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quinta-feira, 28 de julho de 2022

As palavras do dia (47)



De Estaline, são os silêncios que matam, em Hitler, é a palavra. Os Gregos tinham esta crença extraordinária de que um anátema lançado sobre alguém jamais se poderia desfazer. (...) Alguns povos crêem nisso, e eu também: a linguagem do grande ódio é uma arma mais poderosa do que todas as outras. A linguagem do amor, em Celan por exemplo, tenta reparar a queda do homem. 

George Steiner (1929-2020), in Magazine Littéraire (nº 454, junho 2006).

sexta-feira, 15 de julho de 2022

História e Leste, por palavras de E. M. Cioran



De uma entrevista de Léo Gillet, traduzo sobre os temas em título, a pergunta do entrevistador e a resposta do autor romeno E. M. Cioran (1911-1995):

L. G.: Tem uma outra bête noir nos seus livros, que é a história. A história e você não são grandes amigos...
C.: Não acontece apenas comigo. O pensamento de Eliade é também contra a história. No fundo, todas as pessoas do leste da Europa são contra a história. E vou dizer-lhe porquê. É que as pessoas do Leste, seja qual for a sua orientação ideológica, têm obrigatoriamente um preconceito contra a história. Porquê? Porque elas são sempre vítimas. Todos esses países sem destino do este da Europa, são países que foram invadidos e subjugados: para eles a história é necessariamente demoníaca.

Entretiens, Gallimard, 1995 (pg. 64).

sábado, 13 de abril de 2019

Fotografia e ficção, segundo W. G. Sebald (1944-2001)



São pouco mais de 5 minutos, em que Sebald explica como parte da fotografia para a ficção.
A entrevista, em vídeo, está legendada em castelhano o que facilita a compreensão de quem não entenda o inglês. Na sua simplicidade, é muito elucidativa.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Subir de patamar



É um desafio para enriquecer  o Domingo, este vídeo. Porque as palavras de Sequeira Costa (1929-2019) atravessam o mundo e ensinam-nos muita coisa. São cerca de 59 minutos, talvez apenas para os happy few, que disponham de tempo, não sejam impacientes e queiram ir para além da tona das águas...

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

2 citações de uma entrevista, sobre poesia e não só


A propósito do lançamento do livro da sua obra poética completa, presente, Para comigo, Joaquim Manuel Magalhães (1945) deu uma entrevista à ípsilon, em que aborda, de forma exemplar, alguns assuntos, para além de poesia. Pensada e com algumas reflexões de grande pertinência, a entrevista, até porque as respostas foram dadas por escrito, as suas palavras merecem ser lidas com atenção.
Que não de maior relevância, aqui deixo dois pequenos excertos, recomendando vivamente, a leitura integral da referida entrevista de Joaquim Manuel Magalhães.

"Nunca fiz uma leitura provinciana da nossa poesia, por isso me espanto com as cotoveladas que os poetas dão uns aos outros por causa do seu lugarzinho efémero."
...
"Traduzir é perder tempo, dá muito trabalho, a maior parte das vezes as coisas ficam tortas em português e percebemos logo que não resultam bem e não pode ser de outra forma."

domingo, 5 de agosto de 2018

Razões biográficas, com pseudónimo

É preciso ter paciência e abandonarmos o frenesi virtual da ligeireza. São cerca de 20 minutos de entrevista a John Le Carré (1931). Eu creio que vale a pena ouvi-lo.

Acasos, oportunidades, gostos


Por mero acaso, ontem, tive a oportunidade, e felicidade, de ouvir, em sequência intervalada, entrevistas a 3 escritores, qualquer delas interessante, tendo em conta a bagagem de experiência pessoal, a obra e inteligência dos autores, mas também a qualidade dos entrevistadores, que acaba por ser, nestes casos, decisiva e fundamental. Foram eles, por ordem cronológica: John Le Carré, Salman Rushdie e, finalmente, Jacinto Lucas Pires.
Tenho de confessar que a entrevista que mais me agradou foi a de John Le Carré, talvez porque seja o escritor cuja obra conheço melhor, mas também porque gosto muito de o ler. Não digo adorar, porque é um verbo que não entra no meu léxico deste tipo de coisas, nem sentimento que costume experimentar.
Pus-me a divagar depois. E, se é certo, que se reflectir um pouco, eu sou capaz de explicar, em palavras simples, a razão por que aprecio Camilo e Eça, Maugham e E. M. Cioran, teria uma enorme diculdade em justificar e argumentar o meu gosto pelas obras de Simenon ou de John Le Carré. Socorro-me de Pascal, que dizia: O coração tem razões que a razão desconhece.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Portugueses, segundo Antonio Tabucchi (1943-2012)


Há nos portugueses, um veio pícaro forte, um escárnio sempre presente, uma maldadezinha, um tom mais baixo, rabelaisiano.

Antonio Tabucchi, em entrevista (2000) a Maria João Seixas.

sábado, 3 de junho de 2017

Recomendado : sessenta e oito - George Steiner (1929)


Para quem costuma frequentar Steiner, esta entrevista do ensaísta, à Revista do Expresso, hoje, não trará, porventura, grandes novidades. Mas é sempre grato ler as sábias palavras de um dos já poucos pensadores globais, ainda vivo, deste nosso mundo.
Por isso, o recomendo vivamente.

sábado, 13 de maio de 2017

Altos patamares


Luís Sottomayor (1963) é o enólogo responsável pelas últimas colheitas do Barca Velha, vinho do Douro e de alta qualidade, que foi criado, em 1955 (data recentemente certificada, e com apenas 19 edições), por Fernando Nicolau de Almeida (1913-1998). À colheita de 2008, já orientada por aquele enólogo da Sogrape, foi atribuída, pela Wine Enthusiast, a classificação máxima de 100 pontos, situação inédita na enologia portuguesa. 
Pelo feliz acontecimento, o jornal Expresso entrevistou Luís Sottomayor, de quem eu gostaria  de transcrever a sua última resposta, à pergunta que lhe foi feita:

A maior parte das pessoas nunca provou um "Barca Velha". Como é que lhes apresentaria o vinho?

Pensem numa pessoa por quem tenham respeito e consideração. Alguém a quem reconheçam carácter, personalidade e, ao mesmo tempo, sentimentos. É assim o Barca Velha.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Um entrevista para não esquecer


Pena que se não possa recuperar, ou repetir, a notável entrevista, que Eduardo Lourenço (1923) deu ontem à RTP 1, para quem a não viu. Três países referidos, abundantemente: Portugal e França, como seria natural; mas também o registo da alma russa, em confronto com a moleza europeia, e como único país (europeu) com estratégia nacional e internacional. Apesar de Putin...
Na entrevista couberam também as seis gerações circundantes de qualquer ser humano. Do silêncio sage da avó, que apascentava cabras junto à fronteira espanhola, até à alegria que lhe provocam as três bisnetas, saudosamente habitando a França. Pese embora a tonalidade pessimista das suas palavras, até porque falou da Morte e do Nada, as suas reflexões foram de um clareza magistral.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

De uma entrevista, Valéry a Giovanni Papini


"Desde os gregos até nós, a verdadeira poesia é também pensamento e, por outro lado, o verdadeiro filósofo não o chegaria a ser se não tivesse em si alguma imaginação, que é a trama secreta da poesia. Poetas e pensadores escrevem ditados fornecidos pelos deuses mas, como você sabe, os deuses são avaros e invejosos, e não ditam mais do que o primeiro verso do poema e o parágrafo inicial do discurso."