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sábado, 2 de julho de 2022

Elizabeth Jennings (1926-2001)

 


Demora


O brilho dessa estrela que se inclina para mim
já fulgia há muitos anos atrás. A luz que cintila
agora nos meus olhos talvez não veja nunca
o tempo presente que, mais lento, se atrasa como

o amor que nasce pode não atingir de todo o primeiro
desejo, até ser consumido e satisfeito. O impulso
da estrela terá de esperar pelo olhar que a ache bela.
E o amor talvez já nos encontre muito longe daqui.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Elizabeth Jennings (1926-2001)


No interior da noite


Bocejo, e já tarde pela noite, para lá da minha janela
vejo as estrelas mas não as observo, de facto,
e ouço os comboios embora os não escute claramente;
Dentro de mim cirando de forma a que me possa
manter acordada, mas não estou de todo ali.
Uma parte de mim está com o escuro da paisagem.

Quanto há de mim naquilo que penso ou sinto?
Que parte do olhar se mantém pelas estrelas?
Será que controlo aquilo que contemplo
e será o meu olhar responsável por isso?
Afasto a ideia do meu espírito, que é um quarto
interior cuja parede vejo, mas de forma incompleta.

Tudo aquilo que eu amo é como a noite, lá fora,
tão bom de ver que me parece possível
com um simples gesto trazê-lo até mim
para dentro da cabeça ou coração, apesar do pensar
me separar, a mim, do objecto. E agora na cama, quando
me viro, o mundo parece virar-se para o outro lado.


Elizabeth Jennings



Nota pessoal: inexplicavelmente, parece-me haver um eco pessoano nos versos desta poetisa inglesa...