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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Bibliofilia 162


Esta miscelânea, impressa em 1781, na tipografia de Chrispim Sabino dos Santos, é uma antologia de 11 entremezes que, provavelmente, terão tido grande sucesso nos palcos populares de Lisboa. Os galegos, taberneiros, criadas e ciganas, médicos e juízes, são personagens frequentes e quase constantes nestas pequenas paródias que se destinavam ao divertimento dos lisboetas menos exigentes do ponto de vista cultural.



Os títulos, por vezes insólitos (deixo um em imagem), pressagiam, no entanto, os enredos ligeiros de que eram feitas estas representações, que tinham, como único objectivo, o entretenimento popular.  E que correspondiam no séc. XVIII, de algum modo, ao que foi a Revista à portuguesa do século passado. Atente-se no facto de todos estes entremezes serem anónimos, quanto à autoria.
A antologia tem 256 páginas e está em razoável estado de conservação, embora com algumas manchas de humidade. Brochada, custou-me 22 euros. Que achei ser um preço justo e merecido.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ora, foi no Teatro do Salitre...


A vitrine estava repleta de entremezes e folhetos de cordel, aí uns vinte, pelo menos, e todos diferentes. E B. T. foi-me dizendo que, há muito, não comprava mercadoria deste quilate. Eu vi-os a pente fino: alguns já os tinha, como O Gallego Lorpa e os Tolineiros, de que já aqui falei, em tempos (24/6/2010). Estes folhetos, sem grandes pretensões culturais, representados, destinavam-se a divertir a populaça.



Grande parte destas peças dialogadas, de média ou fraca qualidade, tinham sido exibidas no Teatro do Salitre que, inaugurado em 1782, e mudando de nome para Teatro de Variedades, em 1852, veio a encerrar no ano de 1879. Aqui se estreou (onde mereceo accceitação), no ano de 1822 (?), esta pequena obra (16 páginas) de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), intitulada A Casa de Pasto.



O enredo da pequena peça é débil e de humor muito linear, à superfície. Mas tem aspectos sociológicos interessantes. E dá para saber que, naquela altura, se apreciavam os miolos com ovos, cebolas recheadas, frango ensopado, língua de vaca, favas com presunto e pombos de empanadas...
Desencadernado e em sofrível condição (pequenos rasgões, não afectando o texto), o folheto ficou-me por 18 euros.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bibliofilia 20 : Folhetos de Cordel e Entremezes



Não sou grande conhecedor de entremezes nem de folhetos de cordel. Tenho, sim, vários folhetos de poesia do séc. XVIII, e outros de José Daniel Rodrigues da Costa, já do séc. XIX. Os primeiros entremezes parece terem tido origem nos sécs. XIV/XV. Rui de Pina fala deles na sua crónica sobre D. João II. Segundo Luiz Francisco Rebello, a palavra portuguesa entremez provém do francês "entremetz".
Quando me ofereceram, ontem, por um preço módico, estes dois folhetos que se reproduzem, não resisti a comprá-los. Após leitura ligeira, fazem-me lembrar pequenos "libretos" de revista à portuguesa, "avant la lettre". Não têm grande qualidade literária, nem indicam os nomes dos seus autores, mas são divertidos. Têm 16 páginas, cada um. E a tipografia, onde foram impressos, é a mesma (Typ. de Mathias José Marques da Silva, na Rua do Ouro, em Lisboa). Creio que, pelo menos um ("Novo Entremez/ intitulado/ O Gallego Lorpa e os Tolineiros."), terá algum interesse sociológico sobre o período em que foi editado.