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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Osmose 115


São incertas, muitas vezes, as razões. Mesmo algumas daquelas que nos levam à acção ou tomadas de atitude, conscientemente. Fazendo-nos crer que há um super-dono invisível das nossas decisões.
Calhou a noite passada que eu tivesse sonhado com uns versos escritos de Sá de Miranda e, simultaneamente (?), com um dos Fernandos, meu amigo (que tive vários, com o nome, nesta vida).
Os sonhos, ainda.
E fico-me a pensar se foi Bergman, há dias, que me fez ir buscar Les Rêves, de Ernest Aeppli, à estante, para o reler, ou se foi a releitura do livro que me levou a bisar Os Morangos Silvestres, do realizador sueco, no Youtube.
As associações são terríveis e, ao mesmo tempo, discretas.
Até porque não consigo situar, em sequência, os meus actos com absoluto rigor temporal.
Que o inconsciente se rearrume, de novo e por si, à sua vontade! Na sua auto-gestão libérrima (?).


segunda-feira, 8 de junho de 2020

De "Les Rêves", de Ernest Aeppli


Do início do livro em epígrafe, uma pequena citação, vertida do francês:

O sonho pertence às experiências mais pessoais do homem. É ele e mais nenhum outro que sonha, é a ele que acontece esta aparição insólita da noite; insólita porque produzida sem que seja suscitada, num mundo que não é tão familiar como o diurno. Mas também há os que não sonham; alguns, raros é verdade, afirmam nunca ter sonhado, não sabendo aquilo que podem entender por isso. E, no  entanto, ninguém pode negar a existência desse fenómeno, ainda que nunca o tenha experimentado. (...) O sonho nocturno constitui uma actividade natural da alma. (...)

Ernest Aeppli (1892-1954), Les Rêves (Payot, 1962).