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segunda-feira, 31 de julho de 2017

António Reis, realizador e poeta


Sei que o autor era conhecido, já antes, em círculos restritos portuenses em que se lia poesia e se ia ao cinema, com alguma devoção. Mas para muita gente, e para mim, que gostava ou fazia poesia, a publicação, em 1967, de Poemas Quotidianos, de António Reis (1927-1991), pela Portugália, foi uma pedrada no charco. Porque era uma poesia muito singular, subjectiva mas atenta, despida de atavios, para a época, e fora editada na prestigiada colecção Poetas de Hoje.

Depois das 7
as montras são mais íntimas

A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa

E a luz
torna mais belo
e mais útil
cada objecto

Lido este poema, pelo livro emprestado na altura por um amigo, vi que estava perante um poeta diferente, sério perante a vida, atento aos pequenos sinais de existir. Não me lembro já do que Eduardo Prado Coelho, no prefácio da edição da Portugália, dizia desta poesia do quotidiano anónimo dos homens sem história. Por preocupada arrumação, classificaram estes poemas de António Reis no segundo neo-realismo. O que me parece, hoje, muito redutor.
Agora que, passados 50 anos, a Tinta da China, em boa hora resolveu reeditar o livro, fala-se em Guillevic, como seu parente de influência. Talvez. Mas ao poeta francês falta-lhe a ternura, que António Reis sabe usar com parcimónia natural. Vejo-o mais próximo de Saúl Dias (Júlio, como pintor, irmão de José Régio), embora mais urbano e atento aos ruídos da cidade.
Talvez por isso, António Reis terá deixado de escrever versos, depois, e filmou Trás-os-Montes (1976). Cansado, provavelmente, da cidade e dos seus artifícios, tentadores mas efémeros.
Seria quase desnecessário dizer que recomendo, vivamente, este livro de poemas.

agradecimentos a ms, afectuosamente.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Impromptu (31)


Por mero acaso e coincidência, comprei, hoje, usado, um livro de Eduardo Prado Coelho (1944-2007), precisamente no dia em que, se fosse vivo, completaria 73 anos, nascido que foi a 29 de Março.
A notícia da sua morte surpreendeu-me na Foz do Arelho, num  Agosto frio, quase no final do mês, e quando nada o fazia prever.
Hoje, passados quase 10 anos sobre a sua morte, penso, é certo que com alguma crueza, que teve um destino à portuguesa: malbaratou o seu talento, dispersando-o em pequenos trabalhos, crónicas, 5 ou 6 livros e intervenções diversas, actualmente, esquecidas ou quase. Mas ainda me lembro do seu início, na Casa da Imprensa, nos tempos do DL-Juvenil, na segunda metade dos anos 60, a apresentar Roger Garaudy (1913-2012), um ícone da época. E será que ainda haverá muita gente a lembrar-se de Garaudy?

sábado, 11 de maio de 2013

O "Clássico"


Ia eu muito tranquilo, pela rua, quando me cruzei afortunadamente com o meu amigo A. B. S. P. que, apercebi-me logo, estava muito nervoso. E exasperado, porque,  antes que eu tivesse tempo de acender o cigarro, disparou: "- Já viste? Centenas de polícias para um Benfica-Porto, não lembra uma cimeira da Nato... Imagina a despesa! E andam por aí umas virgens ofendidas a queixarem-se das despesas e gorduras do Estado e das PPPês..."
Eu fiz que sim, silencioso, com a cabeça, mas ele continuou, tonitruante: "- A culpa começou no E. P. C., que na sua obsessão do share, principiou a fazer a apologia do futebol nas páginas literárias e levou aquela carneirada toda de intelectuais atrás. Azêmolas, que no tempo do Salazar, fingiam desprezar os 3 efes. Vê lá tu que, hoje, a Polícia, antes do jogo, até  já teve que disparar as shotguns!... Imagina a despesa, só em balas!?"
Eu sei que o meu amigo é do Sporting e reformado, mas nunca o tinha visto assim tão fora de si, e comecei a sentir-me incomodado. Apesar de, a maior parte das vezes, por não apreciar futebol, nem ter um clube de referência, me sentir, muito intimamente, um pária ou um E.T.. E, cobardemente, porque comecei a ficar agoniado, disse-lhe, balbuciante: "Desculpa, mas tenho um encontro marcado, antes do almoço." E despedi-me, rapidamente.
Confesso que os bifinhos de porco, de coentrada, nem me souberam bem...

sábado, 30 de março de 2013

acidentalmente, e sobre a memória


A sociedade portuguesa anda envenenada e confundida, mas não me lembro que E. P. C. tenha traduzido, alguma vez, Montale, como as search words ("eugenio montale traduzido eduardo prado coelho") de um cibernauta alfacinha deixariam supor, e que chegaram até ao Arpose, hoje, pela mão canhestra e parva do Google.
Pessoas há em que a memória mal se inscreve: vivem um presente contínuo. E talvez sejam felizes, à sua tona de água.
Eu olho para a varanda a sul, para o limoeiro que, depois da tosquia profunda de Inverno, só consegue ressurgir tímido e de poucas folhas, e não consigo esquecer quatro ou cinco limoeiros viçosos, na minha vida passada. Mas não sou infeliz. Ainda, para mais, o sol ilumina os tenros rebentos da Primavera leviana deste ano rigoroso. E quase me chega, de esperança. Coisa pouca, convenhamos, para quem tenha sonhos altos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Ressonâncias e recordações


Há nomes de terras que nos trazem desencontradas memórias. Da Foz do Arelho, que esta bela fotografia de P. F. fixou, ao fim da tarde, lembro-me do frio que lá passei, num Agosto de há 6 anos e da notícia da morte de Eduardo Prado Coelho. Sensações inesperadas , uma, que me fez ligar o calorífero no quarto, à noite, de um mês que era suposto ser quente; a outra, o desconforto de uma morte insuspeitada. É de Évora, também, a recordação de ter sabido, pelo jornal da manhã, do falecimento da Mulher de um amigo estimado. Ou de hoje, por telefone, em Lisboa, ter notícia da agonia, sem remédio, da Irmã de uma amiga, lá longe, em França. Há quem diga que cidades e terras são marcadas, muitas vezes, por amores e mortes, na nossa memória, embora eu ache a frase excessivamente dramática. 
Por Dezembro de 2012, ao entardecer, pelo término da Lagoa de Óbidos, andavam a fazer Kitesurf  (prancha + vela [papagaio]), segundo me esclareceu AVP. E P. F. achou por bem fixar o momento, e fêz bem. Se eu tenho um Amigo que, muitas vezes, fica angustiado com o final do dia, eu não comungo da mesma sensação. Acho que é uma imagem de tranquilidade, esta que a fotografia transmite. Mesmo que seja de um lugar que, por recordações, me traz à memória desencontradas impressões pessoais.

Os melhores agradecimentos a P. F., através do envio amigo de AVP.

domingo, 4 de março de 2012

Não batam mais na ceguinha da Justiça, à portuguesa


Diz o povo (português), com a razão do tempo, do sofrimento secular e do bom senso, que: "Atrás de mim virá, quem de mim melhor fará". De representantes, tutores, procuradores, bem melhor fora que não precisássemos deles.
O último, e presente, fala "achim", mas decerto gostaria de ser rainha da Inglaterra. O anterior era esquivo, fugidio e desastrado nas declarações. O primeiro, que toda a gente achava pernóstico e convencido, era sóbrio e organizado nas palavras.
Convenhamos que, cronologicamente e em comparação, Rodrigues era um senhor. Moura merecia bem a alcunha que E.P.C. lhe pôs: de "gato constipado". E o terceiro, beirão e Monteiro, parece nada mais ser que um "chico esperto" que não anda nem desanda. E não convence ninguém.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A imensa minoria


O autor da frase usada no título deste poste foi Juan Ramón Jimenez, que a utilizou, como dedicatória abstracta (embora, objectivamente), nos últimos livros que publicou. A frase foi usada, algumas vezes, por Eduardo Prado Coelho, nalguns escritos e crónicas, mas creio que nunca lhe apontou a autoria, alheia. Por isso, e antes de mais: "o seu a seu dono".
Esta frase, especialmente aplicada por Jimenez aos seus leitores de poesia, veio-me à memória num recente colóquio, sobre leitura, a que assisti. Falou-se de literatura "light", de poesia em geral, dos livros(-tijolo - H. N. dixit), dos sucessos mediáticos  e da venda das obras (muitas vezes, más) dos pivots da Tv e outras celebridades efémeras que passeiam a sua juventude (breve, mas bem aproveitada), pelas revistas róseas...
Pragmática e objectivamente, não podemos ter a veleidade de esperar que só a boa literatura, a boa música, a boa pintura prevaleçam. O vulgo (e não me intrepretem como elitista, por favor!) continuará a gostar de música pimba, sempre, e da pintura "à Millet", com o menino de lágrima ao canto do olho, que é um best-seller nas feiras populares, por todo o país...
Se nos anos 60/70 havia uma crítica rigorosa (embora, politicamente, nem sempre isenta) que destruía, argumentativa e racionalmente, a má prosa e a má poesia, hoje, infeliz e francamente, crítica literária é coisa que não existe. E a que se faz, sob esse nome, é uma mera aparência de recensão crítica, impressionista e no seu pior sentido etimológico. Não há guias que informem: é "todos ao molho e fé em deus!" O Tempo dirá...
Por isso é que tanta indigência artística chega aos tops.
Mas mesmo em tempos mais esclarecidos e racionais, também havia casos inexplicáveis. Um dos melhores livros de Poesia lírica, do século passado, "As Mãos e os Frutos" de Eugénio de Andrade, por exemplo, publicado em 1948, demorou 18 anos a vender-se e a ficar esgotado.. E não teve uma grande tiragem. Daí fazer todo o sentido a epígrafe sucinta de Juan Ramón Jimenez: " A la inmensa minoría". E, nos tempos que correm, ainda mais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um fado, a leste

Sabia pouco de Mísia, até ontem. Para lá dum certo exotismo trabalhado, que tinha de memória visual, e de um rasgado elogio de E. P. C. - que não ajudou nada -, pouco mais. Mas, ontem, ao ouvir as respostas de Mísia, numa entrevista, dei-lhe o meu benefício de dúvida. E ouvi-a. Daí este fado singular, fora de tempo e horas. Para resmonear.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Citações XL : Unamuno (e a raínha de Inglaterra)



"Portugal, povo de suicidas", Miguel de Unamuno (1864-1936).

A frase de Unamuno decorre do seu conhecimento, de viagens que fez a Portugal (1907-1909) e de contactos amigos que estabeleceu com Manuel Laranjeira (1877-1912) que se suicidou; mas reporta-se, também, a Antero, Soares dos Reis, Camilo e Mouzinho de Albuquerque. Como poderia tambem incluir Florbela Espanca e outros. Mas estes foram suicídios físicos de portugueses, nessa época.
Agora, assistimos ao "hara-kiri" do nosso PGR que se considera uma "raínha de Inglaterra", pelos seus fracos poderes. Se não tivesse havido, primeiramente, Cunha Rodrigues, cujo mandato me pareceu positivo, e apenas o "gato constipado" (assim crismado por Eduardo Prado Coelho), com a sua gaguez interventiva, sobretudo no processo "Casa Pia", que me pareceu desastrado, eu até aceitaria, se calhar, esta "auto-entronização" de Pinto Monteiro. A que se seguiu o duelo funambulesco entre o Sindicato de Juízes e o PGR. Sejam discretos, meus senhores! Ou, então, andem à pancada, mas dentro de casa...
Até me apetece - plagiando um velho ditado português - rifonar e dizer : Casa onde não há justiça, todos ralham, ninguém se justifica...