Mostrar mensagens com a etiqueta Edward Hopper. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edward Hopper. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (180)

 


O fotógrafo nova-iorquino Richard Tuschman, nascido no ano de 1956, pelas suas obras é um magnífico contraponto das singulares pinturas do norte-americano Edward Hopper (1882-1867).




segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (116)


Quem frequenta o Arpose, já se terá apercebido decerto que eu privilegio a fotografia a preto e branco, muito embora não exclua, totalmente, a iconografia a cores quando a qualidade o merece e justifica.



Será o caso da obra excepcional do fotógrafo italiano Luigi Ghirri (1943-1992), que teve vida breve, porque o coração o atraiçoou muito cedo, embora a revista Life tenha dado por ele, ainda a tempo da sua colaboração.



Nas suas fotografias, Ghirri parece ter arredado tudo aquilo que seria supérfluo, fixando apenas o essencial da beleza, claridade e da geometria. Talvez seja por isso que eu tenho grande dificuldade em falar das suas fotos. E apenas me apeteça dizer que as suas imagens me convocam, por associação inesperada, alguns quadros de Hopper, Morandi e Chirico, muitas vezes.


domingo, 22 de julho de 2012

Divagações pessoais sobre E. Hopper



Há como que um segredo bem guardado em cada uma das pinturas de Edward Hopper, pintor americano, nascido a 22 de Julho de 1882. Segredo que provoca um estranho fascínio e curiosidade, em quem observa os seus quadros. Porque os seus cartazes são certeiros e objectivos. O seu interesse por Freud e o subconsciente talvez ajudem, um pouco, a explicar os seus trabalhos.
Nos quadros, há uma preocupação de centralizar o essencial e raros são os adereços secundários que nos possam distrair. E, o essencial é, para Hopper, verdadeiramente, a figura humana - a ler, esperando na noite, individualizada sempre na sua interioridade ou, se preferirmos, na sua solidão. Mesmo que, por vezes, se encontre integrada em grupo.
Mas, como ele disse: "A resposta inteira está nas telas."
Edward Hopper morreu no seu estúdio de N. Iorque, a 15 de Maio de 1967.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A angústia do empregado, antes do fecho


A última meia hora era sempre  a pior. Já a Adelaide tinha saído, deixando a copa a brilhar e os panos húmidos, pendurados, a secar. Não antes de, às escondidas e disfarçadamente, dar uma golada na S. Domingos, para o frio do caminho, que ela morava longe. E ele fingia que não via - perdoava.
Já pouca gente viria. Pontualmente, e dez minutos antes de fechar, chegava o casal de meia idade para o café de depois do jantar. E, na música-ambiente sucediam-se, impreteríveis, o Ray Conniff, o Mantovani e o Bacharach, diariamente, até que ele desligasse.
Mas hoje, um cliente desconhecido, que já ia no terceiro whisky, tamborilava no balcão e entoava, pausadamente: "Nas nossas ruas, ao anoitecer...", numa lúgubre melopeia oscilante, que lhe deu angústia. Faltava pô-lo na rua, desligar a máquina de café e as luzes, silenciar a música, despir a farda, ir-se embora. Atravessar, depois, a pequena ponte sobre a ribeira, que já ia alta e barrenta. E, hoje, que chovia tanto...
A casa, quando chegasse, devia estar muito fria. E o desconhecido cliente lá continuava a tamborilar no balcão e a cantarolar: "...há tal soturnidade, há tal melancolia..." Um arrepio gélido chegou-lhe ao coração. E os minutos nunca mais passavam.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nunca é demais lembrar


Eros

Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes.

Eugénio de Andrade (1923-2005), in Mar de Setembro.