A anunciação, feita recentemente, pelo Ministério da Educação, de novos programas para o ensino da Matemática e do Português, para o secundário, embora ainda sujeitos a debate público, provocou, pela surpresa, muitas reacções. Para um leigo como eu, no entanto, a estratégia parece-me desencontrada na sua base de partida e fruto de uma caprichosa incoerência de intenções. Talvez, no fundo, acompanhe, solidariamente, a confusão que preside às políticas ziguezagueantes deste inenarrável governo.
É evidente que nem tudo é inútil ou despropositado nestes novos programas, mas repare-se: na Matemática do secundário são inseridos temas e áreas avançadas que, até agora, estavam apenas reservados ao ensino universitário, dada a sua complexidade abstracta e difícil; por outro lado, no Português, é um regresso ao passado (cerca de 20 anos atrás) com a reintrodução de Fernão Lopes, poesia trovadoresca, Garção, Camilo Pessanha, por exemplo.
Embora Crato seja no Sul, parece-me que anda por aqui um grande desnorte...