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domingo, 22 de outubro de 2023

Versão portuguesa de um poema de Emily Dickinson (1830-1886)

 


94

Os Anjos, pela manhã bem cedinho
podem ver-se por entre o nevoeiro,
inclinando-se - colhendo - sorrindo - voando
- será que os botões a eles pertencem?

Os Anjos, quando o sol é mais forte
podem ser vistos pelo areal
inclinando-se - colhendo - suspirando - voando
- aquecendo as flores que levam consigo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

De Emily Dickinson, em versão minha, displicente e livre



1755


Para criar uma pradaria basta 
um trevo e uma abelha,
um simples trevo
e uma única abelha,
além da fantasia.
Até bastaria só a fantasia
se fossem poucas as abelhas. 


Emily Dickinson (1830-1886), in A murmury in the Trees (1998).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Últimas aquisições (20), e primeiras de 2020


Não é que me faltasse leitura, mas alfarrabista que se me atravesse no caminho corre quase sempre o risco de vir a ser devassado. Desta vez foram 4 livros (3 livrinhos e um livrão [mais de 1.300 páginas]) que trouxe para casa, neste começo de ano. Esportulei 14 euros, bem aplicados, na Bizantina, à rua da Misericórdia. Até porque eu andava com vontade de ler uma biografia de Franz Schubert. Esta da Fayard deve ter alguma qualidade...


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Versão, para português, de um poema de Emily Dickinson (1830-1886)


352

Talvez eu tenha perguntado demais -
Não me contento - senão com os céus -
Porque as Terras, crescem pesadas
Como bagas tensas, na minha cidade -

O meu Cesto leva - apenas - Firmamentos
Aqueles - que leves flutuam - no meu braço,
Pequenos espaços - me saciam e bastam.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Últimas aquisições


Eu nunca tinha ido à Foyles, em Charing Cross. E W. H. Auden era um motivo maior.
Mas Emily Dickinson também colhe as minhas preferências. Colhia-a na British Library.
E o livro sobre Matisse, de Alastair Sooke, veio da Royal Academy of Arts, quando visitei a exposição Matisse in the Studio, em muito boa hora.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

De Emily Dickinson, um poema traduzido


Tão pouco que fazer
que tem a erva!
Simples, verde, e alongada:
única distracção, as borboletas
e por companhia apenas
alguma abelha
 que passa.



Emily Dickinson (1830-1886)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Uma nota longa para um poema curto de E. D., em versão portuguesa


A fé é uma invenção subtil
Como os cavalheiros podem constatar,
Mas os microscópios são prudentes,
Em qualquer emergência.

Emily Dickinson


Nota pessoal: falar ou tentar explicar um poema - quando de Poesia se trata - é sempre uma forma de lhe reduzir o horizonte. E limitar a infinita comunhão de leitura a quem o lê. Pondo em risco os mecanismos subjectivos de associação e imaginação do leitor. E da sua própria experiência pessoal.
A poesia de Emily Dickinson não é fácil. Não tem, pelo menos, a linearidade sábia e resolvida de grande parte dos poemas de Robert Frost, por exemplo.
Dito isto, eu acrescentaria apenas, para quem não saiba, e a propósito deste poema (ou quadra), que traduzi, que Emily Dickinson era uma mulher profundamente religiosa. E praticava.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Recuperado de um "moleskine" (6)


A pequena livraria onde, muito bissextamente, me abasteço de novidades, acabara de receber vários livros de poesia, que folheei sem grande entusiasmo, não me decidindo por nenhuma das obras. Acabei por trazer uma obra de ensaística. No entanto, ainda ontem à noite, e durante quase duas horas, segui o curso de talvez mais de 40 ou 50 poemas - daqueles muito curtos - de Emily Dickinson, sempre num crescendo de expectativa, compensado.
Há dias e noites para a poesia, como há para a prosa e, outros ainda, em que as palavras parecem resvalar pelo exterior de nós, sem nos tocarem quase, tenham ou não rima. E, às vezes, com rima ainda é pior... O defeso pode ser também uma necessidade ou uma purga salutar, para que o real comezinho se não perca de todo, no olhar distraído. E não seja apenas uma abstracção distante, alheia.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Manuscritos complicados


Sobre a dificuldade e complexidade da poesia de Emily Dickinson (1830-1886) falou, com propriedade e conhecimento, Jorge de Sena, na sua introdução a 80 poemas de Emily Dickinson (Edições 70, 1978). Das elipses, das divisões estróficas a descodificar, da desarrumação dos versos escritos em pequenos pedaços de papel (recibos comerciais, envelopes já usados ou não...), da dificuldade em estabelecer uma pontuação sistemática e coerente, das maiúsculas frequentes... Até porque dos mais de 1.700 poemas conhecidos, apenas cerca de 10 foram corrigidos e publicados em vida, por Emily Dickinson.
O TLS anunciou recentemente a saída de um livro (The Gorgeous Nothings) que reproduz 100 poemas de E. D., escritos em pequenos papéis e envelopes, que foram enviados à sua irmã "Miss Vinnie Dickinson", de que damos, abaixo, uma reprodução, bem como uma pequena poesia que o jornal inglês transcreve. Para o pequeno poema, proponho a seguinte versão, em português:

Quem diz
que a Ausência
de uma
Bruxa
anula 
o seu feitiço?

domingo, 19 de janeiro de 2014

Um pequeno poema de Emily Dickinson


Um sempre prateado em volta
Por cordas de areia
Para evitar que se perca
Esse vestígio a que chamamos terra.


versão dedicada a H. N., cordialmente.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

De Emily Dickinson, para a noite


Talvez a noite não necessite de mim - embora venha a precisar -
Por precaução vou deixar-lhe o coração à sua beira -
Um sorriso, por pequeno que seja, assim o meu,
Pode vir a ser útil.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mais um poema de Emily Dickinson


Como eu seria feliz se pudesse esquecer
De me lembrar como estou triste
Seria um fácil infortúnio
Mas recordar-me do Florir

Torna este Novembro mais difícil
Até para quem, sendo ousado, se perde
No meu caminho como uma Criança
Pequena que morre no frio.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Quase um epigrama de E. D.


A linhagem do mel
Não diz respeito à abelha;
Um trevo, sempre, há-de ser
Fidalgo, para si mesmo.


Emily Dickinson (1830-1886).

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Emily Dickinson, em versão portuguesa


Poupa a natureza no amarelo
Mais que outro dos matizes;
Guarda-o para todos os ocasos, -
Embora seja pródiga no azul,

Abusa do vermelho como as mulheres
Garridas, mas evita o amarelo,
Só rara e parcimoniosamente,
Como as breves frases dos amantes.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pelo aniversário do nascimento de Emily Dickinson


Uma porta que se abriu de súbito na rua -
E eu perdida, ia a passar -
Um amplo instante de calor se desprendeu
E me envolveu de companhia.

A porta de súbito fechou-se, e eu,
Eu, mesma, perdida, ia a passar, -
Perdida duplamente, mas por contraste fundo,
Numa dor iluminada.


Emily Dickinson (1830-1886).

domingo, 16 de dezembro de 2012

Versão sobre um poema de Emily Dickinson


Grandes alamedas de silêncio levavam
Aos bosques próximos da pausa;
Aqui não havia notícia, nem discórdia,
Nem universo, nem leis.

Pelos relógios era manhã e para a noite
Os sinos chamavam à distância;
Mas as datas aqui não tinham expressão
Porque o tempo não respirava mais.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Emily Dickinson, pelo aniversário do nascimento


Deus permite que habilidosos anjos
Possam brincar pelas tardes.
Encontrei um, - esqueci-me dos colegas
Da escola, a todos pus de lado.

Mas Deus chama os anjos para casa
Subitamente ao pôr-do-sol.
Perdi o meu. Que tristes são os mármores
Depois de brincar no Reino.

para MR, cordialmente, e em geminação.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

De Emily Dickinson

Uma palavra morre
quando é dita,
algum dia.
Eu digo apenas
que começa a viver
nesse dia.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Emily Dickinson, ainda


Não há fragata alguma como um livro
Para nos levar terras além,
Nem corcel nenhum como uma página
De poesia caprichosa e galopante.
Até o mais pobre pode seguir este percurso
Sem o pesado preço da portagem;
Que frugal parece a carruagem
Que sustenta a alma humana!

Obsv.: de novo me penitencio por não respeitar as maiúsculas tão características na poesia de Emily Dickinson. Mais uma vez o poema original foi retirado de publicação avulsa - que as não observou...

sábado, 13 de outubro de 2012

De Emily Dickinson, para português


"Casas" - assim me disseram Homens Sábios -
"Moradias !" Moradias devem estar aquecidas!
Moradias não podem deixar entrar as lágrimas,
Moradias têm que deter a tempestade!

"Muitas Moradas," pelo "seu Pai,"
Que eu não conheço; confortavelmente construídas!
Possam as crianças chegar até lá -
Algumas, chegarão a custo esta noite ainda!