Costumo dizer, por brincadeira e para os meus próximos, que, se não fosse a leitura semanal do TLS, eu ficaria isolado do mundo. É um exagero, evidentemente, mas tem alguma ponta de verdade.
Ora, a leitura do último jornal literário inglês, fez-me regressar aos meus tempos infanto-juvenis, em que um dos meus autores predilectos era Emilio Salgari (1862-1911). Este TLS deu-me a conhecer um pouco melhor o escritor italiano. Que eu li, sobretudo, em BD e não pelos livros da Romano Torres, muito populares nessa época.
Eram histórias sérias, de humor ausente, que, pelo contrário, enxameava no Asterix ou no Lucky Luke. Aureoladas de heroísmo e aventura, as peripécias de Sandokan, por exemplo, deviam ser lidas com compostura e seriedade adolescente. Tinham até, muitas vezes, uma preocupação ética ou moral - parece-me, ainda hoje.
Talvez Salgari fosse também um homem demasiado sério e de pendor trágico, pelo que lhe sobrou ou reservou a vida. O pai suicidou-se, a mulher acusou cedo perturbações psíquicas e ele refugiava-se na bebida e no jogo, para lá do trabalho insano da escrita que lhe dava, à justa, para sobreviver.
Antes dos 50 anos, cansou-se e fez o hara-kiri - soube tudo isto ontem, pelo TLS.