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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Bibliofilia 158


Eram de grande apuro gráfico e muito bom gosto estético, as publicações da Editorial Inova (Porto), que se iam editando sob a batuta engenhosa de Cruz Santos. A colaboração de Pintores e bons Gráficos era constante, dando uma garantia de qualidade aos livros que a Inova foi publicando. Também os colaboradores literários asseguravam um contributo importante. A orientação artística era de Armando Alves.



Esta colecção Indícios de Oiro era  dirigida, do ponto de vista literário, pelo poeta Egito Gonçalves. O terceiro número da série foi dedicado a Eugénio de Andrade (1923-2005). Era uma edição bilingue, com os poemas traduzidos por Carlo Vittorio Cattaneo para a língua italiana. Os desenhos ficaram a cargo de Angelo de Sousa, em boa hora. E a obra publicou-se em Setembro de 1974.



O meu exemplar, assinado, é o nº 165 (como se pode ver pela terceira imagem do poste), dos apenas 310, que foram publicados. Apesar de ter sido comprada usada, a obra está como nova.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pensar, escrever, agir


Em Março de 1973, a Editorial Inova publicou um pequeno opúsculo (Carta-testamento - Mário Sacramento) evocativo do médico, ensaísta e lutador anti-fascista ilhavense. Dos vários testemunhos sobre Mário Sacramento (1920-1969), quero destacar, pela concisão e clareza, o de Vergílio Ferreira:
"Assim o conflito entre a «ideia» e a «acção», e sem que jamais um dos termos se anulasse ou se superasse em síntese, remediou-se nele pelo predomínio da «acção», como em mim se ajeitou na primazia da «ideia», Mário Sacramento viveu como poucos, talvez como ninguém, o gravíssimo problema de uma escolha entre o agir e o escrever, até porque para ele, mais agudamente que para muitos, o escrever implicava uma dura responsabilidade. Zetos e Anfião, a acção prática e a intelectualidade, lutaram nele até ao fim da vida e, a despeito das aparências, nenhum deles venceu o outro. A solução de emergência que encontrou foi a máxima de Énio, o philosophari sed paucis, o dar aos problemas culturais os miseráveis sobejos do que julgava mais importante. ..."