Na madrugada alta (talvez 4 da manhã) de 25 de Abril de 1974, o carro onde eu seguia, com o meu amigo E. S., guinou para a direita, em direcção ao Largo de S. Sebastião da Pedreira, para me levar a casa. Vi, então, uns vultos em ângulo quase recto, de metralhadoras aperradas, cosidos à parede, rodeando o Quartel-General. Eram soldados, e eu disse para o meu amigo: "- Olha!, devem estar em exercícios. A esta hora..." Depois, e a partir da manhã, foi o melhor ano e meio da minha vida.
Hoje, sintonizando alguns blogues, vejo o esquecimento, o "pudor e o cuidado", a cegueira, a ignorância, o "voluptuoso desejo de imobilidade" (de que fala Lampedusa), ou a excessiva juventude de alguns escritos, e fico perplexo. E apreensivo. Porque se não se põem a pau, esta "juventude", dentro de alguns anos, vai apanhar com ditaduras muito mais pesadas e sofisticadas do que aquela que eu vivi, durante quase 30 anos. Com a caturrice de velho, deixo 2 citações que talvez ajudem a reflectir. Pelo menos, para aqueles que ainda pensam. Livremente.
"É legítimo recear que a Revolução, como Saturno, devore sucessivamente todos os seus filhos."
Pierre Vergniaud (1753-1793)
"Façam da Revolução a base de uma estabilidade e não um berçário de futuras revoluções."
Edmund Burke (1729-1797).