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quinta-feira, 16 de março de 2017

Desabafo (19)


Libertei-me do meu jornal à terça e à quinta-feira. Não, não foi só pela poupança, mas guardei-me da irritação, ao dobrar o jornal Público (que já teve melhores dias...), de ver, na última página, o mastronço beirão, com cara suína e suja de barba por fazer, a debitar alarvidades e aleivosias parvas. Eu sei que ele tem 4 filhos para criar, mas não me comovo com solidariedades cristãs: quem lhos mandou fazer, que ele não pudesse evitá-los?
Depois há coisas piores: quem o acopulou com o Mexia (que se entretém, embora molemente, com poesia) e o Ricardo Araújo Pereira (que se diverte, alegremente, por viver), num canal televisivo? Não só a escolha revela mau gosto, como falta de sentido crítico e um grande desequilíbrio. É que, no fundo, acabam por ser uns três mosqueteiros desenquadrados. Dois são inteligentes, um de esquerda e o segundo de direita, o outro é apenas atrasado mensal. Embora eu saiba que ele está a fazer um grande esforço, para se cultivar: até já frequenta o meu alfarrabista de referência, onde vai comprando uns livritos. Hoje, por exemplo, andava à procura das "Cartas Políticas (1908-1909)", de João Chagas - vejam lá onde ele ainda anda, coitado... E não as encontrou.
Tive, agora, um palpite: a criatura deve estar inscrita numa das grandes Internacionais... Qual será? Porque só assim se percebe o encantamento de alguns pascácios com a sua enormidade mental.

domingo, 15 de novembro de 2015

Para reflexão


É um exemplo simples, objectivo e indesmentível. Que ajuda a desmontar ou desmistificar a sacralidade dogmática instrumental da Economia, na sociedade dos nossos dias. E é referido pelo economista e sociólogo francês Bernard Friot (1946), desta forma linear: uma baby-sitter vem tomar conta do bebé de uma família, recebendo, em troca, um pagamento por esse serviço - uma transação, para todos os efeitos, que é acrescentada ao PIB; se for o avô ou a avó a encarregarem-se dessa tarefa, gratuitamente, não há valor acrescentado, nem registado pela contabilidade nacional. Ora, o valor social do acto é exactamente o mesmo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

As inefáveis felicidades


É certo que eu não sou versado em Economia e pouco sei de Finanças, mas confesso que dei tratos de polé à moleirinha para descortinar ou tentar imaginar o que seria este doutoramento "em Economia da Felicidade", que este cronista do jornal Público, de ontem (3/11/2015), ostenta, garbosamente.
Talvez haja por aí, no mundo, uma Faculdade Celestial, que eu desconheça.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Tamanho não é problema


Entre as várias receitas fatalistas que nos foram sendo vendidas, com o tempo, acerca das limitações estruturais de Portugal, está a pequenez territorial. Esses cómicos formatadores mentais esqueciam, propositadamente, a Suiça, o Luxemburgo, a Holanda. E, mais para trás, o poderio que teve, por exemplo, a cidade-república de Veneza. Muito semelhante, hoje em dia, ao peso económico que representa a cidade-estado de Singapura, uma pequena ilha, na peninsula de Malaca. Onde a imaginação dos seus dirigentes e um sentido muito pragmático e realista da legislação permitiram um florescimento notável de bem-estar para todos os seus cidadãos. Do apertado rigor das leis sobre asseio e protecção do ambiente (deitar para o chão um chiclete usado, é severamente punido), até à permissividade vigiada, mas ampla, sobre as transações económico-financeiras, vai um passo de gigante, neste país minúsculo onde, apesar de tudo, a fatia financeira pesa apenas 11%, no PIB.
Singapura, na densidade de ultra-ricos e milionários, é apenas ultrapassada pela Suiça. E goza do estatuto de possuir a nota (10.000 dólares de Singapura, emitida em 1999, ainda em uso) de valor mais alto, em todo o mundo, com um valor equivalente a 6.000,00 euros. O que, como bem se pode imaginar, permite grande facilidade nas migrações financeiras...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Anátemas feudais


É uma obra de grande solidez argumentativa, pese embora a ortodoxia marxista da análise. Por vezes, também, um pouco árida para quem, como eu, não é versado em economia. Mas abre clareiras de entendimento para o que foram os fundamentos da economia feudal. O livro (em 9 tomos), de Armando Castro (1918-1999), intitula-se "A Evolução Económica de Portugal - dos séculos XII a XV", e tenho vindo a lê-lo, espaçadamente. Coisas há, nele, que se prolongam para outros horizontes onde estou mais à vontade e que, através de associações lógicas, ajudam a perceber melhor as reacções, decisões estratégicas e comportamentos humanos. Por exemplo, a força do espiritual que se sobrepõe às mais justas reivindicações materiais. Mesmo em seres humanos incultos, ou pouco esclarecidos, o peso tirânico de índole espiritual  da Igreja destruía qualquer veleidade de insubmissão às regras duras estabelecidas - através da ameaça de excomunhão. Mesmo em questões menores e terrenas, a Igreja fazia uso de isso, de uma forma perfeitamente injustificada e condenável. Passo a transcrever um exemplo, retirado do tomo VIII (pg. 50/51), da obra de Armando Castro, referida acima. Segue:
"...No ano de 1423, com efeito, reuniram-se no celeiro do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, na presença do prior e tabelião geral do rei de Entre Douro e Minho os moradores dum dos seus domínios; as razões da assembleia são proclamadas no documento que refere o acontecimento: esses colonos do Mosteiro tinham deixado de cultivar em certas leiras dominiais a vinha contra o que lhes havia sido exigido, em consequência do que «o prior ganhara contra eles sentença de excomunhão». Os caseiros suplicaram que lhes fosse levantada tão terrível condenação (que aliás acumulava penalidades, as multas, com as religiosas). Ficamos a saber que o poderoso abade do mosteiro cruciano anuiu ao pedido desde que os colonos se comprometessem a cultivar as vinhas. Tendo sido levantada a excomunhão, os colonos assumiram compromisso solene de fazer as ditas vinhas, estabelecendo-se logo ali as glebas concretas que seriam atribuídas a cada um dos nove caseiros aí presentes. ..."

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Agradecimento cívico

De um grupo de economistas que pretendem a abertura de um inquérito contra as agências de ratos (o sublinhado é nosso) pelo "crime de manipulação do mercado", destaco, na foto, o catedrático José Reis. Gravaram-se, na minha memória, a sua imagem, a atitude e as explicações que transmitiu, ontem, num noticiário televisivo. Com o seu saber, mas sobretudo, numa linguagem simples, explicou com fundamento o que nos vai na alma. Desmascarou a aparente "inocência" das tais agências, demonstrando que as suas acções se enquadram em práticas ilícitas, objecto de processos abertos em vários países.

Aqui vai o meu agradecimento cívico.

Post de HMJ

quinta-feira, 3 de março de 2011

Economia, política e hipocrisia


Por razões objectivas, os postes de ontem, no Arpose, tiveram um cariz político. Falei de intelectuais, interventivos ou não, dos parasitas sugadores das agências de rating, e de orgulho nacional. Mas se não falei de hipocrisia, pensei nela a propósito das tomadas de posição, agora, em relação ao Norte de África, por parte de alguns governos ocidentais. E, em relação à hipocrisia, há um poema de Sophia Andresen que talvez valha a pena lembrar. O seu título é:

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas.

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Àquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o seu corpo
Porque não tinham outra.

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito.
Perdoai-lhes, Senhor,
Porque eles sabem o que fazem.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Economia real


Por vezes, a realidade cruza-se mal com os profetas da desgraça ou com os dados económicos teóricos. Mas há também disfunções que um leigo em economia compreende mal. Haverá, com certeza, um meio termo onde serão nítidas as duas faces da moeda. E se entenderá o conjunto.
Hoje, tive ocasião de, em simultâneo com a leitura de jornais, assistir também a um debate sobre a evolução da economia real do país. Ou, pelo menos, saber do desempenho de algumas empresas portuguesas com vocação exportadora, bem sucedidas. Anotei, por exemplo, que Portugal é o 6º maior exportador mundial de calçado.
E retive uma afirmação muito elucidativa do Prof. Rogério Carapuça, em que este dizia que, numa crise, "há os que choram, e os que vendem lenços". Um provérbio popular não diria melhor.