Mostrar mensagens com a etiqueta Ensaio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ensaio. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de abril de 2025

T. S. Eliot

 

É um dos últimos TLS (nº 6356) que dá a boa notícia de que a editora Faber and Faber publicou, em 4 volumes, The Collected Prose, de T. S. Eliot (1888-1965), num total de 3.536 páginas. É a primeira vez que tal acontece, de forma completa, quanto aos ensaios do notável pensador.
Na minha opinião, com Paul Valéry (1871-1945), Eliot foi o mais capacitado estudioso de poesia e que dela falou com mais propriedade intelectual, até ao momento. Por cá, só talvez Jorge de Sena (1919-1978) se aproximou mais na abordagem  desta difícil temática literária.

sábado, 25 de maio de 2019

Memória 131 (de uma Colecção)


Os tempos leveiros de espírito que vamos vivendo, talvez ajudem a explicar a inexistência, que eu saiba ou me lembre, actualmente, de uma colecção de ensaística com a qualidade desta da Ática, em imagem, que se prolongou por quase três décadas, em Portugal.
Mas também a Sá da Costa, a Verbo, a Editora Ulisseia tinham as suas colecções de estudos e ensaios que, não sendo propriamente académicos, ajudavam os leitores a pensar e a desenvolver o sentido estético e crítico.


Hoje, as editoras estão mais preocupadas e interessadas em promover obras de auto-ajuda, para uma população cada vez mais carecida de competências e infantilizada, biografias pífias de pivots televisivos para consumo bisbilhoteiro do populacho, ou ficções paupérrimas de publicistas que fazem da sua exposição pública o ganha pão da sua actividade mercenária. O ensaio deixou de estar na agenda da edição e também, talvez, do público leitor.


Dos ensaístas aqui representados, apenas José-Augusto França (1922) sobrevive. Mas é sempre um reencontro enriquecedor revisitar Sena, Mourão-Ferreira e Prado Coelho nas páginas memoráveis destes ensaios da Ática.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Recomendado : sessenta e três


Os ensaístas, bem como os filósofos, nunca abundaram na terra portuguesa. Se considerarmos apenas o ensaio literário, desde o pioneiro Moniz Barreto (1863-1896), luso-indiano, a lista de figuras, que abordaram a temática, reduz-se ainda mais. Deixo de fora o ensaio académico feito por universitários, mas também aí as obras de qualidade escasseiam.
Estudiosos há, cuja actividade literária sai prejudicada da sua excessiva exposição política. Antes como agora. Estou-me a lembrar, por exemplo, do esquecido Fidelino de Figueiredo (1889-1967), que tem uma obra ensaística muito interessante sobre as literaturas comparadas peninsulares. E que é raramente referido.
Poeta estimável, Vasco da Graça Moura (1942-2014) incorreu no mesmo pecado de exposição partidária. Tradutor de grande mérito e crítico arguto, não o devemos esquecer, pese embora o seu polémico grau de intervenção política, em anos ainda recentes e talvez nem sempre pelas melhores causas...
Estes Discursos Vários Poéticos (Verbo, 2013) são no entanto obra limpa e valiosa. Desde os capítulos sobre tradução de poesia à síntese explicativa e brilhante da obra de Nemésio, passando por alguns concisos apontamentos sobre a poesia de Mourão-Ferreira e de Sophia. Não resisto, por saborosa, à transcrição que VGM faz, oblíqua a propósito dos portugueses, colhida em Fastigímia, de Tomé Pinheiro da Veiga:
Em descobrindo o Portugalete, se nos mostrou uma cara de vilãozinho, encarquilhada, mui trefo, tudo penedos escabrosos e montes, sem nenhuma lhaneza, muita silveira e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem diz: isto é meu, não é teu, não me furtes as minhas uvas.
Bem como esta afirmação polémica - com que aliás eu concordo - de sua lavra, numa avaliação comparada: "Essa palavra poética toca-nos não porque revela Deus, mas porque Nemésio era muito melhor poeta do que Régio ou Torga." (pg. 400)
Por estes e outros motivos, estimulantes, aqui venho recomendar este livro de ensaios de Vasco da Graça Moura. Tirará o seu proveito, quem o ler.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Contos, descrença e leituras


Será que poderei anunciar o fim da minha ingenuidade ou início da minha descrença, em relação à ficção? E, aos contos, em particular. O meu primeiro abandono, em leituras, deu-se com a ficção científica, há muitos anos atrás, ao quinto ou sexto livro lido, desta temática - não gosto. Desertei da infanto-juvenil, quando o meu filho mais novo atingiu a adolescência. E, quase em simultâneo, da BD, onde apenas vim a ter uma recaida proveitosa com Hugo Pratt e o seu Corto Maltese. Não mais. O cinismo e o dogmatismo põem sempre alguns perigos, guardo-me deles, porque nunca se sabe se podemos vir atrás. Mas já Afonso Duarte (1884-1958) avisava: "...Voltar atrás é uma falta de saúde..."
Acontece que, por desfastio, nos últimos 3 dias, me dediquei à leitura de curtas narrativas de ficção. Contos, quero eu dizer. Comecei por Maupassant (Guy de): reli O adereço, depois li Uma "vendetta" que, quanto a trama imaginativa, são soberbos. Mas os assuntos são datados, os sentimentos das personagens, obsoletos, hoje em dia. Já não colam ao leitor.
Depois, patrioticamente, fui aos nacionais. Afonso Ribeiro (1911-1993), com Uma luz nas trevas, deixou-me descalço de piedade e simpatia, pela sua caridadezinha neo-realista. Alves Redol (1911-1969) acordou-me um pouco com O combóio das seis, pelo seu realismo e diálogos movimentados de subúrbios fabris, bem sugestivos. Mas o final do conto (deus meu!) estraga tudo. Finalizei com Aquilino Ribeiro (1885-1963), de que reli: António das Arábias e seu cão Pilatas, que, no seu pendor cinegético e rural, me reconciliou um pouco com a boa literatura nacional; mas que não chegou para me entusiasmar (fiz batota em duas ou três páginas, de intensidade mais onírica, quase no final), por aí além.
Terei de chegar à conclusão que já me vai faltando aquela supension of desbelief - de que falava S. T.  Coleridge - e que caracteriza os leitores com fé? Com boa fé - melhor dizendo. Talvez.
Mas dou-me por feliz, ao pensar que há muitos livros de História, Poesia, Biografias e Ensaio, que nunca li...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Prémio Nobel da Paz




No dia da entrega do Prémio Nobel da Paz à União Europeia, recorro a um ensaio de Jürgen Habermas para festejar o evento, já que os "actores" em presença - quais Zé Manéis ou Muttis - são de tão fraca qualidade que ninguém se lembrou de ir ver o espectáculo anunciado.
O livro de Habermas (Zur Verfassung Europas), comprado recentemente e publicado, pela primeira vez, em 2011, é, pela clarividência, um contributo exemplar na defesa de uma perspectiva para uma Europa da Paz e da Democracia, assente na cidadania, dignidade e direitos humanos.

Post de HMJ