Sabe bem, como ontem me aconteceu, rever uma cara amiga, mesmo que tenha sido na RTP2, em entrevista ao "Bairro Alto". Alice Vieira (1943) mantém a vivacidade transbordante e a alegria de viver, que sempre lhe conheci, bem como o sentido solidário de estar com os outros.
Mas deixou também alguns apontamentos pitorescos que me fizeram sorrir. Desde as mutilações "politicamente correctas" que se fizeram, e têm feito, às obras de Enid Blyton (a cerveja de gengibre, que os jovens bebiam, transformada em limonada, para não chocar as almas cristãs e sensíveis), até à tradutora portuguesa que achava que as criancinhas não tomavam banho e, por isso, de tantas em tantas páginas, intercalava um banho, que não existia no livro original - devia ser muito limpa, esta senhora...
E, depois, aquela carta do despedimento do jornal onde escrevia (DN?), em que se desculparam dizendo: que gostariam de ter uma "informação mais aconchegante" (bonito!). Alice não percebeu, na altura, mas poucos dias depois, ao ler um título da primeira página desse jornal (dizia: "Professor badalhoco viola aluna") compreendeu o alcance do "aconchegante".