Mostrar mensagens com a etiqueta Efemérides. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Efemérides. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Apontamento 173: 13.8.1961 – Construção do Muro

 


Numa altura em que se recordam os ataques à vivência democrática, de livre expressão e circulação entre as populações do “sector soviético”, i.e. antiga RDA e a RFA, convém lembrar os efeitos nocivos da construção do muro.

Para além do assassinato de pessoas em fuga, basta lembrar o facto de as pessoas ficarem impedidas, por muitos e longos anos, de viverem em DEMOCRACIA.

Embora registando explicações nem sempre racionais, tenho muita dificuldade em aceitar como uma região tão marcada por políticas totalitárias se preste a abraçar novas figuras de semblante e postura pouco dadas a uma vivência democrática, mentalmente nada saudável e socialmente desumana.

Post de HMJ

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Divagações 135


Com o tempo, qualquer moeda se deprecia para os nacionais que a usam. E, normalmente, um imóvel terá tendência para se valorizar, ao menos, consoante os índices de inflação. No presente, e em Portugal, as subidas de preço no imobiliário, especulativas de algum modo, só se explicam, não pelo valor real das casas, mas pela intensa procura personificada por estrangeiros e pelos artíficios criados pelos mercados que se dedicam à habitação.
Ando a ler, com atenção mas intermitantemente, Problemática da História Literária (Ática, 1961), de Jacinto do Prado Coelho (1920-1984). Foi com enorme surpresa que me deparei com o nome de Benedetto Croce, crítico e teorizador literário, que é muitas vezes citado. Na altura, era um ensaísta muito frequentado, tal como Harold Bloom, aqui há 20 ou 30 anos. Quem saberá hoje de, ou lerá, Croce, nesta fugacidade e efemeridade dos tempos?
Celebra-se hoje a implantação da República, com sentimentos amortecidos em relação à data, embora com o valor simbólico de um acontecimento patriótico que marcou a História de Portugal. Daqui a 108 anos, como se irá celebrar o 25 de Abril?
Porque uma coisa são as efemérides, e outra são as efemeridades...

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ainda Abril


O problema de qualquer efeméride é não podermos, a partir de certa altura, falar dela com palavras novas e reflexões originais. Corremos o risco de nos parafrasearmos e tudo soar a um eco ou ladainha que parecem falsos, na sua expressão. Tal como o uso abusado que muita gente faz dos amei e adorei, para comentar o gosto que dizem ter por um livro, um filme, um poste, uma fotografia, mesmo que banais. Num derrame que, parecendo emocional, nada acrescenta ou significa, verdadeiramente.
Talvez por isso, e porque seria impossível eu não celebrar, aqui no Arpose, o 25 de Abril (até por o ter vivido), é que evitei, no poste alusivo, juntar-lhe palavras. E fazê-lo apenas através de duas fotografias de Carlos Gil e de uma canção de José Afonso. Comedidamente.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Há quase 50 anos...


Não imagino como o governo do sr. Macron tenciona comemorar, no próximo ano, o meio século das movimentações estudantis e operárias de Maio de 1968, em Paris. Mas há datas que são sempre difíceis de tentar contornar, rasurar ou não referir. Emmanuel Macron (1977) estará, com certeza, à vontade, porque, como ainda não era nascido não se deve lembrar dessas convulsões pelas ruas de Paris... 



Daniel Cohn-Bendit (1945), hoje, tranquilo reformado do Parlamento Europeu, que foi figura cimeira e carismática nessa época, fará certamente algumas declarações solenes e importantes sobre a efeméride. Talvez aproveite até a oportunidade (quem sabe?) para lançar algum livro de memórias. Quanto a Jean-Luc Mélenchon (1951), que, dada a tenra idade, teve um papel menor, não deve porém ficar calado...
Mas o que resta dessa época de som e fúria, nas páginas cépticas da História, são sobretudo alguns slogans pitorescos, como: "É proibido proibir", "A ortografia é um mandarinato", "A sociedade é uma flor carnívora"; ou esse saboroso diálogo, que reproduzo acima, entre Cohn-Bendit e o ministro francês da Juventude, na altura.
Tudo o resto acabou por se esfumar no tempo e nas viradeiras sucessivas da história contemporânea francesa.
Que De Gaulle repouse em paz!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Recordações e efemérides


A quadra natalícia tem o condão, natural e instintivo, de nos reaproximar da infância, por um contágio de respiração de ambientes longínquos, mas marcantes. Das coisas mais antigas que me lembro, destacam-se os funerais da rainha D. Amélia (1865-1951) e do Marechal Carmona (1869-1951), que tiveram forte repercussão nacional e grande cobertura radiofónica e jornalística. Mas não só a morte ficou reflectida na minha memória mais recuada. Também um acontecimento patriótico e desportivo: a vitória, em 1954, na travessia a nado do Canal da Mancha, obtida pelo português Joaquim Baptista Pereira (1921-1984), esforçado nadador nascido em família pobre de Alhandra. E de quem muito poucos se lembrarão hoje, mas que o British Pathé registou em imagens, para sempre. Que se podem ver no vídeo, abaixo. Passam este ano 60 anos sobre o feito glorioso.


domingo, 9 de novembro de 2014

Apontamento 59: Efemérides (III)



Perante determinadas efemérides aconselha a prudência alargar o horizonte a uma variedade de abordagens possíveis, próprias de uma leitura plural da História. Respeito, e tento compreender, os olhares múltiplos, sendo sérios, sobre o mesmo acontecimento, como foi a queda do muro de Berlim. Não suporto, contudo, na História e na vida, o espectáculo em detrimento de um esclarecimento abrangente que acrescente algo sobre o caminho do ser humano pela terra.

Com efeito, o que sucedeu a 9.11.1989, e não apenas em Berlim, foi o final de uma divisão artificial de um espaço geográfico, linguístico e cultural comum, como consequência do fim da 2ª Guerra Mundial. Convém lembrar, até confirmação oficial em contrário, que existe apenas um armistício entre a Alemanha e as nações vencedoras: a França, a Inglaterra, a América e a Rússia. Enquanto a América, na área da sua influência, mantinha, ainda nos anos 70 do século passado - certamente com anuência do Estado Federal - as placas nas auto-estradas em Inglês e Alemão, a Rússia, por razões diversas, optou por traçar uma fronteira - estanque - à volta da sua zona de ocupação, cujo símbolo passou a ser a divisão da cidade de Berlim.

No entanto, e no meio dos festejos, que muitas vezes não contribuem para um esclarecimento cabal da História, convém lembrar que na noite de 9 para 10 de Novembro de 1938 ocorreu, na maior parte das cidades da Alemanha, a começar com Berlim, a chamada "Noite de Cristal" em que, entre outros atentados à dignidade humana, os estabelecimentos de judeus foram vandalizados, sem esquecer as grandes fogueiras de livros nos idos de 1933.

Das duas efemérides muito próximas, quanto ao dia, fica a apreensão perante uma "mole de gente" neo-fascista - tanto de um lado como, sobretudo, do outro lado da antiga "cortina de ferro" - assim como a herança transformada numa versão neo-liberal, profundamente provinciana, de uma figura a desempenhar o cargo de chanceler.

Será que o armistício se transforma num Tratado de Paz - duradouro - antes que se celebrem os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial ?

Post de HMJ

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Apontamentos 53: Efemérides



Curiosamente, numa altura em que o cenário da emigração do Sul para o Centro da Europa se repete, é da Alemanha que surgem as notícias sobre uma efeméride que, afinal, continua a passar ao lado das preocupações principais da construção da Europa, ou seja, o ser humano como fundamento das instituições democráticas.
Parece que foi no dia 10.9.1964 que mais um emigrante – no caso um cidadão português – chegou a uma das estações de comboio de Colónia. Mereceu um destaque na imprensa da altura, como se vê pela imagem acima, porque era o emigrante 1.000.000 a alcançar o seu destino.
De facto, os anos sessenta eram tempos em que passámos a conviver com pessoas vindas do Sul da Europa e que, por motivos económicos, se alojavam à nossa volta. Com o devido desconto normalmente atribuído a uma pretensa evolução da sociedade, convenhamos que os contactos eram, tanto no passado como hoje, resultado de um espírito mais esclarecido dos cidadãos do que de uma famigerada “política de integração”.
Com a devida distância, os cenários repetem-se. Com a diferença de que a apetência do capital exige, actualmente, “pessoal qualificado”, sendo apoiado, nessa exigência, mais uma vez pelas forças políticas do país de “acolhimento” em detrimento dos custos de formação ora remetidos aos países de origem e com as implicações que bem conhecemos.
De toda a memória vivencial de contacto com os primeiros emigrantes, sem excluir a realidade actual, fica a revolta profunda de uma Alemanha oportunista e desumana, sob a égide, tanto no passado como no presente, do partido maioritário no Governo.
Não se poderá aceitar, em consciência, como a CDU/CSU continua a apoiar associações reaccionaríssimas de refugiados do pós-guerra e dos antigos domínios do leste da Europa, a não ser como tropa de choque de partidos da direita, sem ter nenhuma política consistente, no passado como no presente, relativamente aqueles que escolhem a Alemanha como país não só para trabalhar como para VIVER.

Post de HMJ

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Da Janela do Aposento 48: Efemérides



O dia começou bem para as efemérides muito especiais, familiares, com o tio Otto a celebrar, como único sobrevivente dos Wagner, os 100 anos. Utilizou uma palavra para se referir à proeza de alcançar a meta, que já não ouvira há muito tempo, e que é de difícil tradução para português. Voltou a insistir que, a partir de agora, voltaria a contar o percurso da sua vida a partir do ano 1.

Destacando-se, desde sempre, dos restantes irmãos pela boa disposição e pelo enorme gosto pela vida, houve quem o recompensasse por períodos de grandes sacrifícios durante a guerra. Teve honras de uma visita do burgomestre que comentou, com o seu humor, dizendo que o estavam a “embonecar” para o evento.

Para além de artífice memorável na construção de móveis, era um fotógrafo excepcional, enriquecendo o espólio familiar e, sobretudo, o meu álbum de fotografias desde a infância até aos meus quinze anos. Tenho pena das películas, da AGFA, que se perderam quando abandonou a sua câmara escura instalada na cave da sua casa.

Lembrei-me, pois, das fotos que me deixou da infância, do teatro de bonifrates que montava em casa a contar histórias, numa casa pequena, cheia de alegria.

Por coincidência, o dia de hoje é também o início do ano lectivo, em Colónia e no respectivo estado. Veio-me à memória o primeiro dia de escola, com a fotografia a preceito que, no entanto, não foi o tio Otto que ma tirou. As recordações fixaram-se na fotografia reproduzida acima e ficou a interrogação sobre o percurso da civilização – europeia – nos últimos 60 anos.

Confesso que tenho alguma dificuldade em aceitar a menorização e infantilização do ser humano, empreendidas pelas poderosas forças do consumo, a ponto de o Governo de Portugal emitir uma brochura sobre o “Regresso às aulas” com conselhos indigentes.


Ora, como se pode ver pela foto, apresentei-me, no primeiro dia de aulas, “compostinha”, sem haver necessidade, da parte do governo de então, em explicar à minha mãe o que me havia de vestir, ou de comprar para levar para a Escola.

A lição de chegar aos 100 anos, “são e salvo”, não passa, certamente, por essa indigência do consumo tolo e do supérfluo em detrimento da essência. Para já, nem sequer me rebaixo a comentar a imagem que o folheto oficial transmite dos professores. Deixo a imagem apenas como registo de revolta.



 Post de HMJ

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Era uma vez...






Parabéns!