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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Pequena história (53)


Nem todos os modelos de pintores ou escultores são conhecidos. Há muitos corpos anónimos e rostos sem nome que ocupam lugares destacados em museus e galerias de arte, por esse mundo fora, mas de quem nada ou quase nada sabemos, hoje. Muito menos, das suas vidas.
Edgar Degas (1834-1917) dedicou uma boa parte da sua obra escultórica (e de pintura) à Dança, actividade artística que ele muito apreciava. Uma das suas mais conhecidas esculturas, Petite danseuse de catorze ans, exibida, em 1881, pela primeira vez, teve fraca adesão do público e da crítica. Hoje, porém, é uma das suas esculturas mais célebres, e consideradas.


Os esboços preparatórios para a execução da obra foram muitos. Sempre tendo como modelo uma jovem bailarina e, às vezes, uma sua irmã, filhas ambas de emigrantes belgas; a primeira, de nome Marie Geneviève van Goethem (1865-1900) que trabalhava no corpo de ballet da Ópera de Paris.


Os tempos frequentes que ela dedicava a posar para Degas, obrigavam-na a faltar, muitas vezes, aos ensaios na Ópera. De tal modo que, pouco tempo depois da escultura estar terminada, a pequena bailarina foi despedida.

Para além de uma foto conjunta de Marie Geneviève, junto da escultura para que serviu de modelo, pouco mais se sabe da sua vida que, aliás, foi breve e obscura.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A par e passo 165


O grande pintor Degas falou-me muitas vezes de uma observação de Mallarmé, que é muito apropriada e simples. Degas, às vezes, escrevia versos, e deixou alguns deliciosos. Mas tinha grandes dificuldades nesse trabalho acessório da sua pintura. (Aliás, ele era pessoa para pôr em qualquer arte, que praticasse, inúmeras dificuldades.) Disse ele um dia a Mallarmé: "O seu ofício é infernal. Eu nunca consigo fazer aquilo que quero, embora tenha imensas ideias..." E Mallarmé respondeu-lhe: "Não é com ideias, meu caro Degas, que se fazem versos. É com palavras."

Paul Valéry, in Variété V (pg. 141).


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Os universos diminutos


Tive, hoje, uma afirmação arriscada, talvez, até, insuficientemente fundamentada. Disse eu: "Presentemente, creio que mais de 90% da cultura é colhida na net, e da pior das formas..." E acrescentei: "Quando um(a) visitante francês(a), e de Paris, vem ao pobre do Arpose, para colher a imagem de uma tela de Degas, está tudo dito!..." (Aqui representada, encimando o poste.)
Onde é que me apeteceria estar?!

domingo, 21 de julho de 2013

Ver melhor, ou pior


O facto de conhecermos, pessoalmente, um artista não nos habilita, à partida, à possibilidade de melhor avaliarmos, criticamente, a qualidade da sua obra, seja ela poética, pictural ou romanesca. A benevolência e o peso da amizade podem até prejudicar seriamente a isenção. Muito embora a convivência humana ajude a perceber melhor as motivações dessa obra, e o seu método. Tão só.
O trabalho de Valéry (Degas / Danse / Dessin), sobre a obra de Edgar Degas é, pelos aspectos referidos acima, um exercício frio de inteligência que tenta, paciente e continuamente, apagar as atenuantes da simpatia e amizade, em função do primado da visão estética pura e do espírito crítico. Colocando, no primeiro patamar, a importância ou valor da Arte.
Convenhamos que não é tarefa simples.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Nu, segundo Valéry, e a propósito de Degas


"...Ainda há poucos anos, o médico, o pintor e o freguês de casas de passe eram os únicos mortais que conheciam o nu, cada um segundo o seu mester. Os amantes praticavam-no com medida; mas um homem que bebe não é necessariamente um verdadeiro amador e conhecedor de vinhos. A embriaguês não tem nada a ver com conhecimento.
O Nu era coisa sagrada, isto é, impura. Permitiam-no às estátuas, por vezes com algumas reservas. As pessoas graves tinham-lhe horror no seu estado vivo, admiravam-no em mármore. Toda a gente sentia confusamente que nem o Estado, nem a Justiça, nem o Ensino, nem os Cultos, nem nada de sério poderia funcionar se a verdade fosse inteiramente visível. É preciso um traje próprio para o juíz, para o padre, para o mestre, porque a sua nudez arruinaria tudo aquilo que tem o dever e terá de ser impecável e inumano numa personagem que encarna uma abstracção.
O Nu não tinha em suma senão dois significados nos espíritos: tanto, o símbolo do Belo; como também o do Obsceno. ..."

Paul Valéry, in Degas, Danse, Dessin (pg. 110).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Jantar com Degas


Já aqui transcrevi algumas palavras de Valéry sobre a ternura muito especial do seu amigo e pintor Edgar Degas, com quem ele privou de perto. Algumas vezes jantaram os dois, em casa do Artista, com a presença discreta, até certo ponto, da governanta Zoé. É esse apontamento curioso que passo a traduzir:
"...Neste apartamento do segundo andar encontrava-se uma sala de jantar onde eu comi bem tristemente muitas vezes.
Degas temia a prisão de ventre e a inflamação intestinal. A vitela demasiado ao natural e o macarrão cozido em água límpida muito lentamente, que nos servia a velha Zoé, era duma rigorosa insipidez. Era necessário comer em seguida um tipo de geleia de laranjas de Dundee que eu não suportava, mas que acabei por aceitar e que, julgo, já não detesto agora, por causa da recordação. Se acontece eu saborear, presentemente, este puré entremeado por pequenas tirinhas cor de cenoura, parece que me reencontro de novo sentado em frente de um velho homem terrivelmente solitário, entregue a lúgubres reflexões, privado, pelo estado dos seus olhos, do trabalho que foi toda a sua vida. Ele oferece-me um cigarro, tão duro como um lápis, que eu faço rolar entre as palmas das minhas mãos para o tornar fumável; e este movimento, de cada vez, mais o interessa. Zoé traz o café, apoia o seu grande ventre na mesa, e conversa; ela fala muito bem; parece que foi preceptora: os enormes óculos redondos que traz dão um ar sábio ao seu rosto largo, honesto e sempre sério. ..."

Paul Valéry, in Degas Danse Dessin (pgs. 50/51).

domingo, 13 de janeiro de 2013

Valéry sobre Degas e as Musas


"Degas, cuja ternura abrangia poucas coisas, não desarmava senão em relação à crítica e às teorias. Dizia, com convicção - e mais tarde repisava, - que as Musas nunca discutiam entre elas. Trabalhavam todos os dias, isoladamente. Findo o dia e a tarefa, cumprida, voltavam a encontrar-se, e dançavam: elas não falavam, nunca."
Paul Valéry, in Degas Danse Dessin (1938).

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Degas



De uma família da alta burguesia, Edgar Degas nasceu em Paris, a 19 de Julho de 1834, e aí veio a falecer em 1917. Talvez pelas origens, não foi, seguramente, um inovador, mas acompanhou, num classicismo actualizado, os seus pares do Impressionismo. Mas há, também, uma elegância estética em toda a sua obra. Colorista que acompanhava o traço, como ele disse por palavras próprias, tinha uma personalidade forte, embora fosse discreto e alguns contemporâneos o considerassem misantropo. O movimento é uma das suas marcas de água, sublinhado pelo traço dos seus desenhos.
O canónico seria, talvez, eu usar, nesta memória do seu aniversário, um quadro onde houvesse bailarinas... Mas como também gosto de cavalos, pelo seu nobre porte e elegância estética, preferi este desenho e esta tela, onde aparecem. É óbvio que aprecio muito a pintura de Degas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Degas


Clássico, ainda que prenunciando o modernismo, os seus quadros não dispensam o desenho cerrado, anterior à estética sóbria das cores que, depois, irão dissimular os traços e arquitectura de movimento das suas obras. Edgar Degas, nascido a 19 de Julho de 1834, no seio de uma família da alta burguesia de Paris (o pai era banqueiro), fez estudos canónicos de aprendizagem de Pintura, passando pela École de Beaux-Arts. Pouco atraído pela paisagem ("L'air que l'on respire dans un tableau, ce n'est pas la même chose que l'air qu'on respire dehors"), pintou sobretudo interiores e figuras humanas. O teatro, a dança, os bares parisienses são os seus cenários favoritos. Degas faleceu em Paris, cidade onde tinha nascido, em 1917.
O retrato de Carlo Pellegrini, que está na Tate, é um dos meus preferidos do Pintor francês.