Não será uma afirmação gratuita, eu dizer que Portugal é um dos países europeus que, proporcionalmente ao seu território, tem uma maior gama de diversidade e boa qualidade no que toca a enchidos e/ou produtos de fumeiro. Talvez a Espanha nos esteja próxima mas, mesmo assim, fica longe...
De há muito que a indústria de Panificação portuguesa tem três formas de aproveitar as sobras da sua produção: o chamado pão duro. A maior parte, é transformada em pão ralado, outra, em tostas; o restante, por vezes, é adquirido por fabricantes de alheiras, que se dedicam a comercializá-las.
A sua origem, no interior de Portugal (Trás-os-Montes, inicialmente), radica nos conversos ou cristãos-novos (ex-judeus) que queriam dar a ideia à vizinhança que comiam carne de porco. Muito embora apenas acrescentassem à massa de pão, das alheiras, carne de aves (galinha e pato) e, eventualmente, caça (coelho bravo, perdiz...). O azeite era também utilizado, bem como sal, pimenta, alho e, por vezes, colorau.
O que foi um pequeno nicho regional de produção artesanal, com o tempo, veio a transformar-se em indústria florescente, de agrado nacional e preferência. E, se algumas marcas vendem gato desenxabido por lebre, com recheio constituído quase só por pão desfeito, tempêro, alguns ossinhos e uns fiapos de carne de frango, a EuroFumeiro (passe a publicidade...), de Mirandela, distribui umas magníficas alheiras de caça, bem fornidas de coelho, porco, pato, galinha e, talvez, perdiz. Com grelos, batata frita e um ovo estrelado, são uma reconfortante refeição.