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quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Decadência

 
Houve um tempo, no passado, em que várias instituições ou editoras eram uma garantia de qualidade de tudo aquilo que produziam ou publicavam. A Portugália, Sá da Costa, Assírio & Alvim, por exemplo, eram nomes de prestígio no universo editorial português. Os conselhos de leitura dessas empresas, o rigor da crítica e a exigência dos leitores a isso obrigavam também, evitando os equívocos e desmandos de hoje.
Custa-me por isso a perceber que a última das editoras referidas tenha publicado uma pretensa biografia de Alexandre O´Neill (registada num poste recente do Arpose) tão mal enjorcada e desarrumada.

domingo, 15 de novembro de 2020

Citações CDXLVIII

Preparem-se, porque a citação é longa, ao contrário do que é habitual. E tem como autora uma dissonante ou dissidente (ou demitida?) ex-colaboradora das bem pensâncias directoriais do Expresso, que já tinham posto a andar António Guerreiro por não fazer as delícias tranquilas do leitor-médio do excelso e pio semanário do regime. Aí vai, então, na voz livre de Ana Cristina Leonardo (1959) e da sua crónica na ípsilon, do jornal Público (13/11/2020):

"...Por cá, neste «ano introspectivo» - seja lá o que isso for que a expressão não é minha - as editoras continuam a publicar e muito, apesar da suspeita de que, nesse muito, o que não faltarão são os «cagalhões líricos que por aí andam, passeiam e triunfam» de que falava em tempos um editor infelizmente desaparecido, Vitor Silva Tavares. Auschwitz, por exemplo, mantém-se em alta não só como tema, mas também nos títulos.

Ele há fotógrafos de Auschwitz, tatuadores de Auschwitz, mágicos de Auschwitz, gémeas de Auschwitz, farmacêuticos de Auschwitz, bibliotecárias de Auschwitz, violinos de Auchwitz, bebés de Auschwitz..."


Nota pessoal: nunca será demais falar deste oportunismo nojento e chulo de algumas editoras e autores mercenários. Eu próprio já aqui o tinha feito em 14/10/2020 (Ideias Fixas 59). 

sexta-feira, 1 de março de 2019

Do mau gosto, como corrente editorial maioritária e dominante


Já por aqui me tenho feito eco das capas indigentes que as editoras portuguesas produzem para os livros que publicam. Basta parar em frente da montra da Bertrand, ao Chiado, para ver a feira de horrores de capas e capas. Já não bastava, para pouparem, as editoras terem dispensado os revisores competentes. Livros há, que são um amontoado de gralhas...
O uso aleatório de bancos de imagens, normalmente fotográficos, utilizados nas capas, revela um mau gosto estético generalizado, por parte dos conselhos editoriais que geram estes abortos impressos.
António Guerreiro, na ípsilon do jornal Público de hoje, põe o dedo na ferida. De forma responsável e capaz. É só lê-lo, com atenção.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

As novas pitonisas


Houve tempo em que algumas editoras, tal como grande parte dos bancos, mereciam a nossa total credibilidade e confiança em matéria de honesta qualidade. A Gallimard, a Portugália, a Surkamp, a Penguin , entre tantas outras, eram à prova de bala, quanto à excelência do que publicavam, também porque tinham uma exigência ética de prestígio a honrar e perpetuar. E, nobremente, faziam gala disso.
Os tempos, no entanto, mudaram. E a Penguin, agora apenas gulosa de mercado, foi engolindo outras pequenas e ronceiras editoras, para melhor impor as suas publicações, de forma mercenária e acrítica.
Eu até sou fã e entusiasta dos romances de John Le Carré. Não de todos, evidentemente, porque, contra ventos e marés, não prescindo do meu sentido crítico nem de leituras isentas de apriorismos.
A novel Penguin, excessiva e exibicionista, comprou a publicidade das páginas 2 e 3 do último TLS (nº 6026), para propagandear bombasticamente, por palavras de Robert Harris (?) que Le Carré será "um daqueles escritores que será lido (até) daqui a um século". A editora inglesa, pelos vistos, entrou agora no rol dos adivinhadores, subscrevendo presságios, na boa companhia de Nostradamus, do Sapateiro de Trancoso, do professor Fofana e de outros bruxos. Francamente, não lhe gabo o gosto nem a vocação...

terça-feira, 24 de julho de 2018

Títulos horripilantes (ou cândidos?)


Num desses blogues de costureiras de retalhos (disfarçadamente pagas por editoras sem ética, nem princípios de qualidade), em que restabeleço a minha boa disposição, de vez em quando, mas também colho algum desconforto mental, seleccionei mais alguns títulos de gosto lumpen, chunga e altamente rasteiros, que passo a descriminar:

- A fome, que curiosamente não se inspira em Josué de Castro - não confundamos.
- diz-lhe que não, provavelmente, de alguma autora virgem serôdea, em reflexão filosófica.
- Se vier vento do Norte, chove, decerto escrito por algum meteorologista autodidacta...

Finalmente:

- Ensina-me a voar sobre os telhados, segura e naturalmente, escrito por algum pássaro bisnau, implume e desesperado.


domingo, 10 de junho de 2018

Divagações 130


Andaram-me pelos olhos e pelas mãos três livros de poesia deste século, ultimamente. Um, em releitura, que, se não fosse o posfácio de Eugénio de Andrade, não se salvava de todo. Os outros dois deixaram-me um desconforto frio, sobretudo pela arquitectura pobre sobre que foram construidos.
Também hoje se usa, na prosa, o recurso forçado à ficção autobiográfica, bem como prosear à custa de glosar clássicos ou autores já firmemente ancorados nas histórias literárias. Na poesia, é o excesso ao quotidiano que, se poderá atrair um incauto e pouco experiente leitor pelo realismo dos cenários, não deixa de ser um artifício bem mediocre. Que não permite que o poema suba às alturas, sacrificando-o à vulgaridade mais banal.

Li, algures, que, em França, cerca de 1/3 da tiragem dos livros publicados acabam guilhotinados. Será que voltamos ao terror e ao lixo? E quem subsidia estas editoras incontinentes? Será a Banca? Que depois pede ajudas ao Estado, para não se afundar?
Mal ou bem, acabamos sempre por ser envolvidos.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

3 motes para uma causa


Duas transcrições repescadas de há dias:

1.
Este mundo (editorial) definhou. Coisa que Saramago previu, no seu pessimismo ontológico, a propósito da morte do romance. Definhou sobretudo por duas razões, uma paroquial e outra cosmopolita. A paroquial é simples. Os editores começaram a publicar o sabor do mês, a jovem promessa, e os críticos a considerar génio todo o autor ignoto que não lhes ameaçasse a sapiência ou preponderância. O mundo literário povoou-se de nulidades que criaram a sua legião crítica.
Clara Ferreira Alves, in A Seita (Expresso, 7.4.2018).

2.
Estava portanto arrumada, por insuficiente, a hipótese etária, quando me recordo - maldita memória! - de um autor de nome minúsculo que confessou enervá-lo Herberto Helder; "por isso não está neste livro".  E porque o enerva Herberto Helder, a ponto de eliminar do tal livro um texto em que o nome deste aparecia? O motivo veio nos jornais: "...Herberto Helder não era acolhedor. Cheguei a falar com ele por telefone umas duas vezes e até lhe bati à porta - teria uns 26 anos -, e falámos pelo interfone. Não abriu a porta nem me quis receber".
Ana Cristina Leonardo, in Primeiro foram as Padarias, depois foram as Livrarias (Expresso, 7.4.2018).

E, já agora, deixem-me meter a minha colherada!

3. Reparem-me nestes dois "tesourinhos deprimentes" que foram editados, tendo como títulos:

- 25 Gramas de Felicidade,
- O cancro não gosta de beijinhos,  

por duas editoras(?) portuguesas, provavelmente ronceiras e muito mal amanhadas. Mais uma vez, por caridade, evito referir o nome dos autores de tais obras salvíficas.


Querem mais títulos?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Apontamento 108: RECLAM - 150 Anos de uma editora alemã de referência




Por motivos que não vêm ao caso, tenho andado a reler livros que me orientaram e formaram numa determinada época. No meio deste “reviver”, encontrei a informação sobre os 150 anos da editora alemã RECLAM com os seus livrinhos baratos, amarelos a partir de uma dada altura, como se pode ver pela imagem acima.

O primeiro volume publicado, em 1867, era, quase obviamente, o Fausto, de J.W. von Goethe. A actividade editorial, que neste momento abarca 3500 títulos, abrangia o que se podia chamar um “cânone literário” ao gosto do leitor. Da Antiguidade Clássica à literatura moderna, mas também obras de Filosofia, História, Arte e Música, os alunos de liceu, como eu, forneciam-se do essencial para a leitura escolar e, pela facilidade de acesso físico e económico, andávamos a “cheirar” um pouco de tudo. Ou por sugestão de alguém, ou por impulso de querer ultrapassar a barreira da ignorância perante autores e títulos desconhecidos.

A estante dos livrinhos que se vê acima constituiu, com efeito, sempre um atractivo em qualquer livraria. E, normalmente, lá se encontrava mais um título ou um autor desconhecido. Lembro-me ter comprado muitos livrinhos amarelos por qualquer coisa como 1,50 ou 2,00 marcos.

Para mim, o maior contributo da RECLAM continua a ser a “batalha” contra a ignorância e o contributo para a “imortalidade da produção literária”, de que fala W. Somerset Maugham no seu The Summing Up, sublinhando, e com imensa razão, que essa imortalidade “is seldom more than the immortality of the schoolroom” !

Ora, a RECLAM contribuiu imenso para estas leituras de “salas de aulas”, tanto de obras de língua materna como de outras línguas, através das suas edições bilingues e com tradutores e comentadores de reconhecido mérito.


Aqui fica o meu grato testemunho por este trabalho de 150 anos !

Post de HMJ, como contributo para uma outra comemoração

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Gato por lebre


Andam por aí, na net, uns blogues de aparentes leitores fervorosos e dedicados, elogiando livros. Por vezes, até têm fotografia dos (das) testas de ferro, que fazem este serviço disfarçado, mercenário e um pouco sujo, a troco duns trocos. Ou recebendo, em paga, uns livritos de refugo, que as editoras não vendem e pensam vir a guilhotinar. Essas pessoas são apenas o braço armado, na net, de algumas editoras pouco escrupulosas. Depois, e acriticamente, essa gentinha vil faz umas observações sobre as obras, às vezes retiradas das badanas, e/ou, normalmente, de muito má qualidade crítica e literária, como as costureiras costumam fazer remendos nas meias puídas. O pior é que algumas almas simples, que também por aí andam, acreditam na bondade e pureza destas informações e lá vão comprando esses livros de refugo.
Já não nos bastavam os publicistas travestidos de escritores!...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Livros e monopólios


Tirando algumas pequenas (poucas) editoras marginais, estimáveis, o negócio da edição está hoje dominado por dois (Leya, Porto Editora) ou três gigantescos conglomerados monopolistas que ditam todas as regras, até mesmo a autores já consagrados. E definem ou sufocam a liberdade das livrarias e do seu honesto comércio, impondo condições sem arbítrio, nem ética.
É possivel que tenha sido Herberto Helder (1930) que preferiu que o seu livro A Morte sem Mestre, hoje posto à venda, saísse sob a chancela da Porto Editora, em vez da habitual Assírio e Alvim - já integrada no Grupo - que patrocinara as suas últimas obras. Mas não creio que ele abençoasse a campanha de marketing saloio da montra do Chiado, da Livraria Bertrand, que também já pertence à Porto Editora. Desde a semana passada, um cartaz, na Bertrand anunciava, sob a imagem da capa da obra de H. H., a mágica palavra: Pré-Venda. Que consistia em que o putativo, interessado e futuro leitor assinasse uma lista de reserva de compra...
Hoje, há bicha, na Feira do Livro e no pavilhão-barraca da Porto Editora, para compra da obra-espectáculo que, após pagamento, é entregue já embrulhada em papel celofane. Só faltam os foguetes e as palmas!
Entretanto, as livrarias desamparadas não sabem ainda qual o preço do livro, quando o vão receber, nem quantos exemplares lhe irão caber. É a Porto Editora que estabelece as quotas. Sem recurso, nem apelo. Pobre do Herberto Helder, que nem disto deve saber. E é melhor que nunca saiba...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Transferências e monopólios


Jeremy Treglown (1946), no seu comentário do TLS (nº5781) refere:
...I have a book coming out from Chatto and Windus in March, twenty-two months after it was delivered. Who am I, though - who are we, me and my little publishers - to complain? Chatto long ago became part of the Chatto-Virago-Bodley-Head-Cape group, which became part of Bertelsmann, of which Penguin has now became part...
O mesmo vai acontecendo na Alemanha, na França... Como matrioskas vorazes, as editoras vão-se engolindo umas às outras, num projecto inconfessável de uniformização, domínio e poder globalizante. O que tornava humanas e de personalidade própria cada uma das editoras portuguesas, era o seu lado específico de temas, a sua apurada qualidade, o tratamento, quase familiar e amigo, com que cada uma tratava os seus autores.
Por isso, não me surpreendeu muito a notícia de que escritores como Sousa Tavares, João Tordo, Peixoto, Sophia e Saramago tivessem rescindido (eles ou os herdeiros) os contratos que, há longo tempo, os ligavam a editoras. Tudo se vai assemelhando, pelo lado pior, porque as regras cavalheirescas e humanas, que eram a parte mais nobre que presidia ao negócio dos livros, parece que se vão, cada vez mais, aproximando dos escuros e mercantis negócios que presidem e predominam no futebol.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Conglomerados


Mais do que centenária, porque foi fundada em 1876,  a editora francesa Flammarion que, desde 2000, pertencia ao grupo italiano Rizzoli, está de novo à venda. Lá, como cá...
Anote-se, como curiosidade, que o seu último best-seller foi  Je suis faite comme ça, livro de memórias de cantora Juliette Gréco.