Mostrar mensagens com a etiqueta Elizabeth Bishop. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elizabeth Bishop. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

No melhor pano cai a nódoa...



Iniciando-se na Portugália, em 1963, nas artes do seu ofício, o editor José da Cruz Santos (1937?) habituou-nos na Inova e n'O Ouro do Dia a trabalhos de rigor e de bom gosto estético em tudo aquilo que foi publicando. Mas, como em tudo, há excepções.



Este livro que reúne traduções de duas poetisas norte-americanas, efectuadas por Maria de Lourdes Guimarães (1933), em 1999, contempla em duas versões o nome de uma delas: "Elisabeth" e Elizabeth Bishop. Evidentemente que uma revisão mais atenta evitaria este erro crasso.



obliquamente, em geminação com MR, no seu Prosimetron. 
 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

De Elizabeth Bishop (1911-1979)


A uma árvore

Ah, árvore diante da minha janela, somos parentes,
pois nada pedes a um amigo a não ser isto:
encostares-te à janela e espreitar para dentro
e ver-me andar por ali! Benção que é suficiente

para mim, que decidi ficar por detrás do caixilho,
cheia das minhas pequenas tragédias e grotescos desgostos,
para me encostar à janela e espreitar lá para fora,
admirando as infinitésimas folhas.

(Tradução de Maria de Lourdes Guimarães)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Marianne Moore


A propósito de Elizabeth Bishop, referi (5/2/11) que tinha sido amiga de Marianne Moore (1887-1972). A poesia desta escritora americana não é simples, embora pareça. Uma ironia, por vezes quase corrosiva, diluída em palavras suaves, é uma das suas marcas de água. As palavras deixam sempre algo por dizer, ou, pelo menos, sugerem-no. Há quem diga que a sua poesia tem como privilegiados destinatários, apenas, outros poetas de vocação. Não concordo, inteiramente, com esta afirmação. Alguns versos de Marianne Moore fazem-se-me eco, na memória, com o tom de alguns poemas de Fernando Assis Pacheco que não tem, de maneira nenhuma, uma poesia hermética ou ininteligível - bem pelo contrário.
Esta mulher singular que tinha uma forma de vestir muito própria e que usava, com frequência, um exótico chapéu tricórnio era, em quase tudo o mais, relativamente discreta. Gostava muito de desporto e frequentava espectáculos desportivos, com gosto. Agregou tertúlias literárias ao longo da sua vida, e era amiga de Ezra Pound. T. S. Eliot apreciava muito a poesia de Marianne Moore. Para que se faça uma ideia, vamos traduzir-lhe um poema:

Silêncio

Meu pai costumava dizer,
"As pessoas superiores nunca fazem visitas demoradas,
e devem ser vistas junto ao túmulo de Longfellow
ou nos canteiros floridos de Harvard.
Auto-confiantes como um gato -
que leva a sua presa para um lugar privado,
a cauda flácida oscilante do rato, suspensa da boca,
como um cordão de sapatos - às vezes
essas pessoas gostam da solidão,
e podem até perder a fala
diante de um discurso que lhes dê prazer.
O sentimento íntimo e profundo deve sempre manter-se
silencioso; não em silêncio, mas discreto".
Ele nem sequer era insincero quando dizia, "Faz da minha casa
a tua hospedaria". As hospedarias não são moradas.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Elizabeth Bishop



No próximo dia 8 de Fevereiro passará o primeiro centenário de nascimento da escritora norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979), mais conhecida pela sua obra poética. Foi amiga próxima de Marianne Moore, e viveu no Brasil entre 1951 e 1965, tendo tido uma relação amorosa com a pintora paisagista Carlota (Lota) de Macedo Soares. Regressou aos Estados Unidos, onde veio a falecer, a 6 de Fevereiro de 1979. Dela, vamos traduzir o poema A art:

Uma arte

A arte da perda não é difícil de dominar;
tantas coisas parecem ter essa intenção,
de se perderem, que a sua perda não é um desastre.

Perder alguma coisa todos os dias. Aceitar a perturbação
da perda das chaves de casa, de uma hora mal gasta.
A arte da perda não é difícil de dominar.

Depois é preciso praticar sempre, mais e mais:
lugares, e nomes, objectivos de viagem.
Nenhuma destas perdas será um desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E reparem! a última
ou a penúltima das mais amadas casas, eu perdi.
Mas a arte da perda não é difícil de dominar.

Perdi duas cidades bem-amadas. E, mais vastos,
territórios que foram meus, dois rios, um continente.
Perdi-os, mas não foi um desastre.

- Mesmo ao perder-te (a voz estranha, o gesto
que eu amava), não poderei mentir. Torna-se evidente
que a arte da perda não é difícil de dominar,
embora pareça (escreve-o) um desastre.