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sexta-feira, 2 de março de 2018

Dos contos, como ficção

Não sei se hoje os leitores contumazes costumam ler muitos contos. Mas creio que as editoras preferem editar aqueles tijolos, que vemos muito pelos transportes públicos. E que permitem aos putativos e ocasionais leitores, sem grande concentração (eu creio que também há leitura automática!...), entreter, sem pensarem muito e à tona, o seu tempo de deslocação.



Durante uma boa parte da minha vida, sobretudo até à maturidade, eu comprava muitos livros de contos. E havia bons contistas portugueses. O meu tempo livre não era muito, mas era muito intercalado e havia contos, de 3 ou 4 páginas, admiráveis, que deixavam um rasto prolongado, e imorredouro, na minha memória. Estou a lembrar-me de pequenas narrativas de Somerset Maugam ou de Guy de Maupassant, por exemplo.



Na altura, eu não era esquisito. Quanto aos de temática policial, Edgar Allan Poe ou Conan Doyle eram dos meus preferidos. Na índole histórica, Alexandre Herculano e as suas Lendas e Narrativas mereciam-me emoção e respeito. De pura ficção, mais moderna, para ser justo, terei de lembrar vários contos de  Jorge de Sena e Cardoso Pires. E muitos outros, que seria fastidioso, aqui, enumerar.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O fracturante E. A. Poe


Na segunda metade do século XIX e uma boa parte do XX, Edgar Allan Poe (1809-1849) era mais apreciado em França (Baudelaire, Mallarmé, Valéry...) do que no seu próprio país, E. U. A., nascido que fora em Boston. Não sei até que ponto as suas histórias de terror e de macabro marcaram ou excluíram a sua restante obra dos puristas cânones literários americanos. É significativo o facto de, apenas em Outubro de 2014, os bostonianos terem decidido erigir-lhe uma estátua, da autoria de Stefanie Rocknack.
Alinhem-se, então, algumas opiniões (negativas) sobre a obra de E. A. Poe:
- "Não sei o que vêem no poema The Raven" - Ralph Waldo Emerson.
- "O entusiasmo por Poe denuncia um estado primitivo de reflexão" - Henry James.
- "Uma boa parte dos poemas de Poe são um amontoado de vulgaridades e lugares comuns" - Yeats.
- Aldous Huxley explicava que a admiração dos franceses por Poe se poderia explicar por eles não terem sensibilidade acústica para a língua inglesa...
- "A obra de Poe é de uma palpável vulgaridade" - Harold Bloom.
Em contraponto com estas opiniões negativas, anote-se a análise crítica meritória que T. S. Eliot sempre fez da poesia de Edgar Allan Poe.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Da Literatura, dita policial



Não tenho andado muito virado para a ficção, pura e dura, ultimamente. E, por isso, tenho um Faulkner a meio, já há uns tempos. Quando há fastio geral, de leitura, já sei o remédio: pego num Simenon...e tudo recomeça. Sempre foi o melhor aperitivo para continuar a ler.
Mas, aqui há uma semana, deu-me vontade de encetar um policial. Saíu na rifa "Morte em Roma (nº 393, da Colecção Vampiro), de Hartley Howard. Li-o depressa - é movimentado, bem escrito, e chega. Pertence, no entanto, aos inúmeros policiais, falsos para mim, onde não entra dedução, nem honestidade narrativa, ou seja, os conhecimentos do leitor, ao longo da leitura, são sempre inferiores ao do autor, que esconde sempre alguns factos importantes. Piores do que estes são os romances policiais de Peter Cheyney, de Mickey Spillane que são autênticos arraiais de pancadaria e violência, e as obras anódinas de Leslie Charteries, com o Santo aventureiro.
Tenho que confessar que, em matéria de romance policial, sou um purista conservador. Para mim um autêntico romance policial tem que ter descoberta, investigação e dedução analítica, articulação especulativa, e o leitor deve ter sempre, e honestamente, os mesmos conhecimentos do autor, ao longo da narrativa. No fundo e em resumo deve cumprir as "Vinte regras para escrever histórias policiais" que S. S. van Dine (Willard Huntington Wright) teorizou, para sempre quanto a mim, em 1928. Infelizmente, as editoras metem de tudo nas suas colecções de detectives, até mesmo na clássica e longeva "Vampiro".
Por isso, para mim, os verdadeiros autores policiais são muito poucos: Poe, Conan Doyle, E. S. Gardner, Agatha Christie, o próprio S. S. van Dine, e algum Rex Stout. Na primeira linha está, obviamente, Georges Simenon que é um caso à parte e único. Singulares, também, são Raymond Chandler e Dashiell Hammet, mas apelidá-los-ia de autores de romance negro - parece-me mais ajustado.
Nem os recentes, badalados e modernos Catherine Aird, Andrea Camillery, Ruth Rendell e Vázquez Montalbán fazem as minhas preferências, porque não cumprem as regras essenciais em relação ao leitor. Mas tenho que me conformar: vou iniciar, em breve, "Perfídia que mata" (nº 506, da colecção Vampiro), de Nicolas Freeling. Mas não tenho grandes ilusões, quanto a ser um verdadeiro clássico...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Favoritos XLVII : Conan Doyle



Creio que o primeiro livro policial que li, terá sido um conto em que entrava Sherlock Holmes, de Arthur Ignatius Conan Doyle (1859-1930). Antes dele, houve Edgar Allan Poe (1809-1849) e, depois, S. S. van Dine e Georges Simenon - que fazem o meu quadrado perfeito em literatura policial, com alguns mais (poucos), em segunda linha.
Conan Doyle nasceu em Edimburgo, a 22 de Maio de 1859, de pais irlandeses. Foi oftalmologista, escritor, e morreu a 7 de Julho de 1930, de ataque cardíaco. Dizem que as suas últimas palavras terão sido para a sua segunda mulher. Terá dito: "You are wonderful!" Eu sempre achei que Sherlock Holmes era um detective romântico...