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domingo, 16 de janeiro de 2022

Bismarck e os seus animais de estimação


(...) Mas os verdadeiros amigos de Bismarck (1815-1898) não são dotados de fala. Ao mesmo tempo que a sua misantropia aumenta também o seu amor pelos cães, que o acompanham ao longo de toda a sua vida, mais tempo mesmo do que a própria mulher. Em todas as conversas, em todos os seus cadernos de apontamentos, pelo meio dos seus projectos, de decisões, de ordens, na Wilhelmstrasse como nas florestas, quer durante os seus períodos sombrios quer nos dias mais felizes: vemos sempre estes dois cães cinzentos ou negros que se assemelham ao dono, pois também eles eram  enormes e nervosos, audazes e perigosos. Há oito cães enterrados uns ao lado dos outros no parque de Varzin, próximo dos seus cavalos favoritos. Como as crianças, são os únicos seres em relação aos quais Bismarck dá provas de paciência e que o acalmam em vez de o excitar; como eles não pretendem nada dele, não lhe oferecem resistência, não falam nunca mas parecem, ao mesmo tempo, tudo compreender, o seu coração envelhecido apega-se cada vez mais solidamente a eles. «Gosto muito dos cães, porque eles nunca nos fazem sentir que procedemos erradamente»: estas palavras que ele pronuncia nos últimos dias da sua velhice revelam melhor a sua mais íntima maneira de ser. (...)

Emil Ludwig (1881-1948), in Bismarck (pg. 455).


terça-feira, 23 de março de 2021

Divagações 169


Não me tem sido fácil, nem excessivamente simpática esta leitura muito intermitente, que vou levando desde 2017 (ver: Arpose, 15/1/2017), da biografia de Bismarck (1815-1898), escrita por Emil Ludwig (1881-1948) e traduzida para a Payot (Paris) por A. Lecourt, em 1929. Vou a pouco menos de metade das suas cerca de 590 páginas, mas não consigo explicar nem o ritmo arrastado nem a morosidade no avanço do livro. Sou capaz é de entender por que não desisto de o ler. É que, de vez em quando, aparecem umas pérolas, umas ironias ou reflexões soberbas que me encantam pela concisão e, ao mesmo tempo, pela ampla sugestão que permitem. Como esta que me surgiu no início do capítulo VIII (pg. 251) e que passo a traduzir:

Por volta da idade de sessenta e cinco anos, Bismarck o Prussiano começou a tornar-se um Alemão.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Do que fui lendo por aí... (5)


"...Pense-se em Espanha, Portugal, o Brasil, todas as repúblicas americanas, Bélgica, Holanda, Suiça, Grécia, Suécia... a própria Inglaterra; mesmo no que diz respeito ao território que os príncipes alemães de hoje conquistaram em parte à custa do imperador e do Império, ...de algum modo, nesses próprios estados, não se poderiam atribuir títulos de propriedade absolutamente legítimos, e na política do nosso próprio país, em si mesmo, não podemos esquecer que ele foi criado a partir de bases revolucionárias..." (pg. 148)

Bismarck, por Emil Ludwig (Payot, Paris, 1929).