Costuma o povo dizer que "no melhor pano, cai a nódoa" e, na verdade, até nas pessoas em que prima a inteligência, cultura e racionalidade, se podem encontrar pequenos tiques instintivos, ou mesmo irracionais, que contrariam essas faculdades. O caso mais flagrante, porventura, é o das superstições. Vão assim três exemplos, para comprovar o facto:
Fernando Pessoa (1888-1935) considerava que o ganir dos cães era de mau agoiro. Por outro lado, congratulava-se por ter nascido em dia diferente da sua namorada Ophélia (ele, a 13 de Junho; ela a 14 do mesmo mês). E acrescentava que, quando as datas coincidiam, era prenúncio fatídico, numa provável alusão à mesma data de nascimento (28 de Setembro) do rei D. Carlos e da raínha D. Amélia.
Hans Christian Andersen (1805-1875) tinha medo de vir a ser enterrado vivo e, por precaução, dormia sempre com um bilhete, à cabeceira da cama, que dizia: "Pareço morto, mas não estou."
Eurico Caruso (1873-1921) nunca viajava à sexta-feira e estava convencido que podia proteger a sua saúde se mantivesse uma anchova seca suspensa sobre o peito, pendurada num colar.