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quinta-feira, 6 de julho de 2023

O separar das águas



Para um observador mais atento há, quase sempre, pequenos sinais de futuro no presente. O último Colóquio, na temática principal, dedica os artigos importantes a Eduardo Lourenço (1923-2020) e a Eugénio de Andrade (2023-2005), a propósito dos dois centenários de nascimento que se celebram este ano.
Porém há uma diferença de tomo*: o ensaista ocupa, em folhas de texto, muito mais do dobro das páginas que abordam o poeta, na publicação da Fundação Gulbenkian. Apraz-me lembrar Pessoa que dizia: "Como a família é verdade!". E tem peso, acrescentaria eu. 
Estão definidos, quanto a mim, os tempos de eternidade de cada um dos artistas nos arquivos do futuro...

* embora não fizessem como a BNP que, indesculpavelmente, omitiu por completo a celebração do centenário do Poeta.

domingo, 25 de abril de 2021

Em tempo e como referência

A atmosfera nacional não permite celebrar na euforia o quarto aniversário da Revolução. Os povos não apreciam, aliás, as festas que eles próprios não concebem como expressão da sua alegria, força, vitalidade e autocelebração. Não há festejos de encomenda, nem celebrações ritmadas pelo acaso do calendário. Nas vésperas deste quarto aniversário, a Esquerda portuguesa não tem o direito de se enganar, nem de inimigo nem de alegria.

Eduardo Lourenço (1923-2020), in O Complexo de Marx (1979), pg. 180.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Divagações 166


Numa das suas últimas entrevistas, reproduzida no JL especial editado aquando da sua desaparição do mundo dos vivos, Eduardo Lourenço (1923-2020), a propósito da morte, falava de números. Lembrei-me que, durante a guerra colonial (1961-1974), nos jornais portugueses e em local pouco destacado, quase diariamente, aparecia o número das baixas humanas, nos vários teatros de guerra. Em média era o número 3. Curiosamente, como agora com a pandemia, é um algarismo anónimo, embora muito maior, e descriminado por diversas alíneas, que aparece, quotidiano... 

O terrorista é agora o Covid-19, inimigo oculto e anónimo também, mas que parece ter uma personalidade própria, agressiva e letal. E que não conseguimos perceber se luta para ele próprio conseguir sobreviver ou se apenas pretende ceifar e ceifar, indiscriminadamente, apenas para destruir, cada vez mais, em números indiferentes e arrasadores, os seres humanos. Numa contabilidade impiedosa e cega. Mesmo que o nosso não fosse um tempo em que a economia predomina e submerge tudo, também assim a palavra cada vez perde mais espaço. Cedendo o lugar aos números. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Eduardo - Eugénio

 




Eduardo Lourenço (1923-2020)

Num país sem filósofos e apenas pretensos pensadores auto-nomeados, Eduardo Lourenço foi um notável ensaísta, e acompanhante crítico do que em literatura se foi publicando em Portugal. Mas, também em política, foi julgando e interpretando o que se foi fazendo por nós, sobretudo na segunda metade do século XX. A sua Heterodoxia (1949) demarcou, inicialmente, a equidistância saudável do seu pensamento livre.


Deixou-nos hoje, bem como nos legou uma obra escrita de qualidade, que nos permite pensar melhor Portugal.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ad usum delphini (7)


Penso que nós, portugueses, temos uma enorme dificuldade em fazer transitar de forma escorreita e simples, para um documentário ou filme, a vida e percurso de qualquer personalidade nacional. Sai, normalmente, qualquer coisa de canhestro ou pernóstico, artificial e caricato. Às vezes, um produto a tender para o intelectualóide despropositado, quase ridículo.
Mas este documento fílmico, talvez feito com as mais puras e honestas intenções, tem um tal conjunto imprevisto de celebridades lusitanas, tentando desempenhar da melhor maneira o seu papel, que eu não resisti, a deixá-lo registado, aqui, no Arpose, para arquivo e memória futuros.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Do que fui lendo por aí... (8)


Às vezes, vemo-nos melhor de fora, imersos na realidade de outro país. Apercebemo-nos, com maior acuidade das virtudes e dos defeitos deste nosso povo de portugueses. Estão por aí palavras duras, como punhos, de Jorge de Sena, ou palavras pensadas, maduramente, de Eduardo Lourenço e José Gil, sobre os portugueses, para citar apenas três dos mais recentes escritores da nossa diáspora, crónica. 
Há dias, tive ocasião de ler uma saborosa entrevista de Onésimo Teotónio Almeida (1947), ao  jornal Expresso, em que este açoreano, catedrático da Universidade de Brown, radicado há 45 anos nos E. U. A., também discreteava, com irónica sabedoria sobre os nossos hábitos, virtudes e defeitos.
Na altura, fiz alguns sublinhados nas suas palavras, que vou passar a transcrever:

" A nossa geografia e a nossa arquitetura não são grandiosas, mas são graciosas. Felizmente, graças aos apoios europeus, preservou-se o centro de muitas cidades e vilas históricas. Guimarães é um exemplo, mas também Melgaço, Monção, Valença, Ponte de Lima, Amarante, a Beira está cheia de vilas dessas, o Alentejo também..."
...
" Irrita-me o barulho que se faz à mesa nos jantares, não se consegue conversar. Há pouca curiosidade em conversar sobre assuntos mais sérios, dificilmente se dialoga. Depois, as pessoas aqui sabem tudo sobre o mundo, têm sempre lições e soluções para todas as questões. Fala-se muito e ouve-se pouco."
...
" Quando discuto ideias, discuto-as muito a sério. Em Portugal, acabo a contar anedotas e histórias porque não dá para muito mais. Em vez de me irritar, passa-se um serão agradável entre amigos."

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Osmose 83


Numa recente entrevista, Eduardo Lourenço (1923) referia-se, e por palavras suas, a que: só existimos em função dos outros. Eu acrescentaria que, em casos extremos, nós somos e temos razão de ser nos outros. Finalmente (referi-o há dias), só vivemos a morte nos outros e dos outros, que a nossa é sempre imaginavelmente abstracta e presumível, mas nunca será vivida, em consciência total. Como também, conviria acrescentar, que a palavra sobrevivente (de um acidente, da guerra, do holocausto...) é das mais falsas do vocabulário universal, quando aplicada ao ser humano, porque a morte nunca interrompe o seu curso. Apenas o pode adiar.
Voltando aos outros. Que são o nosso espelho real, e reflectem, mais ou menos conscientemente, as nossas diversas facetas. Há amigos com quem (melhor) pensamos e amigos com quem (melhor) sentimos. Amigos com quem partilhamos leituras e aqueles com quem vamos construindo um breviário estético de eleição perene. Amigos que escolhemos para viver  alegrias e outros que melhor sabem acolher a nossa tristeza. Ou a sabem compreender. Por uma ruga na face, um nublado olhar, um embargo de voz.
Como as almas gémeas são raras e as afeições electivas, difíceis, também por aí nos temos de dividir, para ser, completadamente.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Um entrevista para não esquecer


Pena que se não possa recuperar, ou repetir, a notável entrevista, que Eduardo Lourenço (1923) deu ontem à RTP 1, para quem a não viu. Três países referidos, abundantemente: Portugal e França, como seria natural; mas também o registo da alma russa, em confronto com a moleza europeia, e como único país (europeu) com estratégia nacional e internacional. Apesar de Putin...
Na entrevista couberam também as seis gerações circundantes de qualquer ser humano. Do silêncio sage da avó, que apascentava cabras junto à fronteira espanhola, até à alegria que lhe provocam as três bisnetas, saudosamente habitando a França. Pese embora a tonalidade pessimista das suas palavras, até porque falou da Morte e do Nada, as suas reflexões foram de um clareza magistral.

domingo, 2 de novembro de 2014

Bibliofilia 112


Em Outubro de 1949, quatro anos após o fim da II Grande Guerra, saíu dos prelos da Coimbra Editora e em edição de autor, este livro Heterodoxia I, do jovem e recente licenciado, em Histórico-Filosóficas, Eduardo Lourenço (1923). Constituído maioritariamente pela sua tese de licenciatura.
Numa Europa, da altura, caracterizada entre esquerda e direita, bem definidas, e num império português, cujas figuras pensantes e politicamente activas se extremavam entre estadonovistas e comunistas, Eduardo Lourenço, neste seu primeiro livro, propunha uma alternativa isenta, justa e humanista. Escusado será dizer que as reacções, agressivas, não se fizeram esperar, quer da direita, quer da esquerda.
O livro, como objecto bibliográfico, nesta sua primeira edição, não sendo raro, não é muito frequente encontrar-se em alfarrabistas ou à venda, em leilões, porque teve uma tiragem de apenas 500 exemplares. A obra custou-me, no final dos anos 80, Esc. 1.000$00, ou seja, cerca de 5 euros.

domingo, 19 de maio de 2013

Eduardo Lourenço


A poucos dias de completar 90 anos e pouco depois de ter saído o seu último livro (Os Militares e o Poder, Gradiva), Eduardo Lourenço (1923) concedeu a Teresa de Sousa (jornal Público) uma importante entrevista, onde, com a sua habitual lucidez, abordou uma série de questões, nomeadamente, sobre a Europa. Embora a entrevista deva ser lida por inteiro, seja-nos permitido respigar alguns pequenos excertos que nos pareceram mais significativos. Seguem:
"Não temos guerra no sentido clássico, mas temos uma guerra permanente que é uma disputa para ocupar os primeiros lugares de tudo quanto se produz no mundo..."
"A verdade é que quando o Monet dizia que era pela cultura que se devia ter começado (a construção da UE), enganava-se. A cultura separa. Os intelectuais não querem perceber isso, porque pensam que são eles os donos da cultura. A cultura marca as diferenças."
"Esta Europa tornou-se um museu de si mesma."
"Veja que vivemos a eleição de Obama como se fosse a eleição do rei da Europa que não existe. Ou até do mundo. E vivemos esse sentimento da maneira mais generosa possível, quase de cinema."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A heterodoxia de Eduardo Lourenço



O livro começa assim: "O mundo da cultura portuguesa arrasta há quatro séculos uma existência crepuscular." A obra Heterodoxia I foi publicada por Eduardo Lourenço (1923), com apenas 26 anos, em Coimbra, no ano de 1949, numa pequena tiragem de 500 exemplares (o meu tem o número do meio: 250), numerados e assinados. Este primeiro volume foi dedicado a Miguel Torga. O volume II saíria, também em Coimbra, em 1962.
O livro foi uma pedrada no charco e ainda hoje mantém actualidade e importância. Num país maniqueísta onde, ou se pensava excessivamente à direita ou irredutivelmente à esquerda, a obra abria um trincheira em terra de ninguém, pugnando para que se lutasse e pensasse por si mesmo. Nos tempos actuais, em que tudo se pretende estandardizar, este propósito simples é cada vez mais importante. Para garantir liberdade de espírito.
Eduardo Lourenço completa hoje 89 anos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Notas de Leitura III: "Pequena meditação europeia" - Eduardo Lourenço



A imagem de Portugal que a Geração de 70 verberou foi também, e talvez sobretudo, o retrato amargo daquilo que essa Geração pensava que a nação não deveria ser mas era; um exame crítico porventura conceptualmente rigoroso mas que, bem vistas as coisas, decorria afinal de uma mitificacão simplista do passado, da qual esses jovens moços eram nem mais nem menos do que os verdadeiros autores e quase singulares intérpretes.
E é desse retrato de “decadência” e de “atraso cultural”, dessa meditação com “laivos de certo masoquismo” - que esses jovens foram emendando ao longo das suas não longas vidas- que parte Eduardo Lourenço na sua Pequena meditação europeia (conferência realizada em 23 de Janeiro de 2010, no âmbito dos eventos relacionados com a designação de Guimarães para Capital Europeia da Cultura em 2012) para conduzir os então assistentes e os agora leitores ao retrato que a carta de Pero Vaz de Caminha traça das terras e das gentes do que depois se chamaria o Brasil e que, como todos os grandes momentos da História e da escrita de História, traduz, pela sua capacidade de incorporação e de acomodação da diferença, talvez um dos melhores e mais autênticos retratos que os portugueses foram capazes de fazer de si próprios e da sua própria cultura, e que Eduardo Lourenço sublinha nestes termos: “ quando lemos a carta de Pero Vaz de Caminha ficamos muito admirados porque os portugueses não se espantaram com coisa nenhuma. Contrariamente àquilo que aconteceu com os conquistadores espanhóis, os portugueses nunca duvidaram que aqueles sujeitos – sobretudo as sujeitas – que eles encontraram fossem ser humanos, como eram seres humanos maravilhosos.”



Assim, o que claramente sobressai nesta Pequena meditação europeia é aquilo que poderemos considerar um sereno diálogo entre o presente e o passado, diálogo esse que não versa sobre o carácter nebuloso e messiânico do futuro mas sobre uma certa claridade do passado, porque em boa verdade só nos deverá interessar saber para onde vamos se soubermos bem de onde viemos: um pequeno povo e uma nação de desenvolvimento médio que, vistos da janela do presente (pois, como observou Benedetto Croce, toda a história é “história contemporânea”), se revelaram um esteio da cristandade que alargou sucessivamente os vínculos da Europa aos perímetros do mar; estradas que abrimos e foram nossas enquanto durou o segredo, a surpresa dos outros e o efeito da audácia de sermos os primeiros.
Não foi, pois, na sabedoria mas na perspicácia e na curiosidade aquilo em que fomos maiores, no saber de experiência feito, no saber que se apura e se deduz entre e a tentativa e o erro e se faz de pequenas adições, sucessivas emendas, tragédias quase anónimas e lampejos de génio.
Se fomos senhores dos mares, fomo-lo pelo lado fragmentário e inesperado dos saberes e não pelo lado sistemático do poder, que só muito transitoriamente detivemos, se privilegiámos a política de transporte e nela baseámos a nossa fugaz riqueza, essa maneira quase débil de seguir em frente, mas provavelmente inevitável para uma nação escassa de gente, revela-se-nos, hoje, no absoluto da sua fragilidade, porventura o mais duradouro e lúcido contributo dos portugueses para a cultura europeia e que Eduardo Lourenço refere deste modo: “uma cultura que esteve em contacto com a diferença e que conheceu a diferença e, por conseguinte, sem ser de maneira tão crítica como a de Montaigne ou de Montesquieu, ela aceitou que o Outro era a mesma coisa que o Mesmo. Nós não éramos melhores do que os outros, estávamos entre os outros, tínhamos uma espécie de universalidade sem conceito, mas estávamos no mundo, porque em última análise, a História não tem nenhum sujeito particular, tem a Humanidade inteira como sujeito, unicamente.”
Falamos também de saberes que se desprendem da vida e que vivem e convivem paredes-meias com o temor do pecado e o instinto da transgressão, entre a curiosidade e o medo, entre a utilidade e a fantasia, entre o excesso e a penúria; saberes feitos de aventura, de rasgos de inteligência emocional e de fogo juvenil que deixaram rasto e prol a toda a largura do mundo.
Por isso, ao contrário do excesso de rigor com que a Geração de 70 marcou a cultura portuguesa e sobretudo da fortuna que essa visão dolorosa, irónica e algo compadecida projectou nos tempos sombrios que se viveram depois, talvez a verdade possa ser, agora, a de que fizemos mais do que aquilo que deixámos de fazer: a racionalidade simples de um cristianismo ainda medieval e uno permitiu-nos, apesar de tudo, olhar o Outro a partir das suas humanas semelhanças, encarar o medo do desconhecido como uma manifestação do poder de Deus e, com uma audácia próxima da inocência acomodar o imprevisto entre a barbaridade e a fantasia, incorporando a incerteza no algoritmo da fé.
Simultaneamente grandes e mesquinhos, timoratos e temerários, revelámo-nos no óbvio (na “glória de mandar”, na “vã cobiça”), mas também para além dele: os mares que navegámos, as terras que achámos, as conquistas que fizemos, os relatos que deixámos e as cartas que traçámos, traduzem com eloquência o modo como protagonizámos a nossa radical condição de europeus: uma delicada mistura de tenacidade e de sonho, metáfora viva de um certo ofício de viver, em trânsito permanente entre o pecado da ignorância e o brilho da melhor ilustração.

Post de H.N.
Nota: O Arpose agradece mais esta preciosa colaboração de H. N.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aqui há dez anos


Arrumos de época própria, fazem-me deparar com um JL do período de 25 de Julho a 7 de Agosto de 2001 (a primeira data gralhada na capa). É o nº 804, do ano XXI. Dá para ver a efemeridade das coisas e o eco amortecido ou sepultado do que terá sido "importante", aqui há dez anos atrás - não vale a pena correr pela moda muito presente e demasiado actual... Dos best-sellers de ficção (10) passo a referir os 5 mais vendidos (alguém se lembrará deles?):
1 - Gaby Hautmann: "Um amante a mais ainda sabe a pouco" (Quetzal).
2 - Edith Wherton: "Sono Crepuscular" (Asa).
3 - Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxton: "A Sacerdotisa de Avalon" (Rocco).
4 - Luísa Castel-Branco: "Luísa" (Oficina do Livro).
5 - Brian Gallaghr: "Marido Infiel" (Presença).
As duas notícias em destaque, neste JL, são: "Os 5 anos da CPLP: Balanço e Perspectivas" e a atribuição do Prémio Camões a Eugénio de Andrade, com testemunhos e artigos de Eduardo Lourenço, Arnaldo Saraiva e José Tolentino Mendonça. O JL traz ainda 3 poemas inéditos do Poeta. Transcrevo um deles que não sei se terá tido inclusão e posterior impressão em livro. Tem como título "À beira da água" e está datado da Foz do Douro (27. 8. 2000). Segue:

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Balanço e contas, pouco antes das férias

O blogue, neste mês de Julho de 2011, atingirá o seu máximo mensal de postes colocados. Ultrapassará, muito provavelmente, o número de 140. Tal não teria sido possível sem a preciosa colaboração de HMJ e de H. N. (que, oportunamente, dará a sua opinião de leitura, aqui, sobre uma obra de Eduardo Lourenço). Mas também me foram essenciais as sugestões, dicas e informações amigas transmitidas por: A. A. M., C. S. e ms (estou a citar, por ordem alfabética). Não menos importante e motivadora foi, sem dúvida, a visita e comentários de alguém que muito prezo: MR. Mas também foram estimulantes as visitas, comentários e interacção, bissextos de: c. a., JAD, LB, Margarida Elias, Miss Tolstoi, "oliveira da Eurídice" e Ralf Wokan (volto a citar por ordem alfabética). Que se me perdoe alguma clamorosa omissão!
Finalmente, as visitas tímidas ou caladas, e anónimas oscilam entre 130 e 140 diárias, presentemente, com predomínio das brasileiras. Um agradecimento especial aos 29 seguidores do Arpose, pela paciência com que me têm vindo a acompanhar, com desvelo e atenção. E, já agora, uma última nota: o Arpose entrará, a partir de agora em velocidade de cruzeiro. E a seguir ao próximo fim-de-semana, optará por uma hibernação bissexta. Como dizia José Gomes Ferreira: "Viver sempre, também cansa!"
Obrigado a todos. E muito boas férias!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Óscar Lopes



Dos ensaístas e críticos portugueses, há um que particularmente estimo - Óscar Lopes (1917). Muita coisa aprendi com ele, quer através da sua imensa cultura, quer pela sua fina intuição ao descobrir-me os pequenos sinais que, nas obras literárias, às vezes se escondem, por intenção velada dos autores. Três vezes me cruzei com ele, uma delas num jantar em Lisboa, para os lados de Alfama, num restaurante modesto não muito longe de S. Vicente de Fora. Óscar Lopes passou a refeição em diálogo intenso com Eduardo Lourenço que abancara em frente, na mesa. Os dois humanistas falaram, sobretudo, de António José Saraiva que tinha morrido, havia pouco tempo, e repentinamente. Há alguns anos atrás, Eugénio de Andrade escreveu-lhe o retrato e, entre outras coisas, disse: "...gostaria ainda de falar, a propósito de Óscar Lopes, de simplicidade e de pudor, pois nele é o que imediatamente vem à tona". A idade avançada faz recolher ao silêncio a maior parte dos homens - silêncio próprio, e dos outros. E, esse limbo é, também muitas vezes, a antecâmara do esquecimento. Espero que isto não aconteça a quem o não merece, por tudo aquilo que fez na vida. E pelos outros.

para o António, que comigo partilha a estima e a admiração.

domingo, 23 de maio de 2010

Nos 87 anos de um "Senador" da Pátria



Num país em que os "senadores" da Pátria se podem contar pelos dedos (arrisco: Adriano Moreira, Freitas do Amaral, José Mattoso e Mário Soares) relembro Eduardo Lourenço que hoje completa 87 anos. Com palavras suas de "O Labirinto da Saudade":
"Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe..."