentes, aumentam de riqueza e de variedade, constratando acentuadamente umas com as outras. Mas apenas o mar dá aos seus habitantes aquela elegância tocante e a suavidade de tons, o brilho trémulo e irisado dos seus cristais raros, a maravilhosa delicadeza e afabilidade do efémero. Estas cores são obra do sonho, pertencem mais à noite do que ao dia; precisam do fundo do azul-escuro para protecção. ... (pgs. 60/61)

Ernst Jünger , in O Coração Aventuroso (Cotovia, 1991).


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Lembranças de Antuérpia


A Bélgica é um país pequeno, mas tem edifícios enormes a atestar, de forma inequívoca talvez, um passado imperial (Congo, Ruanda...), ainda que muito breve, em tempo de seu exercício...
A estação ferroviária de Antuérpia, construída entre 1895 e 1905, é um bom exemplo dessa desmesura, embora hoje razoavelmente aproveitada nas suas três plataformas de vias para comboios de vários destinos europeus.



Ponto turístico de consenso geral, como para mim é, do ponto de vista particular, a livraria De Slegte, à beira da casa(-museu) de Rubens, pintor que eu já não frequento por devoção artística, também pela sua desmesura de celulites, tão bem expressa no Rapto das Filhas de Leucipo (hoje, em Munique), que colhia as minhas preferências juvenis, em detrimento dos retratos da também nutrida Hélène de Fourment.



A De Slegte, comedidamente distribuída por três andares, dedica um deles aos livros usados, a bom preço normalmente. De lá trouxe, há uns anos, uma abada de livros de Simenon que me faltavam, sem esportular muitos euros. Desta vez, tive menos sorte. Mas ficaram-me os olhos num Le Marteau sans Maître, de René Char, na sua edição original (500 exemplares), autografada, acompanhada de uma carta do poeta francês, justificando a oferta. Pediam 600 euros pelo lote, mas eu não estava preparado para tanto...



Tive de me contentar com a versão francesa de An der Zeitmauer, de Ernst Jünger, em muito bom estado e por abrir, que me custou apenas 10 euros, e que tenho vindo a ler, com agrado e proveito.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ritmos


Paulatinamente, creio que desde meados de Julho deste ano, tenho vindo a ler este diário (em imagem de capa) do escritor alemão Ernst Jünger (1895-1998). Faltam-me agora cerca de dez páginas para concluir a sua leitura. O livro, cuja maior parte é constituído por anotações feitas durante a sua estadia em França, na sua terça parte final completa-se com apontamentos feitos no Cáucaso, para onde, como oficial alemão foi deslocado, a partir de 24 de Outubro de 1942. Há 75 anos, portanto.
Da leveza e elegância dos dias parisienses, com frequência dos meios intelectuais, as palavras de Jünger, escritas no Cáucaso, vão adquirindo, gradualmente, um peso e um pessismo ontológico decorrente dos mais raros contactos humanos, quase só consignados aos colegas militares e ao povo rural da região. Agravando-se as reflexões do escritor alemão pela morte do pai, o começo da retirada germânica desta zona ocupada e pelo pressentimento objectivo da derrota alemã, na II Grande Guerra.
E o curioso é que também o meu ritmo de leitura do livro se foi alterando. Nas páginas do diário de Paris, terei feito uma leitura normal, como é costume. Ao início do texto escrito na Rússia, por Ernst Jünger, a leitura foi mais lenta e morosa; sendo que estas últimas páginas, de maior tensão e dramatismo, naturalmente, me fizeram acelerar o ritmo de leitura... Mas não para acabar o livro mais depressa.
É apenas a constatação dos factos, objectiva. Embora vá reflectir sobre isso.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Preocupações pessoais de um bibliófilo


Tomei a decisão de não mais apagar as observações dos alfarrabistas sobre o estado de conservação, gravuras, o valor das edições e outras coisas semelhantes, que se encontram muitas vezes na folha de guarda dos livros - elas acrescentam uma mais valia àquilo que Feltesse chama autenticidade da obra. Sobre o ex-libris, eu inscrevo a data, o local da compra, ou então o nome do doador e, por vezes, anoto ainda circunstâncias particulares.

Ernst Jünger (1895-1898), in Journal Parisien 1941-1943 (pg. 206).

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Do que fui lendo por aí... (13)


Por uma daquelas razões singulares, ou coincidência frutuosa, encontro-me a ler, em locais diferentes, dois diários da mesma época (1939-1945), escritos por dois intelectuais (Gide e Jünger), em França. Se nas notas do ocupante alemão predomina uma atmosfera de tranquilidade, apenas interrompida por alguns sonhos perturbantes, que ele descreve ao pormenor, nas palavras sobre o dia a dia do francês ocupado (Gide) perpassa uma fina angústia que o leva a abordar circunstâncias dramáticas do passado (curiosamente, ainda hoje actuais), sobre a liberdade. Vou assim dar a palavra ao escritor francês, em dois pequenos extractos:


"... Os judeus, também, de oprimidos se transformaram em opressores, como sucede, parece que necessariamente, logo que as convicções religiosas contam com o apoio do poder - digamos ,simplesmente, se têm poder. ..."
...
"... Texto da excomunhão pronunciada contra Spinoza, a 2 de Julho de 1656: «Que ele seja amaldiçoado dia e noite... Que Deus não possa nunca perdoar-lhe. Ordenamos que ninguém tenha comércio com ele, por palavra ou por escrito, que nunca ninguém lhe dê mostras de amizade, dele se aproxime ou habite sob o mesmo tecto, que ninguém leia nenhuma obra escrita ou composta por ele."
...


André Gide (1869-1951), in Journal - 1939-1949 (Pléiade. 1955).

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Do que fui lendo por aí... (12)


Precisamente há 75 anos (28/8/1942) e no quarto ano da II Grande Guerra,  Ernst Jünger (1895-1998) encontrava-se em Paris, integrando, como oficial alemão, o exército ocupante. O seu contacto com a França não era o primeiro. Alguns anos antes, tinha-se alistado na Legião Estrangeira, em que permanecera algum tempo.
Mas nesse final de Agosto de 42, de temperaturas parisienses ainda amenas, o coleccionador de insectos, apaixonado e especialista, que, antes de ser militar condecorado na I Grande Guerra, era também escritor, químico e botânico, lançava no seu diário estas palavras:

Podemos ir visitar alguém, com as melhores intenções de sermos, nesse dia, particularmente cordiais para com esse anfitrião, mesmo afectuosos (...), mas a frieza pode vir a instalar-se e, depois, será preciso dias, semanas, meses para que a justa harmonia venha a ser restabelecida. (pg. 181)

O convívio de Ernst Jünger com franceses, nessa altura, era muito diversificado. Sobretudo, com artistas, escritores e a velha aristocracia (que nunca são muito de fiar, em matéria de convicções e fidelidades à Pátria...). Entre eles contavam-se Jean Cocteau, Sacha Guitry, Jean Marais, a princesa de Polignac. Nesse Agosto longínquo, o Outono já se fazia anunciar pelo amarelo de algumas folhas de árvores. E  a cidade de Hamburgo já começara a ser bombardeada pela R. A. F., como Jünger refere.
Este diário, do controverso escritor alemão, merece a pena ser lido. Eu, pelo menos, estou a gostar.


para MR, que deve andar por Paris, nesta data. Se tiver tempo para ler este poste...